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Setúbal - XIX Encontro do Conselho Superior da Magistratura«Um Estado que se quer de Direito é um Estado que comunica com clareza»

A importância da clareza da linguagem jurídica na comunicação com os cidadãos foi destacada esta manhã pela presidente da Câmara Municipal de Setúbal, Maria das Dores Meira, na abertura de um encontro nacional a decorrer no Fórum Luísa Todi.

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Setúbal - XIX Encontro do Conselho Superior da Magistratura «Um Estado que se quer de Direito é um Estado que comunica com clareza»

Por Jornal Rostos

“Para que o Estado de Direito seja garantido é essencial que os tribunais funcionem de forma eficaz e, para isso, é particularmente importante a forma como comunicam com os cidadãos e a sociedade civil”, sublinhou Maria das Dores Meira na sessão de abertura de XIX Encontro do Conselho Superior da Magistratura, subordinado ao tema “Juízes: o apelo da linguagem clara na decisão e na transformação digital”.

Na sessão, que contou com as presenças da ministra da Justiça, Rita Alarcão Júdice, o presidente do Supremo Tribunal de Justiça e do Conselho Superior da Magistratura, João Cura Mariano, e o presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, a autarca setubalense assinalou que o encontro se assume como “um espaço de discussão sobre assuntos dominantes da atualidade da Justiça”.

Magistrados, académicos e representantes de instituições da justiça portuguesa e internacional e especialistas em comunicação e em tecnologia “debatem temas tão importantes e atuais como a simplificação da linguagem jurídica, a comunicação clara nas decisões judiciais e os impactes da transformação digital no setor”.

A clareza na argumentação, a linguagem utilizada na Justiça, o direito de o cidadão comum a compreender o que é dito e escrito nos tribunais, a existência de destinatários vulneráveis, a comunicação pública da Justiça, a regulação do uso da inteligência artificial na Justiça e os impactes do digital no sistema judiciário e no trabalho dos juízes são questões em análise hoje e amanhã, no Fórum Municipal Luísa Todi.

“Muitos destes temas interessam a todos, juristas e não juristas, porque a linguagem clara é instrumento de proximidade, transparência e confiança entre os tribunais e os cidadãos”, vincou Maria das Dores Meira.

A autarca, que enalteceu o facto de o encontro anual do Conselho Superior de Magistratura se realizar pela primeira vez em Setúbal, destacou “com particular orgulho” que uma das iniciativas que compõem o programa do evento é uma visita a realizar amanhã à tarde ao Convento de Jesus, “cuja reabilitação, complementada pela instalação do Museu de Setúbal, tem sido promovida pela Câmara Municipal”.

A clareza da comunicação jurídica como elemento essencial para o reforço da confiança dos cidadãos na Justiça foi, igualmente, destacada pela ministra da Justiça, Rita Alarcão Júdice, que assumiu que “a adequação da linguagem jurídica é uma prioridade” do Governo.

Embora reconheça que há um núcleo de conceitos que “não é suscetível de simplificação, sob pena de perder rigor”, a ministra da Justiça assegura que a simplificação da linguagem judiciária, “mais do que um objetivo fundamental deste Governo”, corresponde ao “cumprimento de uma exigência constitucional”.

O presidente do Supremo Tribunal de Justiça e do Conselho Superior da Magistratura, João Cura Mariano, considera que “um Estado que se quer de Direito é um Estado que comunica com clareza” e defende que “a linguagem simples não diminui a autoridade dos tribunais, mas antes a reforça”.

O responsável reconhece que “ainda há uma longa estrada a percorrer” e que “a mudança exige formação, sensibilização e, sobretudo, vontade” e espera que o encontro a decorrer hoje e amanhã em Setúbal resulte “numa nova cultura da comunicação da Justiça”.

Já o presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, destacou “o esforço sincero no caminho da inovação” que tem sido feito no setor da Justiça e os “passos importantes que têm sido dados, por exemplo, na transformação digital e no combate à corrupção”.

Aguiar-Branco lembrou que amanhã há uma reunião na Assembleia da República com o Governo, grupos parlamentares e entidades do setor “para ouvir todos e apresentar propostas”, a qual será “o início de um processo para fazer novo e diferente” no caminho para “uma Justiça que seja de todos, feita com todos e para todos”.

Após a sessão de abertura do XIX Encontro do Conselho Superior da Magistratura, seguiu-se a conferência de fundo “Simplificar a linguagem, aproximar a justiça do cidadão”, com João Caupers, antigo presidente do Tribunal Constitucional.

No período da tarde, às 17h30, é apresentado o livro “A esponja dos dias e outros textos”, de Emília Costa.

Dos três painéis do encontro, dois decorrem hoje, de tarde, “Linguagem Clara”, com os professores Duarte de Almeida e Joana Aguiar e Silva e as juízas Ana Cláudia Castro e Margarida Sousa, e “A Adaptação da Linguagem ao Destinatário”, com os juízes Edurne Uranga Mutuberría e Anabela Pedroso e os jornalistas Jose Asenjo Vallejo e Liliana Monteiro.

O terceiro painel, intitulado “Inteligência Artificial no Apoio à Decisão e Justiça Digital”, no dia 7, de manhã, tem a participação dos juízes Luis Villares Naveira, Nélson Escórcio e João Ferreira.

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