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No Carnaval de SesimbraEstreia em Portugal primeiro grupo amador de danças barrocas

Em Sesimbra, um rancho folclórico transformou-se no primeiro grupo amador de danças barrocas em Portugal. A ideia partiu da Câmara Municipal e vai ser alargada a outras associações.
O objectivo é incentivar a diversificação das actividades das associações locais tendo por base a recriação histórica.

A primeira apresentação está marcada para 13 de Fevereiro, dia em que a escola de samba Batuque do Conde se apresenta na Quinta do Conde. Nos dias 14 e 16 é a vez da Marginal de Sesimbra receber o grupo.

6 min de leitura
No Carnaval de Sesimbra Estreia em Portugal primeiro grupo amador de danças barrocas

Por Jornal Rostos

Em 2009, a convite da Câmara Municipal de Sesimbra, o Rancho Folclórico Humanitário da Quinta do Conde decidiu diversificar a sua actividade com a recriação de danças antigas. Depois de vários ensaios, apresentaram-se como Grupo de Danças Antigas Condes de Sesimbra, num espectáculo de danças renascentistas. Este mês, os Condes de Sesimbra estreiam-se no Carnaval de Sesimbra como o primeiro grupo de amador de danças barrocas em Portugal.

A ideia faz parte de um projecto desenvolvido pela autarquia junto do movimento associativo do concelho, cujo objectivo central é incentivar a recriação histórica e, ao mesmo tempo diversificar as actividades das associações, permitindo-lhes em muitos casos rentabilizá-las. Apesar de estar ainda no início, a ideia tem sido bem recebida. Os Condes de Sesimbra são o primeiro exemplo de sucesso mas a parceria está a ser trabalhada com outros grupos noutras áreas das artes.

O início do grupo
Publicado na revista Sesimbr’Acontece de Outubro de 2009

À primeira vista, não há quaisquer semelhanças entre um rancho folclórico e um grupo de danças de corte medievais e renascentistas. Na Quinta do Conde, os membros do Rancho Folclórico Humanitário mostraram que não é bem assim. Desafiados pela Câmara Municipal a participar num projecto cultural, decidiram, sem receios, experimentar as danças antigas e acabaram por se apaixonar pela ideia. Tudo começou no Verão de 2007, quando a autarquia convidou um conjunto de associações a visitar uma recriação histórica no Mercado Medieval de Óbidos. O espectáculo deixou-os entusiasmados e alguns meses depois ensaiavam os primeiros passos de Branles, Pavanas, Carolas e outras danças de época nas instalações do Centro Comunitário da Quinta do Conde, instituição que entretanto decidiu apostar na criação do grupo. Orientados por Leonor Beltrán, professora de dança na Escola Superior de Educação de Lisboa e formanda do mestre italiano Maurício Padovan, rapidamente perceberam que as coreografias e passos do folclore não estavam assim tão longe dos da dança antiga. Depois da adaptação ao novo ritmo e de longas e intensas horas de ensaio, foi necessário encontrar um nome para o grupo. Após animado debate foi aprovado Grupo de Danças Antigas Condes de Sesimbra, homenagem ao Conde de Atouguia, que deu origem ao topónimo Quinta do Conde, e ao município. Com esta designação apresentaram-se pela primeira vez no local onde tudo começou: o Mercado Medieval de Óbidos. O espectáculo correu muito bem mas o que mais impressionou o público foi a beleza e rigor dos fatos, que tiveram por base uma pesquisa de trajes dos séculos XV e XVI e originaram uma sessão fotográfica espontânea, que foi um verdadeiro acontecimento. Regressados a Sesimbra, actuaram no encerramento das Jornadas Medievais e na apresentação da Carta Arqueológica, na Fortaleza de Santiago. O apoio à criação deste grupo é parte integrante de um projecto municipal de formação artística dirigido ao movimento associativo, através do qual a Câmara lança desafios tanto para o desenvolvimento cultural como para a diversificação de actividades, sobretudo em áreas relacionadas com a divulgação da história e do património do concelho.
Depois das danças renascentistas, o Grupo de Danças Antigas Condes de Sesimbra, prepara-se agora para se tornar no primeiro grupo amador a fazer recriação de danças barrocas em Portugal. Tanto os trajes como as coreografias estão praticamente prontos para a estreia, durante o Carnaval de Sesimbra.

