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Moldura

Realidade da Rinossinusite nos Centros de Saúde:Tratamento prescrito não está de acordo com as Guidelines

Como é tratada Rinossinusite em Portugal? Isso mesmo quis saber a Sociedade Portuguesa de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (SPORL) que promoveu um estudo nacional em de 40 Centros de Saúde com o objectivo de conhecer a realidade no que diz respeito ao tratamento desta patologia.

3 min de leitura

Por Jornal Rostos

Através deste estudo foi possível concluir que a combinação terapêutica mais prescrita são os descongestionantes nasais e os anti-inflamatórios, e verifica-se uma utilização frequente de antibióticos, sobretudo na fase aguda da doença. De acordo com esta sociedade científica, os corticóides tópicos intra-nasais são terapêuticas recomendadas como 1ª linha de tratamento pelas normas orientadoras internacionais, no entanto são pouco utilizados de acordo com este estudo.
Importa ainda salientar que a rinossinusite afecta 13,7% de portugueses, afectando sobretudo as mulheres e nas faixas etárias dos 30-39 anos e acima dos 60 anos.

O que é o estudo RITA - Centros de Saúde

Estudo epidemiológico de uma coorte de utentes que se dirigiram à consulta de clínica geral nos Centros de Saúde seleccionados.
Foi aplicado um questionário de avaliação de rinossinusopatia, aguda e/ou crónica, a todos os utentes que se dirigiram à consulta dos Centros de Saúde, de forma sequencial, até cada Centro incluir 100 utentes.

2. Quais os objectivos do estudo

Determinar a prevalência pontual de doentes com diagnóstico de rinossinusopatia aguda efectuado ao nível dos cuidados de saúde primários.
Determinar a prevalência pontual de doentes com diagnóstico de rinossinusopatia crónica efectuado ao nível dos cuidados de saúde primários (Centros de Saúde).
Caracterizar os doentes com rinossinusopatia relativamente a dados demográficos e clínicos, marcha diagnóstica e terapêutica prévia.

4. Conclusões do estudo RITA

A obstrução, congestão nasal, rinorreia anterior ou posterior em associação a dor, pressão facial e ou hipósmia são os sintomas que identificam a rinossinusite.
Não foi observada uma relação forte entre a prevalência de rinossinusopatia e o sexo ou a idade.
Na população estudada, a prevalência global de rinossinusite foi de 19%, dos quais 7% apresentavam-se sob a forma aguda da doença e 13% a forma crónica. Estes valores não seguem a tendência do estudo epidemiológico realizado na comunidade (11,3% versus 2,4%), o que se poderá explicar por uma maior percepção e valorização da situação aguda aquando da resposta directa no estudo epidemiológico.
Há dois factores que merecem destaque, por um lado, a percepção de que existe uma elevada proporção de casos não diagnosticados e, como tal, não tratados, cujo impacto clínico e socio-económico é difícil de prever.
Por outro lado, a existência de um desfasamento entre as orientações para o diagnóstico e tratamento e a prática ao nível dos Cuidados de Saúde Primários.
Assumindo que o diagnóstico e tratamento desta situação são condições necessárias e fundamentais para minimizar o seu impacto, parecem-nos poder constituir estratégias válidas, a implementação de rastreios e consciencialização da população para esta problemática aliada a um esforço de formação e informação para uma prática eficiente por parte dos profissionais de saúde.

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