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CLUBE DE CINEMA DE SETÚBALNatal diferente em Dezembro no La Bohéme

. Dia 1 de Dezembro, 21,30 horas – Veludo Azul (Blue Velvet)

Dezembro é sinónimo de Natal. É o mês em que as grandes superfícies comerciais descongelam avestruzes e hipopótamas para anunciar o nascimento de Cristo aos miúdos, em que as lojas se enchem de gente e onde o Goucha faz uma maratona televisiva de quase 24 horas chamada Natal dos Hospitais.

Natal é cada vez mais sinónimo de consumismo e cada vez menos sinónimo de família, união e solidariedade. Por isso, para Dezembro, o Clube de Cinema de Setúbal propõe uma abordagem cinematográfica diferente ao Natal.

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CLUBE DE CINEMA DE SETÚBAL Natal diferente em Dezembro no La Bohéme

Por Jornal Rostos

Esqueçam a milésima repetição do “Sozinho em Casa” e do “ET – O Extraterrestre” na televisão. Esqueçam as tretas das reposições do “Senhor dos Anéis” e do “Harry Potter”. Esqueçam as megalomanias bíblicas de Cecil B. DeMille. Esqueçam as estreias nos cinemas de mais uma (pseudo)comédia de Natal com o Tim Allen, em que só muda o título. Esqueçam, esqueçam tudo.

Como de costume, as sessões são no La Bohéme (Rua Pereira Cão, 11), começam sempre às 21h30 e a entrada é gratuita.

Programação para Dezembro:

Dia 1 – Veludo Azul (Blue Velvet), de David Lynch, 1986, 120min.

Natal é sinónimo de Família. Por isso, nada como abordar esse tema pelos olhos dementes de David Lynch. O clássico Veludo Azul é do tempo em que os seus filmes ainda conseguiam ter alguma coerência, num neo-noir de subúrbios que filtra o típico melodrama familiar de Douglas Sirk através dos métodos pouco convencionais de Lynch. Para além do tema de Bobby Vinton que dá título ao filme, Veludo Azul conta ainda com orelhas mutiladas em terrenos baldios, bordéis com meninas obesas e um chulo gay-palhaço que canta Roy Orbison em decors kitsch de cores garridas.

Dia 8 – Dorian Gray (Dorian Gray), de Oliver Parker, 2009, 112min.
** apresentado pelo pintor António Galrinho **

Natal é também sinónimo de solidariedade. É o chamado espírito natalício, que faz com que toda a gente dê uma moedinha ao mendigo que pede dinheiro à esquina ou compre o Borda d’Água num semáforo qualquer. Portanto, nada como contrapôr isto com uma das maiores metáforas ao hedonismo da História: Dorian Gray, adaptação do clássico de Oscar Wilde, sobre um tipo que se mantém eternamente jovem ao manter escondido um retrato seu.

Dia 15 – O Estranho Mundo de Jack (Nightmare Before Christmas), de Henry Selick, 1993, 76min.

Esqueçam o clássico familiar de Frank Capra, Do Céu Caiu Uma Estrela. Esqueçam o omnipresente Sozinho em Casa, repetição recorrente dos canais televisivos em época de Natal. Esqueçam as sequelas do Harry Potter que teimam em estrear todos os Dezembros. Eis o verdadeiro filme de Natal: O Estranho Mundo de Jack, fantasia negro-gótica com dedo de Tim Burton, sobre o Natal e o Halloween.

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