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Na Casa Bocage em SetúbalRuben de Carvalho falou nas “Conversas Com…” sobre Fado

Setúbal teve, no início do século XX, um semanário dedicado ao fado, lembrou Ruben de Carvalho, ontem à noite, na Casa Bocage, numa sessão integrada no “Mês da Música”.

Ruben de Carvalho, que falava na primeira das “Conversas Com…”, iniciativa da Câmara Municipal, salientou que as publicações do género – também em Lisboa as havia – foram precursoras da imprensa desportiva em Portugal, pois, a par da crítica e de notícias sobre o fado, inseriam informação desportiva.

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Na Casa Bocage em Setúbal Ruben de Carvalho falou nas “Conversas Com…” sobre Fado

Por Jornal Rostos

“O Fadinho”, que funcionava no 3.º andar do número 32 da Travessa da Alfândega, tinha como director – igualmente, proprietário – José Carlos Rates, “jovem de 20 anos, dirigente anarco-sindicalista, que veio a ser o primeiro secretário-geral do Partido Comunista Português e, posteriormente, aderiu ao Estado Novo”, sublinhou o orador

A ligação de Setúbal ao fado, defendeu Ruben de Carvalho, deve-se à existência de um porto, a exemplo do que acontece com Lisboa, no seguimento, aliás, do que ocorreu, no final do século XIX e no princípio do século XX, um pouco por todo o mundo, com outros géneros de música miscigenada por culturas.

Para Ruben de Carvalho, nas cidades portuárias – em ambientes feitos de “vida transitória, álcool, sedução, dança, cantares, alegria, mesmo que construída em cima de lágrimas” – a música “acaba por ser uma mistura de línguas e ritmos”, transformando-as em “cadinhos de fenómenos culturais”.

No caso do fado, associou a origem à ida, em 1815, da corte portuguesa – com uma população, recordou, de, sensivelmente, 15 mil pessoas – para o Brasil.

Essa população, de uma forma ou de outra, cruzou-se com os escravos idos de Angola e do Congo, principalmente para a Baía e para o Rio de Janeiro.

Cinco anos depois, muitos dos portugueses que, vindos do Brasil, se fixaram em Portugal, traziam, frisou, além de escravos, hábitos diferentes.

Por isso, disse, o filho da duquesa não era já embalado ao som das cantigas de uns anos antes, mas pelas da ama escrava ou da que, sendo branca, crescera, ou até, nascera, no Brasil e ganhara costumes diferentes, incluindo o das cantigas.

O orador frisou ter sido apenas na “segunda metade do século XIX que começou a aparecer um tipo de expressão musical com influências afro-americana e portuguesa”.

Mas, garantiu, é no final dos anos 20 e no início da década seguinte que o fado “começa a estruturar-se e a haver um critério de selecção”.

Ruben de Carvalho não tem dúvida de que quatro pessoas marcaram uma nova época do fado: Armandinho, na guitarra; Martinho da Assunção, na viola; e Marceneiro e Amália, como cantadores.

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