No FESTRÓIA - SetúbalO primeiro filme do Iraque ocupado

Por Jornal Rostos
Trata-se de “Ahlaam”, dirigido por Mohamed Al-Daradji, o qual, durante os 55 dias em que decorreram as filmagens, passou por peripécias incríveis, com ataques de ambos os lados da contenda, incluindo ataques de pilotos americanos.
Apesar da protecção garantida pela polícia iraquiana, os riscos foram constantes, e a produção viu-se forçada a escrever o seguinte apelo no solo do cenário militar propositadamente montado para as filmagens: “Caros pilotos de Apache: por favor, antes de tomarem decisões, saibam que nós não somos terroristas, somos apenas cineastas tentando reconstruir a arte e a cultura do Iraque”. Apesar disto, ao terceiro dia de trabalho um helicóptero Apache aproximou-se e começou a metralhar o local, obrigando à retirada da equipa. Só um pouco mais tarde, quando surgiu um segundo Apache, os pilotos decidiram ler o aviso, deixando finalmente em paz a equipa de filmagens.
Também não faltaram os problemas políticos, pois os autores do filme, já em fase de conclusão, foram suspeitos de querer fazer propaganda contra a coligação. O problema só foi ultrapassado quando o embaixador e o ministro dos Negócios Estrangeiros da Holanda intervieram junto do departamento de estado norte-americano.
É o resultado desta odisseia cinematográfica que o Festroia vai apresentar em competição na sua 22ª edição, como um exemplo de que as ameaças e os riscos nem sempre conseguem vencer a luta pela cultura. Resta dizer que o filme, que está a fazer um circuito impressionante de festivais por todo o mundo, se baseia na história de três internados de um hospital de doenças mentais em Bagdad. Muito a propósito, por certo, no país em que se tornou o Iraque.













