Eclipse solar de 12 de agostoOrdem dos Médicos apela a avisos públicos para proteger a visão

Por Jornal Rostos
Perante o previsível interesse da população, nomeadamente das crianças, e a realização de atividades de observação, a Ordem dos Médicos, através dos Colégios da Especialidade de Oftalmologia e de Pediatria, apela às entidades públicas e privadas para que reforcem os avisos e a informação à população sobre os riscos da observação direta do Sol sem proteção adequada.
“Durante um eclipse, a redução da luminosidade pode criar uma falsa sensação de segurança. É fundamental que todas as pessoas saibam que, mesmo durante as fases parciais do eclipse, quando apenas uma pequena parte do Sol permanece visível, continua a não ser seguro olhar diretamente para o Sol sem proteção adequada”, alerta Joana Tavares Ferreira, Presidente do Colégio da Especialidade de Oftalmologia da Ordem dos Médicos.
Dada a vulnerabilidade das crianças, a Ordem dos Médicos manifesta a sua especial preocupação e apela a que se garanta que a observação do eclipse pelos mais novos seja feita sempre sob supervisão de um adulto.
"As crianças podem não ter a perceção do risco associado à observação direta do Sol e, por isso, não devem observar o eclipse sem a supervisão próxima de um adulto. Cabe aos adultos garantir previamente que os equipamentos de proteção são adequados, que estão em boas condições e que são utilizados corretamente durante toda a observação", alerta Ricardo Costa, Presidente do Colégio da Especialidade de Pediatria da Ordem dos Médicos.
A instituição deixa um apelo a todas as entidades: “Um fenómeno desta dimensão merece ser vivido e apreciado, mas a curiosidade não pode transformar-se num risco para a saúde. Recomendamos que escolas, municípios, campos de férias e outras instituições que organizem atividades relacionadas com o eclipse assegurem previamente equipamentos adequados, reforcem a informação e garantam a supervisão das crianças e jovens. É fundamental que a informação chegue às pessoas antes do eclipse”, afirma o Bastonário da Ordem dos Médicos, Carlos Cortes.
A Ordem dos Médicos reforça que óculos de sol comuns, mesmo que muito escuros ou polarizados, não oferecem proteção adequada e que não devem ser utilizados métodos improvisados (como radiografias, negativos fotográficos, vidro fumado, CDs, DVDs ou outros materiais não certificados). Para observar diretamente o eclipse, devem ser utilizados exclusivamente óculos ou visores especificamente concebidos para a observação solar, conformes com a norma internacional ISO 12312-2 e com marcação CE, adquiridos junto de fabricantes ou fornecedores de confiança. A observação indireta, através de sistemas de projeção como o método pinhole, constitui uma alternativa segura.
“A radiação solar que chega à retina pode provocar retinopatia solar, uma lesão que pode comprometer a visão central e ser potencialmente irreversível. A retina não tem recetores de dor e, por isso, uma pessoa pode sofrer uma lesão durante a observação do Sol sem sentir qualquer dor ou desconforto imediato. Os sintomas podem surgir posteriormente, nomeadamente sob a forma de visão turva, uma mancha ou zona escura no centro da visão, distorção das imagens ou alterações na perceção das cores», acrescenta
a Presidente do Colégio da Especialidade de Oftalmologia, reforçando a gravidade do risco.
A ampla e atempada divulgação destas recomendações é essencial para evitar acidentes e lesões oculares que podem ter consequências duradouras.
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