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Moldura

Bispo de Setúbal na Igreja de Santo André no BarreiroHá jovens, famílias, homens e mulheres para quem a cruz já não significa nada

O Bispo de Setúbal, Cardeal D. Américo Aguiar presidiu à eucaristia de Domingo de Ramos, Eucaristia de Domingo de Ramos na paróquia de Santo André, no Barreiro.
“Não nos podemos esquecer que há jovens, famílias, homens e mulheres para quem a cruz já não significa nada, e por isso temos de relembrar, testemunhar o que é que significa a Cruz.”, referiu, o Bispo de Setúbal, no decorrer daa homilia na Igreja de Santo André.

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Bispo de Setúbal na Igreja de Santo André no Barreiro Há jovens, famílias, homens e mulheres para quem a cruz já não significa nada

Por Jornal Rostos

Divulgamos o texto integral da homilia proferida pelo Bispo de Setúbal, na Igreja de Santo André, no Barreiro.

Meus queridos irmãos e irmãs, ouvíamos na primeira leitura dizer que «o Senhor deu-me a Graça de falar como discípulo para que eu saiba dizer uma palavra de alento aos que andam perdidos».
Ora então, nós temos de ter consciência disto, deve estar na nossa língua e no nosso coração. Termos consciência de que temos de levar uma palavra de alento aos que andam perdidos, a todos, todos, todos. Temos essa obrigação.

Estamos a viver a Semana Maior, a Semana Santa. Se eu perguntar em alguns sítios qual é a festa mais importante do Natal, dirão muitos que é o Natal, mas não é, é a Páscoa. E se eu perguntar porque é que vivemos a Páscoa, uns dirão que são férias da escola, outros dirão que é o cabrito, amêndoas, mas perceber o que é importante nesta altura do ano já nem todos conseguem dizer.

Daí esta leitura alongada da Paixão, que pretende ensinar, recordar e tornar presente aquilo que estamos a viver. Mas já muito não sabem. Estou a fazer as visitas pastorais em Almada, e nas escolas surpreendeu-me eu chegar e os meninos e os adolescentes perguntarem o que é isto [mostra a cruz peitoral]... eu estava habituado a que pelo menos todos soubessem que isto era uma Cruz, mas hoje isso já não é certo que todos saibam. Para alguns é um adereço, uma ourivesaria. Não nos podemos esquecer que há jovens, famílias, homens e mulheres para quem a cruz já não significa nada, e por isso temos de relembrar, testemunhar o que é que significa a Cruz. E quando eu lhes falo de Jesus, aí é que estou tramado, porque se não sabem o que é a Cruz, muito menos sabem quem foi Jesus.
to é um desafio que temos de ultrapassar. Podemos ficar todos felizes e contentes porque sabemos o que são estas coisas, mas o todos, todos, todos significa que temos de levar este anúncio de uma Cruz que é salvação a todos os irmãos e irmãs.

Parto do princípio que esta procissão que fizeram levou algumas pessoas a perguntar o que se passava na rua. Viram umas pessoas estranhas, umas músicas que não conheciam, e ter-se-ão questionado quem seria aquela gente.
Meus irmãos e minhas irmãs, eu peço-vos que cada um possa responder e assumir o compromisso de dar testemunho da Cruz e de Jesus. Não é preciso rachar cabeças e pôr lá dentro a Bíblia, é preciso dar testemunho com a vida. Que as outras pessoas, ao olharem para nós em casa, no trabalho, na escola, no lazer, perguntem “porque é que eles se amam, são tão felizes, se respeitam e parecem uma família”, e vêm cá ver por curiosidade. Ou então olham e dizem, “aqueles que vão à missa não são melhores que nós que não vamos”...

Meus queridos irmãos e irmãs, Jesus e a Cruz são provocação. Aliás, naquele tempo, Paulo dizia que era loucura. Por isso, não podemos enterrar a cabeça na areia. Nós somos uma percentagem pequenina da freguesia, da vila, da cidade, da península, do país. Somos uma percentagem pequena os que conhecem a testemunham a Cruz de Jesus, e nós temos de nos sentir mandatados, temos de nos sentir enviados a dar testemunho da Cruz de Jesus, não de condenação, mas como salvação. Não podemos guardar isto para nós. Se os primeiros nossos irmãos tivessem guardado isto para eles, nós não estaríamos aqui.
Também se está a quebrar a tradição de que a mãe, ou a avó, dão esse testemunho na família. E muitas crianças chegavam à catequese e sabiam os mínimos, porque alguém lhes ensinava, mas também isso está a falhar.

Sei que parece que estou a lançar um cenário muito negativo, mas é apenas realista. Somos muitos, somos bons e damos graças a Deus por isso. Mas não é para guardar, é para testemunhar, para mostrar não tanto de conversa, mas com testemunho de vida.
E é isso que vos peço, irmão e irmãs, que sejais capazes de testemunhar Cristo Vivo a todos os que nos rodeiam.

Peçamos ao Senhor, de um modo especial pelos mais pequeninos. Há pouco via um pequenito que desafiava o pai a sair da igreja, saía e olhava para trás a ver se o pai vinha. E isto é um pouco a nossa relação com Deus. Muitas vezes estamos na rampa, queremos esconder, fugir, mas depois há momentos chave onde temos de escolher Jesus ou Barrabás. E às vezes escolhemos Barrabás. Eu, às vezes, escolho Barrabás. “Não comas isto que faz mal”... mas é só um bocadinho, e pronto, escolhemos Barrabás. “não faças isto porque magoas quem te ama”... é só desta vez, e escolhemos Barrabás. Muitos de vós já serão quase santos, mas outros de nós temos consciência que algumas vezes, muitas vezes, demasiadas vezes, consciente ou inconscientemente dizemos Barrabás.

Que a Semana Santa possa abençoar, fortalecer e proteger a cada um, para que a escolha por Barrabás seja cada vez menor e um dia saibamos que toda a nossa vida reflete o testemunho de Jesus Cristo. Assim seja.

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