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Município de SinesEstreia filme de animação sobre Vasco da Gama

O filme de animação Vasco da Gama – O Mar Infinito estreia em 2025, no âmbito das comemorações dos 500 anos da morte de Vasco da Gama. Produzido pelo Município de Sines e realizado por Cláudio Jordão (KotoStudios), o projeto propõe uma abordagem inovadora à figura do navegador português e à sua primeira viagem à Índia, numa linguagem visual inspirada na azulejaria tradicional portuguesa.

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Município de Sines Estreia filme de animação sobre Vasco da Gama

Por Jornal Rostos

O filme destina-se a todos os públicos e foi concebido como ferramenta cultural e pedagógica.
A narrativa parte da expedição de 1497, comandada por Vasco da Gama sob ordens de D. Manuel I, e centra-se nos desafios humanos, políticos e naturais enfrentados pela tripulação. Combinando rigor histórico e liberdade criativa, o filme apresenta uma versão mais íntima do protagonista, evocando momentos como a lenda da aguilhada — símbolo da promessa de alcançar a Índia — e a complexa relação com o irmão Paulo da Gama. O objetivo, segundo o realizador, foi “explorar o lado humano da epopeia”, sem cair na representação heróica convencional.

Visualmente, o filme distingue-se por uma estética que parte dos azulejos portugueses e evolui ao longo da narrativa, incorporando cores e padrões das geografias visitadas. Os tons de azul e branco vão-se transformando em verdes tropicais, ocres áridos e dourados exuberantes, refletindo não só a travessia física, mas também a jornada emocional dos personagens. Esta opção visual, segundo Cláudio Jordão, foi influenciada pelo património azulejar de Sines, cidade natal do navegador, e pela própria diversidade cultural encontrada ao longo da rota.

O argumento, da autoria de Bruno Martins Soares, foi desenvolvido em colaboração com uma equipa de investigadores e especialistas em História dos Descobrimentos, garantindo a fidelidade aos principais marcos da viagem. A investigação incluiu contributos de figuras como António Campos, Sandra Patrício, Marco Oliveira Borges e Ricardo Pereira. O filme inclui ainda excertos de Os Lusíadas, numa ponte deliberada entre a epopeia histórica e o imaginário literário camoniano.

Entre os elementos menos conhecidos que o filme explora, destacam-se o papel do astrónomo Abraão Zacuto no sucesso da navegação no hemisfério sul, a partilha de conhecimentos com Bartolomeu Dias, e curiosidades como o uso de alhos e cebolas a bordo para indicar direções à tripulação, maioritariamente analfabeta.

Para além da sua vertente cinematográfica, Vasco da Gama – O Mar Infinito foi idealizado como um instrumento de divulgação e reflexão, com vocação para sessões escolares, festivais internacionais, conferências temáticas e plataformas de streaming. A equipa espera que o filme contribua para novos olhares sobre o legado da Expansão Portuguesa e sobre os valores da curiosidade, do conhecimento e da cooperação intercultural.

Cláudio Jordão, fundador da KotoStudios e com um percurso reconhecido no cinema de animação (Conto do Vento, A Espuma e o Leão, Aluado), reforça assim a sua aposta em projetos de carácter histórico e experimental, tendo já em desenvolvimento novas curtas-metragens e uma longa-metragem em fase de pré-produção.

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