Seminário: “A Indústria e a Comunidade” - Setúbal“Quatro empresas da Mitrena estão classificadas com nível superior de perigosidade”
O coordenador do Serviço Municipal de Protecção Civil e Bombeiros, José Luís Bucho, anunciou no seminário técnico, a decorrer durante o dia no auditório da Escola Superior de Ciências Empresariais, que o documento final “verá a luz do dia durante o mês de Dezembro”.

Por Jornal Rostos
O estudo incide numa área de 15 quilómetros quadrados, correspondentes à populosa área industrial da Mitrena, localizada na freguesia do Sado e onde se encontram muitas das principais unidades industriais pesadas do País.
A Carta tem como principais objectivos caracterizar os riscos, identificar meios a afectar a acções de prevenção e fornecer às entidades decisoras uma ferramenta útil para planeamento.
“Uma das principais conclusões que podem ser adiantadas desde já é a criação de uma estrada que ofereça garantias de fuga em caso de algum desastre nesta zona”, adiantou José Luís Bucho, acrescentando que “quatro empresas da Mitrena estão classificadas com nível superior de perigosidade”.
No total, existem em Portugal 57 estabelecimentos industriais com classificação idêntica, sendo que a maior parte está concentrada no distrito de Setúbal, indicou Maria do Carmo Palma, da Agência Portuguesa do Ambiente.
Perante este cenário, José Luís Bucho deixou uma nota à plateia que sublinha o facto de que “a Mitrena ficou de fora da área de estudo do Plano Especial de Emergência de Risco Sísmico da Área Metropolitana de Lisboa recentemente apresentado”.
As primeiras conclusões resultantes da Carta de Risco da Mitrena foram apresentadas durante o primeiro painel de oradores do seminário técnico, que incidiu no tema “Riscos e Benefícios”.
O adjunto da Presidência da Câmara Municipal de Setúbal, Eusébio Candeias, sublinhou na sessão de abertura do encontro que a “discussão de hoje permite que o Concelho se prepare melhor para os riscos industriais e naturais. Não que esses riscos não estejam já identificados, mas, com este seminário, possibilita-se o debate e a partilha de informação”.
O presidente da Escola Nacional de Bombeiros, Duarte Caldeira, na dissertação intitulada “A Indústria e a Comunidade. Riscos e Benefícios”, alertou que, nas diferentes valências do estudo do risco, “não se faz em Portugal a avaliação do retorno [financeiro] do não-acidente, sendo que o risco também tem um valor”.
O responsável realçou, ainda, que “só há segurança efectivamente quando há uma diminuição do risco”.
Maria do Carmo Palma, que falou sobre “Prevenção de acidentes graves”, sublinhou que, na prevenção de desastres, “o desconhecimento é o pior inimigo”, pelo que a gestão da segurança, o ordenamento do território e o planeamento da resposta são etapas importantes para garantir uma prevenção eficaz.
O ordenamento do território é outra ferramenta útil para a prevenção de acidentes graves, embora a oradora admita ser “uma questão mais sensível” e que “ainda não está devidamente legislada”.
Já Isabel Santos, professora do Instituto Superior de Educação e Ciências (ISEC), abordando o tema “Sustentabilidade da Actividade Industrial”, salientou que o ponto óptimo da indústria sustentável “consiste na produção em massa de um produto com valor comercial utilizando o mínimo de recursos naturais possíveis”.
A docente alertou, todavia, que “os recursos naturais do planeta estão a ser extraídos a uma taxa superior à da sua reposição”.
O primeiro painel de intervenções foi moderado por Mário Macedo, da International Association of Emergency Managers.
No segundo painel, realizado durante a tarde e subordinado ao tema “Gestão dos Riscos”, moderado pelo docente da Escola Superior de Ciências Empresariais Paulo Lima, contou com a comunicação “Implementação de medidas para a gestão dos riscos”, por Amândio Torres, director da Autoridade Nacional de Protecção Civil.
Um estudo de caso sobre um simulacro numa empresa da Península da Mitrena decorreu durante o período da tarde, com vista à reflexão e ao debate sobre as sinergias operacionais geradas e a organização e gestão da resposta a incêndios industriais potenciadas pela utilização das novas tecnologias.
O segundo painel incluiu, igualmente, o visionamento de um simulacro realizado no Centro Integrado de Tratamento de Resíduos Industriais da Mitrena.
“A gestão do socorro face a incidentes tecnológicos”, por Artur Gomes, docente do ISEC, Parque Industrial Sapec Bay – Estudo de caso”, por Luís Cruz, director-geral da Sapec, e “Riscos em incidentes que envolvem matérias perigosas”, por Jorge Couto, da Companhia de Bombeiros Sapadores de Setúbal (CBSS), foram as restantes intervenções no período da tarde.
Os trabalhos ficaram concluídos com a intervenção de encerramento do comandante da CBSS, Quaresma de Lemos.













