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Academia Problemática e Obscura de SetúbalRecebe tertúlia “A 4.ª República com ou sem partidos?”

Hoje, dia 15 de Maio, realiza-se pelas 21h30, na Academia Problemática e Obscura de Setúbal realiza uma tertúlia sob o tema: “Conversas Alternativas sobre a Modernidade. A 4.ª República com ou sem partidos?", com António Luz e Luís Humberto Teixeira.

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Academia Problemática e Obscura de Setúbal Recebe tertúlia “A 4.ª República com ou sem partidos?”

Por Jornal Rostos

Luís teixeira nasceu em 1977. É setubalense. Licenciado em Comunicação Social está a concluir o mestrado em Ciência Política com a dissertação - Os partidos Verdes em Portugal. É autor de "Reciclemos o Sistema eleitoral". Jornalista, é ainda membro do Festróia.

António Luz foi membro activo do Movimento dos Capitães, mais tarde MFA, assumindo neles funções e tarefas de responsabilidade, desde a sua origem até ao dia 25 de Novembro de 1975, no decorrer dos quais se podem referir alguns episódios marcantes:

I – Após a reunião de Évora (Monte Sobral) de 1973, que marcou o início “formal” do Movimento dos Capitães, juntamente com os então capitães Lobato Faria, Vasco Lourenço, Mariz Fernandes e Clementino Paes, integrou a delegação nomeada naquele plenário para proceder à entrega, aos então Presidente da República (Américo Thomaz) e Presidente do Conselho de Ministros (Marcelo Caetano) do 1º documento formal do Movimento, redigido na citada reunião, onde constavam as revindicações (ainda corporativas) do Movimento dos Capitães, acabado de nascer.

II – Como membro da Estrutura de Ligação, além de ter participado em praticamente todas as reuniões e decisões da estrutura central de decisão do Movimento (Comissão Coordenadora), coube-lhe, a tarefa de estabelecer em permanência as ligações entre essa estrutura e os camaradas que prestavam serviço nas unidades militares do Exército do sul do país (Distritos de Setúbal, Portalegre, Évora, Beja e Faro), levando e trazendo informações e conquistando adesões. Outros camaradas fariam o mesmo nas outras regiões do país e nas Colónias.

III – Ao longo dos anos de 1973 e até Abril de 1974, tomou parte activa em todos os episódios que hoje fazem parte da história desse período.

IV – Na preparação próxima propriamente dita, para a acção militar do 25 de Abril (noite de 23 para 24 de Abril), após ter recebido das mãos do Major Otelo, no Parque Eduardo VII, as Ordens de Operações para a acção militar, deslocou-se às Unidades Militares do Sul do país onde havia montado as estruturas de ligação e que iriam daí a algumas horas sublevar-se a fim de tomar parte nas operações militares para o derrube do poder fascista [Escola Prática de Artilharia (Vendas Novas), Guarnição Militar de Évora, Regimento de Cavalaria de Estremoz, Regimento de Infantaria de Beja e Centro de Instrução de Condução Auto nº 5 (Lagos)], onde procedeu à sua distribuição pelos delegados do MFA. Outros camaradas procederam a idêntica missão nas Regiões Centro, Norte e Lisboa (capitães Sousa e Castro, Torres, Candeias Valente e Major Arruda).

V – Na acção concreta do 25 de Abril, uma vez que estava destacado numa unidade militar de ensino (EMEL - Escola Militar de Electromecânica, em Paço de Arcos), onde frequentava um curso de electrónica e computadores e portanto não tinha na altura quaisquer tropas sob o seu comando, integrou o staff do Posto de Comando de Alternativa (CAL1), cuja missão era assumir o comando das operações, caso o Posto de Comando Central das Operações (situado na Pontinha – Regimento de Engenharia nº1) fosse destruído. Entretanto, como tal não veio a acontecer, foi-lhe dada como missão, garantir a coordenação e a ligação pessoal, entre o Posto de Comando e as unidades militares que iam conquistando os objectivos que lhes estavam atribuídos em Lisboa. Desta forma, para além de ter tido um sem número de outras actuações normais em quaisquer operações militares, estabeleceu essas tarefas de ligação e coordenação nos vários locais onde se desenrolaram as principais acções militares, nomeadamente: no Aeroporto de Lisboa, junto ao Capitão Costa Martins que assumiu o seu controle e às Tropas da Escola Prática de Infantaria (comandadas pelos Capitães Silvério e Rui Rodrigues), que tomaram o aeroporto e lhe deram a necessária protecção militar; na RTP, com as tropas da Escola Prática de Administração Militar (comandadas pelo Capitão Teófilo Bento); no Rádio Clube Português e no Comando da Logística com as Tropas do BC 5 (comandadas pelo Major Fontão); finalmente, no Largo do Carmo, onde permaneceu ao longo de todo o desenrolar desta acção decisiva, actuando como elemento de coordenação e elo de ligação pessoal entre o Comando da Pontinha e as tropas da Escola Prática de Cavalaria, comandadas por Salgueiro Maia. Foi aqui que se deu o acto definitivo de rendição do Governo, do Presidente do Conselho e a queda do regime e da ditadura fascista.

