Reforma Agrária animou debate em SetúbalRetrocesso na Reforma Agrária começou com a luta do 1.º Governo Constitucional contra as cooperativas
O ex-deputado do PCP falava no átrio junto do bar do Fórum Municipal Luísa Todi, onde decorreu a última sessão do ciclo das “Conversas do 2.º Balcão” dedicado ao antes e pós 25 de Abril.

Por Jornal Rostos
Américo Leal, que também fez parte da comissão para as questões da agricultura na Assembleia da República, falou sobre a distribuição e ocupação da terra. “Há muito tempo que as terras, nomeadamente as do Sul, estão nas mãos de cinco ou seis feudais. Esta foi a situação que encontrámos no 25 de Abril.”
O orador falou, também, do abandono de terras que se verificou na década de 40 por parte dos latifundiários e do início das cooperativas que nasceram da ocupação daquelas terras.
O principal retrocesso na Reforma Agrária, acrescentou, “começa logo com a luta do 1.º Governo Constitucional contra as cooperativas”.
Américo Leal lembrou um dos vários episódios em que se fez sentir a ofensiva e mesmo a repressão governamental exercida sobre os trabalhadores. “Em Montemor-o-Novo há o caso de trabalhadores de uma cooperativa que pretendiam recolher frutos e são impedidos pelas autoridades.”
O Governo também ia fazendo a sua parte, sublinhou o militante antifascista, “retirando, por exemplo, a cortiça às cooperativas”.
Mas as ofensivas do Governo não terminavam ali, continuou, “a repressão acentuava-se e as melhores terras e instalações começaram a ser entregues aos agrários”.
Américo Leal tem pena de hoje as grandes herdades, em perímetros de água, estarem a ser adquiridas pelos espanhóis. “Numa delas está a ser plantado o maior olival do mundo, com cerca de 20 mil hectares.”
Na sessão foi exibido o filme “Torre Bela” que aborda a ocupação de uma herdade na zona da Azambuja.
Foto : CMS













