Fórum da Juventude - SetúbalPobreza e Exclusão Social em debate
A estratégia da Câmara Municipal de Setúbal passa pela promoção de variadas acções e parcerias que “permitem despertar dinâmicas que atenuam as desigualdades sociais e promovem a inclusão”, frisou a chefe da Divisão de Inclusão Social da Autarquia, Conceição Loureiro no encontro, realizado na Escola Secundária de Bocage, no âmbito do programa local do Mês da Juventude, m@rço.28.

Por Jornal Rostos
A técnica municipal indicou que as acções promovidas pela Câmara Municipal visam a implementação de mecanismos para a actuação de todos os cidadãos, através dos projectos camarários destinados às várias franjas da população, “para que ninguém seja impedido de participar naquilo que é a vida económica, social e cultural do Concelho”.
Conceição Loureiro advertiu, igualmente, que “até pelas intempéries que se têm verificado na actualidade se pode ver que as coisas mudam de repente”, o que faz com que “a construção social seja um problema de todos e ninguém pode correr o risco de ser indiferente”.
O vereador Rui Higino aproveitou a presença de estudantes no auditório da escola secundária para fazer um apelo à participação dos jovens na construção de uma sociedade mais equilibrada, para que futuramente não se deparem com o agravamento das desigualdades sociais. Esta atitude, referiu, implica “muito trabalho” mas “o mundo será o que dele fizerem”.
Já a representante do Núcleo de Setúbal da Rede Europeia Anti-Pobreza, Ana Vizinho, defendeu a adopção de soluções a curto prazo, com “o reforço da protecção social, a protecção no emprego e a promoção da inclusão activa”, através de acções de alerta e informação da sociedade civil.
Para Ana Vizinho, há que “combater as causas e não só as consequências”, o que se consegue através do “desenvolvimento de um modelo social sustentável capaz de promover a equidade global”, numa “justa redistribuição de recursos” através do reforço dos direitos sociais, “em detrimento da liberdade desregulada do mercado”.
Madalena Cruz, dirigente da Cáritas Diocesana de Setúbal, frisou que “a pobreza não se pode atacar pelas pontas, tem de ser pela raiz”, e indicou que uma das muitas missões da instituição que representa é a de “ajudar as pessoas a reerguer-se”, designadamente “as famílias com crianças em que ambos os pais caíram em situação de desemprego”.
A directora do Centro Comunitário S. Pedro, Isabel Rodrigues, salientou o aumento do número de refeições distribuídas em Setúbal em articulação com a Cáritas nos últimos anos – 34.651 em 2008 e 58.487 em 2009 –, o que “prova que a crise realmente existe”.
Sobre este aumento dos níveis de pobreza, o vereador Rui Higino mostrou preocupação pela penalização da classe média e baixa, por parte do Governo, “a quem se diz que deve poupar, quando pouco ou nada há para poupar” e que actualmente o facto de ter um emprego não significa “um bom estado de vida” ou estar fora do risco de situações de pobreza ou de exclusão, já que os magros salários praticados no País “não permitem acompanhar todas as necessidades das famílias e dos cidadãos numa sociedade em constante mudança”.













