Debate em SetúbalDespenalização das drogas é um tema que divide as juventudes partidárias

Por Jornal Rostos
“Despenalização das drogas, sim ou não?” foi o título desta sessão das Conversas do 2.º Balcão, realizada, no Art Kafé, no âmbito do programa municipal m@rço.28, que juntou membros das juventudes Comunista, Socialista, Social-Democrata e Popular, bem como com Célia Santos, do IDT.
António Gomes, da JS, o primeiro interlocutor, deu como exemplo a realidade holandesa, onde as drogas leves estão liberalizadas, e salientou o “baixo consumo de drogas pesadas” naquele país.
Para a JS a despenalização “não é o caminho desejável mas é o caminho”.
Desidério Santos, da JSD, contrapôs sublinhando que a “Holanda já está a pensar no retorno da lei, uma vez que o consumo das drogas leves tem subido em flecha”.
Em Portugal, acrescentou o jovem social-democrata, “ainda não há condições para a liberalização das drogas leves”.
A posição da JCP é a defesa da despenalização do consumo – o que existe actualmente – afirmou Elísio Sousa. Para esta juventude partidária o toxicodependente é um doente e deve “ser tratado como tal e não como um criminoso”.
Posição contrária têm os jovens comunistas em relação à liberalização das drogas e do mercado paralelo. “Aqui não defendemos porque entendemos que potencia o consumo de drogas”, acrescentou Elísio Sousa.
Uma postura, curiosamente, semelhante à da Juventude Popular para quem, salientou Francisco Soromenho Marques, a pessoa humana está em primeiro lugar e portanto a posição é “negativa para a despenalização ou liberalização das drogas”.
A droga, continuou, “é contra a dignidade humana e em momento algum o Estado pode ter compreensão para com o tráfico”. Francisco Soromenho Marques explicou que para a JP há que separar consumidores, “um fenómeno social negativo que deve ser combatido pela prevenção”, e traficantes, “que ganham dinheiro à conta da desgraça de outras pessoas”.
O representante da Juventude Popular foi mais longe e afirmou mesmo que, apesar de considerar a toxicodependência uma doença, “numa lógica de gestão dos recursos na área da saúde há que dar prioridade a doentes de outro tipo”.
Célia Santos, técnica do Instituto da Droga e da Toxicodependência, explicou que a catalogação entre drogas leves e duras não pode ser feita de forma ténue. “Além de não haver consenso na comunidade científica sobre o que são umas e outras, o certo é que um ‘charro’ pode provocar efeitos completamente diferentes numa e noutra pessoa.”
Respostas integradas e integradoras são o caminho a seguir para aquela responsável do IDT, que acredita numa intervenção concertada. “Se conseguirmos prevenir podemos reduzir o número de dependentes. Mas as pessoas adictas têm de ser tratadas, integradas e reinseridas”, indicou.
A técnica do Instituto da Droga e da Toxicodependência acredita que a chave está na prevenção, que tem sido a “grande aposta do IDT”.
Nas intervenções do público as opiniões dividiram-se. Para uns a despenalização seria o ideal para outros os contribuintes não devem ter de pagar o tratamento dos toxicodependentes.
Na intervenção de um ex-emigrante na Holanda, a liberalização das drogas canabinóides devia ser uma realidade. Já para outra munícipe não faz sentido despenalizar o consumo e muito menos contribuir com impostos para o tratamento de toxicodependentes quando ela por exemplo como fumadora é penalizada por fumar em determinados sítios.
“Mulher na Arte” é o tema da próxima “Conversas do 2.º Balcão”. A sessão decorre no dia 20, às 21h30, no Fórum Municipal Luísa Todi.













