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Moldura

BOM - Barreiro Outras Músicas 2009Uma aposta forte na música emergente portuguesa

. No Auditório Municipal Augusto Cabrita : presença de «Carminho», «Os Golpes», «Sean Riley», «Tó Trips», «B Fachada» e «Fast Eddie»

Barreiro Outras Músicas regressa em 2009 com uma aposta forte na música emergente portuguesa. Nomes cada vez mais reconhecidos cuja importância na cultura popular contemporânea lhes emprega o estatuto de incontornáveis e cujo trabalho urge ser conhecido e celebrado.

7 min de leitura
BOM - Barreiro Outras Músicas 2009 Uma aposta forte na música emergente portuguesa

Por Jornal Rostos

Dia 17 de Setembro
21.30

Fast Eddie & The Riverside Monkeys

Há já muito tempo que Barreiro é sinónimo de rock! Fast Eddie Nelson pode considerar-se um dos personagens iconográficos desse espírito. Conhecido como ritmo pulsante dos catastróficos Los Santeros e com passagens assinaladas noutros projectos mais ou menos ocasos que acompanham a editora Hey Pachuco, como Big River Johnsons, Marabunta ou Blues Fever Band. Neste trio explora o psicadelismo, o blues, o rocknroll, bem regados a suor e conduzidos pela sua guitarra de inspiração “Hendrixiana”.
Todo e qualquer concerto de Fast Eddie com os seus The Riverside Monkeys é uma saborosa viagem por alguns dos maiores adventos do Rock.
"Um misto explosivo de blues cavernoso e guitarradas 70´s que recentemente ganhou forma física através do disco Baptize me in wine." Nuno Afonso, Mescla Sonora

Tó Trips

É um daqueles nomes que se tornaram absolutamente basilares no percurso da música marginal dos últimos 25 anos. Incorporou os Santa Maria, Gasolina em Teu Ventre, que nos anos 80 foram um dos mais vibrantes e desafiantes nomes da primeira grande vaga do rock português; mais tarde encabeçou os Lulu Blind, que acompanharam a ascensão do rock indie dos anos 90, e, já no início da presente década, surpreendeu toda a gente com mais uma prova da sua imensa criatividade dando voz aos Dead Combo, juntamente com Pedro Gonçalves. Este duo que já marcou presença no BOM, e que dispensa apresentações, reflecte a impressão digital de Tó Trips na abordagem à guitarra, de inspiração forte no mestre Paredes, com paragens obrigatória na Argentina, em Cuba ou na América perdida dos anos 40/50. Recentemente apresenta-nos o primeiro disco a solo intitulado Guitarra 66, um disco de exploração das linguagens que vem abordando, às quais acrescenta uma economia de recursos e uma abordagem mais livre e espontânea que só a experiência a solo pode proporcionar.
"Guitarra 66 parece uma obra reverencial, respeitosa de certas tradições e personalidades (a guitarra portuguesa ou Carlos Paredes) e é-o até certo ponto; depois do ouvido a abraçar de novo, porém, percebem-se pequenos desvios, dobras, fissuras (em “I Love Your Air”, mas também em “Electric Marrakesh” ou Old Times on the Balcony Jack”) que o levam para outros lugares." José Marmelira, Time Out

Dia 18 de Setembro
21.30

Sean Riley

Traz-nos o seu segundo disco Only Time Will Tell. Após umas estreia auspiciosa com Farewell, e uma longa tour que o levou a locais como Festival de Paredes de Coura, Festival Para Gente Sentada, ou Aula Magna e a partilhar o palco com nomes como Aimee Mann, José Gonzalez, Nina Nastasia ou Violent Femme.
Only Time Will Tell pretende ser um passo em frente na carreira de Sean Rilley. A fórmula encontrada mistura o rock de carácter soturno de balanço bluesy e toada gospel apresentando neste novo disco um claro avanço no sentido da afirmação de Sean Rilley como um dos grandes nomes do panorama rock nacional."...Mas às 22h somos conduzidos para o Texas, via Coimbra.
É daí que é Sean Riley e os membros do seu grupo, os Slowriders, que lançaram este ano o segundo álbum "Only Time Will Tell". Às vezes é a América bucólica e profunda que é evocada, por entre guitarras melódicas e o suave embalo dos teclados. Outras vezes, há mais electricidade e nervo, mas nada que retire o estabilidade a uma formação que reitera a tradição da música popular americana com confiança e à vontade..." Vitor Belanciano, Público

