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Promoção das Ostras de SetúbalColóquio debate revitalização da produção de ostras no Estuário do Sado

A revitalização da produção de ostras no Estuário do Sado foi destacada no colóquio de abertura de um programa sobre a promoção deste bivalve, realizado ontem em Setúbal.

“Esta é uma oportunidade de se reforçar o aparelho produtivo da região, criando não só riqueza, como também postos de trabalho”, sublinhou a vereadora do Turismo e Actividades Económicas da Câmara Municipal, Carla Guerreiro, aludindo à forte tradição de Setúbal na criação de ostras.

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Promoção das Ostras de Setúbal Colóquio debate revitalização da produção de ostras no Estuário do Sado

Por Jornal Rostos

“Há cerca de 40 anos, a região de Setúbal tinha um potencial enorme nesta área e, hoje, com mais conhecimentos técnicos, é possível desenvolver uma actividade que seja sustentável do ponto de vista ambiental e rentável na área económica”, reforçou.

A vereadora, que enalteceu a importância da iniciativa, referiu ainda que o revitalizar na produção da ostra portuguesa deve ser “uma aposta forte” na medida em que o Estuário do Sado oferece “qualidades naturais de excepção para o seu desenvolvimento”, numa área com grande biodiversidade e dotada das características para a criação daquele bivalve.

O colóquio “Ostras de Setúbal: Ciência, Património e Cultura”, iniciou o programa “A Ostra Portuguesa – recuperação de um património”, organizado em parceria entre o Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade (ICNB)/Reserva Natural do Estuário do Sado e Câmara Municipal de Setúbal, com o apoio de diversas entidades privadas.

Na sessão de abertura do encontro, realizado na Estalagem do Sado, o director-adjunto do ICNB, João Farinha, ressaltou a importância de “fomentar a actividade da ostra portuguesa no Estuário do Sado, promovendo também o património cultural e gastronómico da região de Setúbal”.

Contudo, e para que seja possível “revitalizar a produção de ostras e a própria economia local”, João Farinha reiterou a necessidade de os diversos agentes ligados a este bivalve concentrarem esforços neste objectivo comum.

O documentário “Ostra portuguesa – Um património a preservar”, de Guilherme Pessoa Cabral, que aborda a evolução histórica da produção de ostras em Portugal, sobretudo nos estuários do Sado e do Tejo, foi apresentado no colóquio.

A reunião continuou com uma apresentação de Carlos Sousa Reis, da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, que dissertou sobre o tema “As ostras – Um recurso potencial”.

Para este investigador, as ostras constituem “um recurso com enorme potencial”, sobretudo no Estuário do Sado, onde existe “um ecossistema de elevada importância que importa proteger”.

Carlos Sousa Reis, que abordou ainda a evolução histórica da produção de ostras em Portugal, cujo apogeu aconteceu entre 1960 e 1970, defendeu que se pode “incentivar a produção de ostras com a importação de outras espécies” deste bivalve, presentes noutros locais do mundo.

O encontro continuou com uma intervenção de Fernanda Pessoa, da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, que apresentou um estudo de caso a propósito da criação de ostras em viveiro.

Na investigação, a decorrer desde 2004, nas instalações da Sapalsado, em Setúbal, a investigadora recolheu indícios “muito positivos” para o desenvolvimento desta actividade em viveiro.

“Há um potencial muito grande na produção de ostras”, evidenciou Fernanda Pessoa, adiantando que no estudo que acompanhou, em vários ensaios, as ostras criadas em viveiro “atingem, em apenas seis meses, o tamanho de comercialização”, apresentando “um aspecto saudável e com sabor a mar”.

“O potencial socioeconómico das ostras portuguesas”, por Paulo Anacleto, da empresa Sapalsado, “A exploração ostreicola no Estuário do Sado nos anos 60 e princípios de 70 – Um recuar nas memórias”, pelo biólogo Antunes Dias, e "As ostras e a gastronomia", pelo jornalista Amílcar Malhó, foram outros temas do colóquio, moderado por Pedro Castro Henriques, do ICNB.

Uma sessão de confecção de pratos ao vivo e degustação de ostras, com o chefe António Alexandre, e a exposição “As ostras de Setúbal – Um rosário de memórias”, produzida pelo Museu do Trabalho Michel Giacometti, fizeram também parte da programação da iniciativa.

O programa “A Ostra Portuguesa – recuperação de um património” inclui, em Maio, Junho e Julho, vários workshops, orientados pelo chef António Alexandre, na Escola de Hotelaria e Turismo de Setúbal e em diversas unidades hoteleiras da região, nos quais são transmitidos conhecimentos técnicos para manuseamento e confecção de ostras.

A 12 de Setembro, na Herdade da Mourisca, realiza-se uma feira de ostras, iniciativa que inclui colóquios, exposições, venda e degustação de ostras, passeios e actividades culturais e desportivas.

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