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Moldura

II Feira de Outono - SetúbalProdutos regionais no Moinho de Maré da Mourisca

Carregadores de sal e de peixe, pescadores, marítimos e outras figuras, moldadas ao vivo por uma artesã, estiveram na “II Feira do Outono”, este domingo, no Moinho de Maré da Mourisca.

Trabalhando a argila com os dedos, Margarida Rodrigues dá forma aos pequenos bonecos que depressa se reconhecem com os trajes regionais.

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II Feira de Outono - Setúbal Produtos regionais no Moinho de Maré da Mourisca

Por Jornal Rostos

Os dedos, a sua maior ferramenta, precisam de ser molhados na água com regularidade. “Para conseguir pormenores não posso perder a sensibilidade nos dedos”, conta a artesã, acrescentando que “é um trabalho faseado” e que o processo se baseia, essencialmente, na moldagem, secagem e cozedura. Convêm ficar bem seco para ganhar alguma resistência.”

Ao todo são cerca de sete horas, incluindo a pintura em acrílico e o verniz, para um boneco ficar concluído.

Peças de artesanato como estas, a dez euros cada, já foram troféus para um festival de tunas femininas.

“Adaptei a peixeira ao traje da tuna”, adianta Margarida Rodrigues, que começou a pintar há cerca de 15 anos. Dedicou-se ao artesanato há dez, mas só depois de tirar formação na área, principalmente na técnica de moldagem.

Mas nem só de pequenas figuras esteve composta a banca da artesã. Rosas albardeiras, inspiradas nas rosas da Serra da Arrábida através de um livro editado pela Reserva Natural do Estuário do Sado (RNES), conchas pintadas com temáticas de Setúbal, como Bocage e o Portinho da Arrábida e peças em tinta de areia e acrílica foram alguns dos trabalhos levados para venda.

Vinho, queijo, produtos hortofrutícolas e ervas aromáticas foram outros produtos da região que estiveram na “II Feira do Outono”, promovida em parceira por Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade, RNES, Câmara Municipal de Setúbal e Junta de Freguesia do Sado.

“Apesar de a chuva não ter ajudado, tivemos grande participação, com 20 expositores, do artesanato à agricultura biológica”, referiu a bióloga da RNES Marina Sequeira.

O tempo de cura é o que diferencia os queijos de ovelha da família Santos, produtora há 32 anos, na Quinta do Anjo.

O saber da mãe foi passado para a filha e hoje elas dedicam-se à produção deste produto típico da região.

De 1,50 euros, os mais pequenos, a cinco, o meio seco, o queijo curado provém do leite da própria produção, de cem ovelhas.

“Depois de ficarem prenhas e terem os borreguinhos, é que se tira o leite. Mas não é a todas de uma vez. Às 30 ovelhas de cada vez, por exemplo”, confidencia a matriarca.

A acompanhar um queijo, cai bem um vinho produzido na Arrábida. Um produto regional, que José António Fonseca levou ao Moinho de Maré da Mourisca mas com a particularidade de resultar da agricultura biológica.

O vinho Grã, da colheita de 2007, à venda por quatro euros a garrafa de 75 cl, é proveniente de uma vinha com 30 anos, na encosta da serra da Arrábida, sem recurso a pesticidas e fertilizantes.

O tinto Grã, casta predominantemente da casta Castelão, é uma pequena produção que pouco mais ascende às mil unidades e que só agora se encontra disponível ao público.

Da Quinta da Várzea, ervas aromáticas, sementes de quiabo, plantas de chá e muitos produtos hortofrutícolas plantados e colhidos por reclusos do Estabelecimento Prisional de Setúbal estiveram também na Feira do Outono, iniciativa que regressa no próximo ano.

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