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SesimbraArte Xávega regressa às praias da vila em Maio

Entre Maio e Outubro, a Arte Xávega está de regresso às praias do Ouro e da Califórnia, na baía de Sesimbra. A autorização foi concedida pelo Parque Natural da Arrábida às embarcações 25 de Abril, Paulo e Henrique e Galinho da Manhã.

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Sesimbra Arte Xávega regressa às praias da vila em Maio

Por Jornal Rostos

Os três barcos podem assim desenvolver esta actividade num contexto turístico-cultural, ao abrigo do protocolo celebrado em Abril de 2006 entre a Câmara Municipal de Sesimbra e os proprietários das artes. A actividade pode ser exercida na Praia do Ouro, às segundas, sábados e domingos, e na Praia da Califórnia, às segundas, quintas e sábados, das 6 às 9 horas e das 19 às 21 horas. Utilizada em toda a costa portuguesa, a Arte Xávega é uma tradição milenar que consiste numa pesca em cerco, na qual as redes são puxadas a partir da praia por várias pessoas distribuídas por dois cabos. Em Sesimbra os pescadores costumam recompensar a ajuda dos turistas com um quinhão da pescaria.

A Arte Xávega em Sesimbra

Os meses de Verão, por serem usualmente períodos do ano em que a agitação marítima é menos frequente, são propícios ao uso de uma das mais tradicionais artes de pesca que podem encontrar-se nas praias do concelho, a Arte Xávega. Esta tradição milenar, (do árabe xabakâ, rede de pesca), foi utilizada em toda a costa portuguesa e antecipou-se a muitas outras que lhe sobrevieram. Na vila de Sesimbra é conhecida por “artes do Caneiro”, por ter sido tradicionalmente usada na zona da baía com esse nome, cujo fundo arenoso lhe é favorável e permite o arrasto sem que as redes fiquem presas no fundo.

É, porém, na praia do Moinho de Baixo que a Xávega tem maior expressão, mantendo-se viva pela actividade de pessoas que vêem nesta arte de pesca uma fonte de sustento complementar. A Xávega pode assumir duas modalidades: de arrastar para terra ou de arrastar para bordo. Na primeira, o barco que transporta a rede sai de um local específico na praia, onde fica fixo um dos cabos da rede e, num movimento circular, deixa-a ao largo, trazendo então para terra o outro cabo. Na segunda, as redes são aladas para dentro dos barcos que as levavam para o mar. Apesar de todo o trabalho envolvido, o sistema de pesca é simples.

A Xávega possui um saco de rede, cuja boca se prolonga para um e outro lado, ao longo de extensas mangas ou alares de rede, diminuindo a sua altura para as extremidades cujo comprimento é, em média, de cerca de seis vezes o comprimento total do saco. Os cabos de alagem são amarrados no extremo destas mangas. Uma vez largada, a rede assenta no fundo, mantendo a sua verticalidade mediante bóias e pesos de chumbo, conservando-se assim aberta a boca do saco. Este tipo de pesca conserva ainda hoje uma particularidade que tem a sua origem num costume antigo, assente no facto de ser aceite pela companha de pesca a ajuda de quaisquer pessoas que desejem participar, tendo estas também um quinhão da pescaria. Maquetas representativas desta arte de pesca, que caracterizam a essência da vida comunitária em Sesimbra, podem ser observadas no Núcleo Museológico do Mar do Museu Municipal.

Foto CMS

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