Apresentado em SetúbalEstudo aos Modos de Vida da População dos Bairros da Bela Vista
A iniciativa, promovida pelo Observatório da Bela Vista, que reúne todas as instituições que intervêm na Bela Vista, tem como objectivo principal divulgar aquele estudo e, acrescentou o vereador Eusébio Candeias, na sessão de abertura, “identificar e debater os desafios que influenciam a qualidade de vida da população da Bela Vista”.

Por Jornal Rostos
O Estudo, realizado no âmbito das acções imateriais do programa de requalificação urbana Proqual é, continuou o autarca, um “instrumento fundamental para a existência do Observatório da Bela Vista”.
Eusébio Candeias destacou que a necessidade de intervir de forma concertada, actuando em rede e aprofundando a cooperação entre instituições, é essencial no contributo para a contínua melhoria das condições de vida da comunidade da zona da Bela Vista.
“Sei que não é um trabalho fácil, nem de rápido reconhecimento. Muitos dos seus resultados só serão reconhecidos a longo prazo. No entanto, acredito no esforço e na entrega dos que, no seu dia-a-dia, se empenham na construção de uma sociedade mais coesa”, sublinhou.
O vereador afirmou, ainda que a Autarquia tem um “olhar específico” para a área da Bela Vista, que se “consubstancia na intervenção de serviços municipais como o Gabinete da Bela Vista, a afectação de recursos ou candidaturas como o programa Prohabita, a valorização de equipamentos como o Parque Verde da Bela Vista ou, ainda mais recentemente, a assinatura do Contrato Local de Desenvolvimento Social”.
Um breve resumo do “Estudo aos Modos de Vida da População dos Bairros da Bela Vista” foi apresentado por José Miguel Nogueira, o responsável pela equipa científica que produziu o documento com mais de duas centenas de páginas. A Rui Nicola, outro dos autores do Estudo, coube a apresentação estatística de dados referentes à população daqueles bairros.
O Estudo teve por base duas etapas que integraram outros tantos inquéritos na Bela Vista, um às famílias e outro aos jovens entre os 9 e os 18 anos de idade.
Os dados recolhidos foram relacionados com outros estudos e fontes a nível nacional como o Instituto Nacional de Estatística ou a Segurança Social, para, afirmou José Nogueira, “percebermos afinal se a intensidade dos fenómenos da Bela Vista eram assim tão diferentes daqueles que existem em Portugal”.
Uma taxa de pobreza de mais de 50 por cento e a de emprego menor que a da média nacional são dois dos pontos negativos apontados no Estudo. No entanto, garante o responsável máximo pelo documento, “foram, também, apuradas muitas potencialidades, como o nível de habilitações literárias das gerações mais novas, que tem vindo a aumentar”.
A violência, acrescenta José Nogueira, “está confinada a uma percentagem reduzida” de pessoas. “No entanto aqueles que a praticam, fazem-no de forma recorrente, criando uma imagem negativa do bairro para o exterior.”
Há, no entanto alguma negligência no que respeita à sexualidade. “Um terço dos jovens não usa preservativo e 16 por cento das raparigas que tiveram relações sexuais usou a pílula do dia seguinte. Mas se compararmos estes dados com outros a nível nacional não encontramos grande discrepância”, sublinha.
Dos inquiridos, a maior parte avalia positivamente o trabalho das instituições que intervêm na Bela Vista e gosta de viver no bairro por causa da vizinhança, mas refere que lhes desagrada a má imagem que o território tem no exterior.
Estes são apenas alguns dados apresentados hoje no encontro promovido pelo Observatório Social da Bela Vista, que integra três painéis de debate, um deles realizado de manhã, outro que decorre durante a tarde e o último amanhã de manhã.
“O papel das instituições: inovação, complementaridade e os desafios futuros” é o tema do painel da tarde de hoje, em que decorrem, em paralelo, workshops. Para amanhã fica reservada uma “Reflexão sobre o Observatório Social e Pistas de Intervenção”.