Danças com história
Publicado na revista Sesimbra Município de Janeiro de 2010

Designer de moda há mais de 30 anos, Fernanda Cagica já perdeu a conta aos fatos que desenhou e produziu, com as mais variadas formas e cores, e para os mais diversos fins, desde os desfiles de Carnaval a momentos formais. Nos últimos meses, contudo, tem dedicado o seu tempo a elaborar as vestes renascentistas e barrocas utilizadas pelo Grupo de Danças Antigas Condes de Sesimbra, do Centro Comunitário da Quinta do Conde.
A forte componente visual, fundamental para o sucesso de um grupo de recriação histórica, exige um exaustivo trabalho de pesquisa, para que cada fato se mantenha fiel à época, tanto no corte como nos materiais e nas cores. Fernanda começou pelos trajes renascentistas, usados nas primeiras actuações do grupo, no Verão de 2009, e está agora a ultimar as vestes barrocas, que serão utilizadas no Desfile de Carnaval. Apesar da técnica ser semelhante, tanto os tons e os padrões como o corte diferem. Os tecidos que usa para recriar os ambientes de época são também distintos.
Enquanto que para os fatos da renascença opta por damascos, no barroco dá preferência às sedas selvagens, rendas, veludos e bordados, que procuram recriar o ambiente luxuoso da altura. As diferenças entre os dois períodos históricos estão também vincadas na forma de dançar.
A passagem da renascença para o barroco apresenta muitas alterações, sobretudo ao nível dos movimentos, postura, contacto físico e rapidez, o que tem exigido aos 14 adultos e 3 crianças que constituem o grupo um esforço adicional. Leonor Beltrán, professora de dança na Escola Superior de Educação de Lisboa e formanda do mestre italiano Maurício Padovan, acompanha o grupo desde o início e destaca a vontade de trabalhar e evoluir dos elementos. Depois de lhes ter ensinado os primeiros passos das danças renascentistas, com os quais o Condes de Sesimbra fez as primeiras apresentações, Leonor ensaia agora movimentos barrocos.
Segundo a formadora, este estilo de dança incide essencialmente sobre a época barroca inglesa do século XVII, muito diferente em género daquilo que se fazia nas cortes francesas. A responsável pela gestão do grupo, Sandra Costa, garante que a experiência está a ser bastante interessante e realça a experiência dos seus elementos nas danças folclóricas, o que lhes tem proporcionado uma maior capacidade de apreensão da técnica e da musicalidade.
Quanto à participação no desfile de Carnaval, Sandra Costa considera que «é uma óptima oportunidade para o grupo se dar a conhecer e conquistar mais mediatismo». O optimismo estende-se à direcção do Centro Comunitário que, depois de ter entrado na “aventura” das danças antigas, numa colaboração com o Rancho Folclórico Humanitário, trabalha agora empenhadamente para dar vida ao primeiro grupo amador de danças barrocas de Portugal.
«É um novo desafio que vamos encarar com vontade e naturalidade», garante Vítor Antunes, presidente da direcção do Centro Comunitário. «A elaboração dos trajes acaba por ser mais dispendiosa mas estamos a tentar conseguir novas parcerias para alimentar o projecto», sublinha.
A primeira apresentação está marcada para 13 de Fevereiro, dia em que a escola de samba Batuque do Conde se apresenta na Quinta do Conde. Nos dias 14 e 16 é a vez da Marginal de Sesimbra receber o grupo.

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