VI – No período posterior ao 25 de Abril, participou activamente em todos os acontecimentos e decisões políticas e militares que se foram desenrolando. Nos primeiros tempos, após ter dada por finda a sua missão junto da estrutura central de decisão que funcionou nos primeiros tempos na antiga Secretaria de Estado da Defesa Nacional (Av. Infante Santo - Cova da Moura), regressou à sua unidade CIAAC – Cascais, onde foi delegado do MFA e onde continuou a tomar parte activa em todos os principais acontecimentos políticos e militares que nessa altura se iam desenrolando (campanhas de dinamização, intervenção junto das estruturas populares, económicas, autárquicas e políticas, 28 de Setembro, 11 de Março, etc.). Como membro da Assembleia de MFA, tomou parte em todos os episódios do período que ficou conhecido como PREC. Após o 11 de Março de 1975, foi destacado para o Comando do Forte de Almada, unidade militar mista de Infantaria e Artilharia pertencente ao COPCON. Esta unidade militar, para além de estar implantada no coração da então chamada Cintura Industrial de Lisboa, o mais importante bastião de resistência operária e popular à ditadura e ao fascismo, tinha uma fundamental importância militar, táctica e estratégica, dado o seu domínio táctico e de fogos sobre toda a região de Lisboa. Durante a sua permanência no comando do Forte de Almada, esta unidade militar tomou uma parte muito activa em todos os acontecimentos políticos e militares que se sucederam a ritmo vertiginoso em todo o país e com especial relevância nesta margem sul do Tejo, acontecimentos esses que caracterizaram um intenso e fascinante período da nossa história que passou à posteridade com o nome de PREC.
VII – A sua participação “formal” no MFA, cessou em 25 de Novembro de 1975, data em que foi preso e afastado do comando do Forte de Almada (Unidade Militar que foi de imediato extinta…) e de todas as estruturas do Movimento, sendo-lhe de imediato impostas as sanções (semelhantes às, hoje denominadas, medidas de segurança) de “Suspensão de Funções” e “Proibição de entrada em qualquer unidade militar”, que duraram cinco anos. Para além de um sem número de outras “Infracções Disciplinares” (que se traduziram de imediato nas sanções atrás descritas), foi acusado de numerosos crimes, como os de: sedição militar, revolta contra as chefias militares e contra a ordem legal vigente e outros a que correspondiam penas mínimas de dezassete e mais anos de prisão. Os processos decorreram durante cerca de 5 anos e, apesar de, juntamente com outros camaradas na mesma situação, ter requerido o seu julgamento, foi-lhe “imposta”, pelo regime surgido após o 25 de Novembro, uma amnistia, que lhe impediu, a si (e aos seus camaradas), a sua defesa pública e ao povo português, o conhecimento da verdade histórica. Ficou para a história a versão dos “vencedores”, que se encarregaram das “nobres” tarefas de retocar as fotografias, coisas “normais” desta democracia. No campo “administrativo – disciplinar”, em meados de 1980, foi julgado e absolvido, em Conselho Superior de Disciplina, das acusações de “Crimes” contra a “Honra e Dignidade Militares”, o mesmo acontecendo a todos os outros 22 oficiais do Exército, nas mesmas circunstâncias (como por exemplo, Otelo Saraiva de Carvalho, Mário Tomé, Dinis de Almeida, Matos Gomes, Andrade da Silva e outros). Felizmente, mais de 30 anos depois, as vaidades de alguns dos vencedores, o arrependimento de outros e as muitas querelas entre eles (por insatisfação com o saque e por outras razões), começa a levá-los a admitir o que antes era inadmissível e a verdade vai rompendo caminho por entre a escuridão. Após aquele julgamento foi reintegrado em funções, retomando formalmente todos os seus direitos. Claro que esse formalismo, apenas significou que, na realidade, o novo regime lhe coarctou, “democraticamente” e em definitivo, qualquer possibilidade de assumir cargos ou lugares destacados de liderança militar, dado o seu passado de “criminoso político” (embora absolvido e amnistiado por esse mesmo regime…). Restou-lhe a consolação de constatar que o mesmo aconteceu a alguns dos vencedores do 25 de Novembro (Roma nunca pagou aos traidores e, quando o fez, só muito tarde, ou a título póstumo…). Terminou, a seu pedido, a carreira militar, em 2000. Tinha nessa altura a patente de Coronel.

3 – Sócio fundador e sempre activo da Associação 25 de Abril (A25A). Integrou a direcção da Delegação do Alentejo da A25A. Integra a comissão instaladora da Delegação do Algarve da A25A.

4 – Participante activo em vários movimentos cívicos nacionais e internacionais, como a Amnistia Internacional.

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