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Moldura

Espaço JDebate da Associação Académica do Barreiro

Ontem, 27 de Fevereiro, às 22 h, realizou-se no espaço J, um debate sobre a Associação Académica do Barreiro. Presentes estiveram Amílcar Romano, vereador da cultura, Ricardo Rosado, estudante do ensino superior, o arquitecto Eduardo Porfírio, o economista Valdemar Quaresma, e António Cabóz, solicitador.
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Por Cátia Pacheco

Para dar início ao debate, este presente o vereador Amílcar Romano, que salientou a importância que teve a “Académica” no movimento de ideias contra a ditadura, e que embora o Barreiro fosse uma cidade sem uma universidade, tinha a Associação Académica. Referiu a importância que estas pessoas tiveram, marcando gerações, e deseja que este seja apenas “um marco” nas novas formas de organização da juventude.
Ricardo Rosado, estudante do ensino superior, presente na qualidade de moderador do debate, não quis deixar de mencionar, a necessidade que, hoje em dia, os jovens têm em reflectir as necessidades e problemas da sociedade onde estão inseridos.
Eduardo Porfírio, sócio da associação desde o seu início, recordou que a “Académica” era o ponto de encontro, o ponto de reunião. Naquela altura não existia nada para os jovens, “nem o marketing tinha descoberto os jovens”.
Nos anos 60 vivia-se anos de grande agitação académica, e a “Académica” era o local onde se podia dizer tudo, estar à vontade. Reuniam-se estudantes de todas as universidades de Lisboa, durante esse período bastante complicado, era nesse local que se podia saber tudo o que se passava.

“Hoje falta o espírito académico que se vivia na época”

Os mais novos, frequentadores do liceu, também podiam ir á “Académica”, existia como que uma pré-formação de preparação para a entrada na faculdade, recorda o arquitecto. Existia uma grande entreajuda entre todos.
Valdemar Quaresma, membro da direcção da associação nos finais dos anos 50, relembra a escola que a “Académica” foi. Muitos que de lá saíram, tornaram-se pessoas “visíveis no concelho”, o exemplo de Pedro Canário, ex. Presidente da Câmara do Barreiro.
A convivência entre rapazes e raparigas, que na altura também era complicada, foi um pouco alterada com a entrada para a “Académica” de muitas raparigas.
António Cabóz, que pertence a uma geração mais nova, faz relevância ao introsamento de gerações que existia.
Nos anos 60/70 as coisas em Portugal mudam, e a própria “Académica” passa a ter a sua “PIDE” interna, o que fez com que se perdesse a “abertura de conversas” que existia inicialmente.
Com o 25 de Abril a “Académica” acabou, deixou de fazer sentido, contudo a opinião foi unanime, hoje em dia, fazia falta uma “Académica” adaptada à realidade que se vive.

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