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26.º Festroia - SETÚBAL« Com um staff tão pequeno, fazem um festival tão grande, que nunca morreu»

Cerca de 190 filmes, muitos deles com presenças recentes nos festivais de Berlim e Cannes, marcam o 26.º Festroia – Festival Internacional de Cinema de Setúbal, certame que, este ano, presta homenagem à carreira de Rogério Samora.

A directora do festival setubalense, Fernanda Silva, apresentou ontem, no Esperança Centro Hotel, em conferência de imprensa, a edição deste ano do Festroia, que se realiza entre 4 e 13 de Junho e conta com um orçamento de 500 mil euros.

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26.º Festroia - SETÚBAL « Com um staff tão pequeno, fazem um festival tão grande, que nunca morreu»

Por Jornal Rostos

O Auditório da Anunciada, o Cinema Charlot, o Largo José Afonso e o Auditório Fernando Lopes-Graça, que acolhe a extensão do programa a ser exibida em Almada, são as salas por onde passam os quase 200 filmes do Festroia de 2010, muitos deles projectados há pouco tempo nos principais certames de cinematográficos da Europa.

“Se foi bom para a competição oficial de Cannes e Berlim, é muito bom para nós”, enfatizou Fernanda Silva, salientado que “raramente se consegue ter filmes novos num festival de cinema que não seja dos mais conhecidos”.

O Auditório da Anunciada foi eleito a sala de substituição do Fórum Municipal Luísa Todi, espaço que acolheu a maioria das edições do Festroia e que está actualmente a beneficiar de obras de remodelação.

Fernanda Silva sublinhou que conta com o apoio logístico da Câmara Municipal, pois o Auditório da Anunciada “não está equipado para cinema”, sendo necessário recorrer ao aluguer de equipamentos de som e projecção, além de outros apetrechos, para transformar o auditório num local capaz de receber o certame.

A directora do Festroia salientou as obras no Fórum Luísa Todi e o pouco tempo para organizar a 26.ª edição do certame como algumas das dificuldades que tiveram que ser ultrapassadas para que o festival fosse uma realidade em 2010.

Fernanda Silva realçou, ainda, o mérito da qualidade apresentada pelo Festroia, perante o valor do orçamento deste ano, ao passo que as organizações de outros festivais nacionais "falam em crise quando têm um orçamento de 3 milhões de euros”.

O Festival Internacional de Cinema de Setúbal conta, anualmente, com o apoio da Câmara Municipal de Setúbal, também o principal patrocinador e que este ano destinou 150 mil euros para o orçamento do evento.

A presidente da Autarquia, Maria das Dores Meira, que também participou na apresentação do certame, esclareceu que o montante do apoio financeiro está condicionado pelas actuais restrições financeiras municipais, acrescentando que, "do ponto de vista logístico, tudo será feito para que seja mais uma edição que vá dignificar e continuar a prestigiar este festival".

Perante o cenário de dificuldades que teve que ser superado, Maria das Dores Meira congratulou-se pela realização de mais um Festroia. "É para nós um sufoco quando pensamos que eventos desta natureza, que ajudam não só a promover a cinematografia, mas também a promover a cidade de Setúbal, podem estar em risco de não se realizarem ", frisou.

A presidente do Município felicitou ainda toda a equipa do Festroia por mais uma edição, que, "com um staff tão pequeno, fazem um festival tão grande, que nunca morreu".

Rogério Samora, que comemora 30 anos de vida artística, é o homenageado com o Golfinho de Ouro de Carreira nesta edição que homenageia, também, a cinematografia eslovaca.

“É uma grande escolha porque é um grande actor português e está na altura de o homenagear”, sublinhou Fernanda Silva salientando as 150 personagens diferentes que Rogério Samora já interpretou ao longo da carreira.

O mais recente filme do actor, “Os Sorrisos do Destino”, realizado por Fernando Lopes, pode ser visto durante o festival.

O Festroia abre, no dia 4, com o filme “Berlim 36”, que estreia, simultaneamente, “Histórias de Resistência”, ciclo que reflecte sobre vidas de homens e mulheres que lutaram pelo respeito, liberdade e dignidade do ser humano.

Este ciclo surge dos muitos filmes vistos ao longo das edições do festival. Fernanda Silva garante uma programação “tocante”, com 11 longas-metragens europeias.

Em competição estão 12 filmes na secção “Oficial”, dez em “Primeiras Obras” e 14 em “O Homem e a Natureza”.

Este ano, os “Independentes Americanos” não entram a concurso. Pelo grande apoio prestado aos realizadores independentes, o Festroia resolveu homenagear a Elephant Eye Films, produtora norte-americana de filmes como “Precious”, de Lee Daniels, também em cartaz.

“Desert Flower”, sobre a mutilação genital das mulheres somalis, e “Brooklyn’s Fineste”, com Richard Gere, são as duas antestreias que estão entre as duas dezenas de obras da mostra “Panorama”.

Presença confirmada é a de Jos Stelling, para presidir ao júri que avalia as obras em competição. O realizador holandês viu a sua primeira longa-metragem, “Mariken van Nieumeghen" (1974), seleccionada para a competição oficial do Festival de Cannes.

Em 2008, o filme “Duska” foi o candidato holandês aos Óscares e é um dos exibidos no Festroia, em “Grandes Realizadores Europeus”.

Manoel de Oliveira, com “Singularidades de uma rapariga loura”, é o realizador português presente nesta secção. Em exibição estão também “The dust of time”, com Willem Dafoe, do grego Theo Angelopoulos, e “The house of branching love”, da finlandesa Mika Kaurismaki.

As produções nacionais voltam a ser destacadas no Festroia com o ciclo “Cinema Português”, bem como o género de curtas-metragens, patente nos ciclos “Curtos Europeus” – com representações de Espanha, França, Islândia, Croácia e Suécia – e “Curtos Escolas”, com participações de estabelecimentos de ensino portugueses e estrangeiros.

O Festroia apostar, ainda, numa programação para o público juvenil e infantil, como a exibição, por exemplo, do sucesso de bilheteira nacional “Uma Aventura na Casa Assombrada”, de Carlos Coelho da Silva.

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