Os Golpes

“Os Golpes são uma espécie de aldeia de xisto onde não faltam arranha-céus. Sabem de cor os engarrafamentos na hora de ponta e o passo arrastado do velho pároco nas procissões da vila. Apresentam Cruz Vermelha Sobre Fundo Branco, o seu primeiro disco. O fervilhar do “Roque Português” de tempos idos está lá todo. Mas desenganem-se os profetas da desgraça, do terrorismo-revivalismo, do rebanho de antanho: Os Golpes não são do passado.“ (Excerto do texto de apresentação da banda por Samuel Úria, Setembro de 2008)
"Saltitam entre largos de vila e ruas repletas de montras na cidade e, no movimento, afirmam pertencer a uma e à outra. Mostram inegável apreço pela pop portuguesa de 1980 (Heróis do Mar à cabeça), mas não pretendem recriar um som, antes recuperar uma atitude criativa, uma certa sensação de euforia" Mário Lopes, Ípsilon

Dia 19 de Setembro
21.30

Carminho

Carminho tem um percurso desde sempre ligado ao Fado, quer através de sua mãe, a fadista Teresa Siqueira, quer através da ligação forte à noite de fado lisboeta. Iniciou-se com uma estreia auspiciosa no Coliseu de Lisboa, mais tarde desenvolveu a sua arte actuando em locais como Taverna do Embuçado ou Mesa de Frades. "Tive aí grandes mestres: a minha mãe, claro, mas também Beatriz da Conceição – com quem aprendi imenso -, Fernanda Maria, Alcindo Carvalho, Paquito, Fontes Rocha, memórias vivas da verdadeira essência do fado.“
Como sequência deste processo de amadurecimento e conhecimento da sua arte, chega-nos o seu disco de estreia, intitulado “Fado”. Disco que ajuda a afirmar Carminho como um dos nomes indispensáveis na nova geração de fadistas que acompanha o revigorado interesse pelo género neste início de novo século. O largo interesse e destaque que a imprensa lhe tem dedicado, torna clara a importância e vitalidade do seu trabalho.
"Ela tem o dom de ir buscar o passado e trazê-lo para o futuro". Não podia haver melhor elogiador: a frase é de Camané, fadista de eleição e, mais importante ainda, supremo conhecedor da história do fado. Foi Camané quem nos falou primeiro de Carminho, estava ela a dar os primeiros passos na casa de fados Mesa de Frades, há dois anos. Foi o primeiro de uma lista de fãs que engloba Carlos do Carmo, Tiago Bettencourt e o cineasta João Botelho, todos, entre outros, habituais clientes das noites de segunda e quarta na Mesa de Frades. O que é que eles vêm nela? Uma estranha mistura de seda com vísceras. " João Bonifácio, Ípsilon

b fachada

Emergiu de entre uma nova vaga de músicos portugueses que cruza de forma descarada referências lusas com as grandes referências da música popular de raiz anglo-saxónica. B Fachada afirma a sua escrita de canções em português plena de criatividade sublime, como há muito não se reconhecia de entre os demais. Deu os primeiros passos na Merzbau, afirmou o seu talento com dois discos recentes na Florcaveira, Viola Braguesa e Um Fim De Semana no Pónei Dourado, ambos amplamente referenciados pela imprensa mais atenta e reconhecidos pelo público.
Escreve Samuel Úria sobre o autor; “Alguém que se julga um povo não pode estar bom da cabeça. Eu não sei o que é que o b fachada se julga, mas lá que se etnografa a si próprio, etnografa. Giacomette-se consigo mesmo, não pode estar bom da cabeça. Graças a Deus.”
"Com as sete músicas de "Viola Braguesa", b fachada concretiza aquilo que, em crescendo, prenunciara nas três edições anteriores. Tradicional ou não, é um grande escritor de canções. Um finíssimo artesão." Mário Lopes, Ípsilon

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