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Moldura

No Barreiro – Galeria MunicipalExposição de Luís Ferreira da Luz
”Verdades Coloridas”

No Barreiro, na Galeria Municipal da Cidade, de 5 de Agosto a 3 de Setembro de 2006,
Integrada nas festas da Cidade, vai estar patente ao público uma exposição de Luís Ferreira da Luz, tendo como tema :”Verdades Coloridas”

5 min de leitura
No Barreiro – Galeria Municipal Exposição de Luís Ferreira da Luz ”Verdades Coloridas”

Por Jornal Rostos

Nesta exposição vão estar em exibição aproximadamente trinta obras em acrílico sobre tela.
A Galeria Municipal do Barreiro funciona no antigo Tribunal, na Avenida Alfredo da Silva, nº 15.

Luís Ferreira da Luz
Alguns dados biográficos

Nasceu no Barreiro, em 8 de Fevereiro de 1951, no centro de um Barreiro substancialmente diferente do actual. Frequentou o Curso de Pintura da Escola Superior de Belas Artes de Lisboa entre 1971 e 1972.

Realizou as suas primeiras exposições em 1971, no Estoril, Salão de Outono da Costa do Sol e no Barreiro a convite da Câmara Municipal, na Sociedade Democrática União Barreirense – Os Franceses.

Profissional de desenho técnico, desenvolve intervenções activas suportadas por uma profunda e permanente motivação para a aprendizagem em diversas vertentes da Arte e Cultura como a pintura, música, artes gráficas, fotografia, arquitectura, vídeo e foto jornalismo. Alargou também a sua actividade à produção gráfica para entidades oficiais e privadas na área do Turismo e promoção de imagem.

Nas últimas três décadas tem apresentado com regularidade a sua obra nestas diferentes disciplinas e o seu trabalho está representado em diversas colecções particulares e instituições.

Com o objectivo de preservar e auxiliar a construção da memória colectiva do Barreiro produziu e mantém “on line” o site artbarreiro.com

Recentes Exposições:

2001
Cineclube do Barreiro. Colectiva 4 Pintores Barreiro.

2004
Cibercafé Galeria. Individual, Serpa.

2005
Galeria Ler Devagar. Individual, Lisboa
Barreiro, Galeria Municipal. Individual, Barreiro
Exporádico, colectiva. Alhos Vedros.
CCPB. Colectiva, Barreiro

ferreiradaluz@artbarreiro.com

Texto do Catálogo por PAULO SANTIAGO

MEMÒRIA FÁCIL

Nem conhecedor, nem amador, nem iniciado. Honrado pelo convite. Apenas. Um convite é quando nos pedem presença. E cá estou. Presente.
Convidou-me o amigo a algumas palavras. Coisas sobre o seu trabalho aos olhos dos outros. Sobre imagens sólidas que, no refúgio dos dias todos, me lembram a máxima de Georges Braque “o quadro está acabado quando apaga a ideia que o motivou”.

São estas as coisas que tenho para dizer sobre sentir. É só de sentir que aqui posso falar. De como soube da ideia, a vi evoluir e aventurar-se por caminhos dispersos para se tornar no quadro acabado. Ou de como uma opinião dá voltas no peito até tomar forma exterior e se coíbe de, nas voltas pensadas do outro, determinar caminhos ou desvendar os atalhos próprios, atrevidos, inúteis, do meu olhar.

“Gostas ?” … “O que é que achas ?”. E lá disparam os olhos ao mais fundo pormenor, lá balança o corpo, passo atrás à frente, mão fechada e dedo indicador a esfregar o queixo. Lá olho e vejo, viajo, baralho tudo o que sinto e aquilo que conheço do amigo para lhe dizer onde me encontro com os sítios que ele diz na tela ou as cores que ele fez do mundo, ou nada disso, ou tudo junto. Tenho dias.

Uma coisa é certa, revisitar estas entidades nas paredes da galeria é como reencontrar crianças crescidas. Como os corpos que esticaram e foram tantas coisas antes de serem corpos, que rasgaram mais os olhos e já têm vida própria, cresceram. Alguns, a última vez que vi eram ainda … uma ideia. Outros impuseram-se na minha memória para se afirmar acabados, prontos, para sempre. Fácil.

Julgo que é isso que assusta e faz vacilar o amigo nesse tortuoso caminho de dar novas qualidades às cidades com casas e ruas e homens e cor e verdade própria. O para sempre, esse point of no return, o quadro acabado, enquanto responsabilidade vista de um espelho carregado de faces, é que dói. Com todas as partilhas que representa e as pequenas tristezas alegres que fazem o lastro da saudade. Contam o que são e depois saem de casa. Cheios de vida.

É muito bom reencontrá-los, enérgicos, brilhantes, já sonhos feitos. Apenas isso. Outras palavras ou apreciações que, concerteza, brilhariam elevadas seriam “soluções de facilidade”. E, cá entre nós, a emoção é a melhor forma de juízo.

Paulo Santiago/ Julho 2006

“À questão de saber se se devem ou não fazer comparações quando se observam diferentes obras de arte gostaríamos de dar a resposta que se segue. O conhecedor que tem formação adequada deve comparar: a ideia paira à sua frente, apreendeu o conceito relativo ao que pode e ao que deve ser produzido. O amador, que é apanhado ainda no trajecto da sua formação, só tem a ganhar se não fizer comparações e se observar em separado cada realização: é assim que o seu gosto e o seu sentido do geral se irão formando a pouco e pouco. Quanto à comparação levada a cabo pelo não iniciado é apenas uma solução de facilidade que dispensa qualquer juízo.”

Johann Wolfgang von Goethe

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