ICAM CONTINUA A PERSEGUIR O FESTROIA

Por Jornal Rostos
"Como já se esperava, o júri ("comissão de análise e selecção", como lhe chama o ICAM) é o mesmo que no ano passado excluiu o Festroia dos apoios que aquele Instituto, por força de lei, atribui a todas as manifestações que promovam e divulguem o Cinema" - sublinha-se na nota de imprensa.
"O facto deu origem a uma campanha inédita, tanto no plano nacional como internacional, de apoio ao Festroia e de repúdio por uma atitude discriminatória que nada teve a ver com razões técnicas ou de qualidade, e o presidente do ICAM afirmou então que a desclassificação do Festroia não voltaria a repetir-se, admitindo deste modo que fora cometida uma grave injustiça." - acrescenta.
Festroia discriminado
"Este ano, e em manifesta inferioridade relativamente a festivais sem o currículo do Festroia – ou apenas recém-aparecidos -, o ICAM atribui-nos o subsídio de 35 mil euros, verba inferior em mais de metade ao que o nosso Festival chegou a receber daquele Instituto. Ou seja: a discriminação continua, mas o júri pretende desta vez afirmar a sua "isenção", atribuindo-nos uma verba que chega a ser aviltante para o prestígio, dimensões e historial do Festroia. Deste modo, o júri continua a deixar bem clara a sua parcialidade e falta de condições morais ou de competência para as funções em que foi colocado pela Direcção do ICAM: marginalização daqueles de que não gosta, e descarado favoritismo relativamente aos que, por motivos que nos escapam, são os seus preferidos. A tudo isto a Direcção do ICAM deu o seu aval e cobertura, indiferente às situações de injustiça que tem estado obviamente a sancionar.
A perseguição de que o Festroia tem sido alvo foi exposta, quer através de recursos e exposições, quer pessoalmente pelo próprio Presidente da Câmara Municipal de Setúbal, à Ministra da Cultura, a qual manifestou a sua compreensão pela natureza do problema, e inclusive exprimiu a sua opinião favorável ao nosso Festival. Tais diligências não surtiram porém quaisquer efeitos, tendo em conta a aparente impunidade em que se movimenta o júri nomeado pelo ICAM.
Que todo o processo está ferido de imoralidade e ilegalidade, prova-o a reacção do ICAM à reclamação que oportunamente apresentámos, e onde desmontávamos todas as manipulações e incoerências dos argumentos que justificariam (!) a decisão final. Em face de um documento irrefutável, o ICAM, em vez de fazer o que lhe competia, que era anular o concurso e proceder à sua repetição, pelo menos em moldes diferentes, decidiu esta enormidade: mandou alterar a acta, enchendo-a de falácias, retórica e razões ridículas, e rematou com as mesmas conclusões. Ou seja: o ICAM mantém-se disposto a usar todos os recursos para manter a farsa montada pelo júri que nomeou, embora nos escapem as razões profundas desta atitude anómala que não deve ter par na administração pública.
A esta segunda acta o Festroia vai também responder, embora se trate de uma atitude inútil, pois está provado que o ICAM apenas pretende respeitar a lei do papel, mas nem sequer o lê...
Tudo isto acontece depois de o presidente do ICAM, Elísio de Oliveira, ter reconhecido – em entrevista a um jornal diário – que teria havido injustiça na apreciação do Festroia, garantindo inclusive que este ano todo o processo decorreria de forma mais séria e transparente. Como agora se conclui, não aconteceu uma coisa nem outra, apenas pela simples razão de que a Direcção do ICAM abdicou da suas próprias responsabilidades, apenas pelo facto de não querer tocar num júri que provou desde logo a sua incompetência e parcialidade.
Tal como aconteceu o ano passado, quando a Direcção do ICAM, confrontada com os erros do júri, se recusou a substituí-lo, agora, em vez de mandar repetir o concurso, eivado de disparates e marcado pelos interesses, limita-se a reformular a acta... Como situações destas só em Portugal devem acontecer, achamos que o júri da Direcção do ICAM já merece que se lhe publiquem os nomes: Isabel Alves Costa, Mário Jorge Torres, António Pascoalinho, Artur Castro Neves e Eurico de Barros.
Apesar da perseguição da Direcção do ICAM e do seu precioso júri, o Festroia leva a cabo a sua 21ª edição, de 28 de Maio a 5 de Junho. Em parte prejudicada pela falta de um apoio justo e coerente, e que apenas se deve à Direcção do ICAM, mas apesar disso com a dignidade e interesse público que temos afirmado ao longo dos últimos vinte anos." -sublinha a Direcção do Festroia.













