Navio-escola Sagres zarpou ontem de Sesimbra em direcção a Setúbalonde se encontra até domingo aberto a visitas
A ancestral arte de navegar, nas vertentes técnica e humana, é transmitida na Sagres, navio emblemático da Marinha Portuguesa que zarpou ontem de Sesimbra em direcção a Setúbal, onde se encontra até domingo, aberto a visitas.
Suspendido o fundeador em Sesimbra, a Sagres segue viagem rumo a Setúbal. A navegação é iniciada em pano latino, velas triangulares que permitem bolinar, isto é, navegar contra o vento. Começa a faina geral dos mastros, uma das tarefas que foi possível observar, ontem, ao longo de toda a tarde, no navio-escola Sagres.
Suspendido o fundeador em Sesimbra, a Sagres segue viagem rumo a Setúbal. A navegação é iniciada em pano latino, velas triangulares que permitem bolinar, isto é, navegar contra o vento. Começa a faina geral dos mastros, uma das tarefas que foi possível observar, ontem, ao longo de toda a tarde, no navio-escola Sagres.

Por Jornal Rostos
O som do apito dos mestres é uma constante durante a azáfama dos marinheiros, cada um com funções específicas, numa operação que não admite falhas. Tudo é feito em sintonia e em constante comunicação.
“Mestre, o grande está na mão”, grita a voz de comando no convés. Significa que o mastro principal está seguro, pronto para carregar o pano e içar as gáveas, as velas principais do navio.
A subida aos mastros e aos pontos de vigia das gáveas é feita rapidamente e exige destreza e coordenação. A tarefa consiste em endireitar as vergas e ferrar a preceito, ou seja, arrumar o pano das velas cuidadosamente, preparando a Sagres para as comemorações do Dia da Marinha, assinalado hoje.
A viagem à vela dura pouco tempo, até porque o vento não está de feição. A viagem até Setúbal é feita com recurso aos dois motores do navio-escola, que, juntos, debitam mil cavalos. “Folga à faina”, ouve-se no convés. É o momento mais esperado pelos marinheiros, que podem finalmente descansar um pouco.
Visitas à sala de oficiais, à cabina do comandante e à praça de armas, um espaço onde são retratadas as várias fases da Sagres, construída em 1937, fizeram parte da aventura, aberta aos jornalistas.
À frente do navio-escola há poucos dias, o comandante Sardinha Monteiro destaca a importância da Sagres, que ostenta a Cruz de Cristo nas velas, na formação de jovens cadetes, a principal missão, e em tarefas diplomáticas.
“Embarquei na Sagres, pela primeira vez, em 1988, tinha 19 anos. Era cadete. Agora volto como comandante do mais emblemático navio da Marinha Portuguesa. É um grande orgulho”, confessa Sardinha Monteiro.
A chegada ao antigo Forte do Outão é precedida de sinalização sonora. “É uma tradição”, explicam os marinheiros aos visitantes, esclarecendo o espanto inicial.
A entrada na barra de Setúbal exige perícia e muita atenção pois as águas não são para brincadeira. Ao longe avista-se os sinais luminosos dos faróis da Doca dos Pescadores e do Jumbo. A ordem é “estibordo”. A Sagres alinha com a iluminação dos faróis, que mostram o caminho seguro para entrar na barra.
Ancorada no Cais da AutoEuropa, o navio-escola Sagres fica em Setúbal até domingo, podendo ser visitado hoje, até às 18h00, e amanhã, das 09h30 às 12h00 e das 14h00 às 18h00, juntamente com outros navios da Marinha.
A partida da Sagres ocorre no domingo, altura em que é possível vislumbrá-la em todo o seu esplendor, com todas as velas içadas. O branco, com o vermelho da Cruz de Cristo, vai cortar o azul do rio Sado.
“Temos planeado içar e caçar as velas em duas fases. Primeiro as velas latinas, depois o pano redondo. Desde a saída de Setúbal até ao Outão, demora cerca de dez minutos”, refere Sardinha Monteiro.
A Sagres foi construída em 1937 nos estaleiros Blohm & Voss, em Hamburgo, Alemanha, tendo recebido o nome de Albert Leo Schlageter. Foi o terceiro de uma série de quatro navios feitos para a Marinha alemã, que incluiu Gorch Fock, que já pertenceu à Marinha ucraniana, com a denominação de Tovarish, e que, recentemente foi adquirido por uma fundação germânica.
O Horst Vessel, actual navio-escola Eagle, da Guarda Costeira dos Estados Unidos da América, é outro dos navios da mesma classe que ainda navega. Um outro navio, também denominado Gorch Fock, foi construído mais tarde, em 1958, de acordo com os planos originais do homónimo.
Em 1945, o Albert Leo Schlagete, danificado durante a II Guerra Mundial, foi capturado em Bremerhaven pelas forças americanas e posteriormente cedido ao Brasil, em 1948. Em 1962 Portugal adquire-o ao Brasil por 150 mil dólares, integrando a Marinha Portuguesa há 49 anos.
A próxima viagem do veleiro está programada para 27 de Junho, num itinerário que inclui Funchal, Mindelo (Cabo Verde) e Ponta Delgada. “A Sagres é um navio que está destinado a navegar para sempre”, sublinha Sardinha Monteiro.
“Mestre, o grande está na mão”, grita a voz de comando no convés. Significa que o mastro principal está seguro, pronto para carregar o pano e içar as gáveas, as velas principais do navio.
A subida aos mastros e aos pontos de vigia das gáveas é feita rapidamente e exige destreza e coordenação. A tarefa consiste em endireitar as vergas e ferrar a preceito, ou seja, arrumar o pano das velas cuidadosamente, preparando a Sagres para as comemorações do Dia da Marinha, assinalado hoje.
A viagem à vela dura pouco tempo, até porque o vento não está de feição. A viagem até Setúbal é feita com recurso aos dois motores do navio-escola, que, juntos, debitam mil cavalos. “Folga à faina”, ouve-se no convés. É o momento mais esperado pelos marinheiros, que podem finalmente descansar um pouco.
Visitas à sala de oficiais, à cabina do comandante e à praça de armas, um espaço onde são retratadas as várias fases da Sagres, construída em 1937, fizeram parte da aventura, aberta aos jornalistas.
À frente do navio-escola há poucos dias, o comandante Sardinha Monteiro destaca a importância da Sagres, que ostenta a Cruz de Cristo nas velas, na formação de jovens cadetes, a principal missão, e em tarefas diplomáticas.
“Embarquei na Sagres, pela primeira vez, em 1988, tinha 19 anos. Era cadete. Agora volto como comandante do mais emblemático navio da Marinha Portuguesa. É um grande orgulho”, confessa Sardinha Monteiro.
A chegada ao antigo Forte do Outão é precedida de sinalização sonora. “É uma tradição”, explicam os marinheiros aos visitantes, esclarecendo o espanto inicial.
A entrada na barra de Setúbal exige perícia e muita atenção pois as águas não são para brincadeira. Ao longe avista-se os sinais luminosos dos faróis da Doca dos Pescadores e do Jumbo. A ordem é “estibordo”. A Sagres alinha com a iluminação dos faróis, que mostram o caminho seguro para entrar na barra.
Ancorada no Cais da AutoEuropa, o navio-escola Sagres fica em Setúbal até domingo, podendo ser visitado hoje, até às 18h00, e amanhã, das 09h30 às 12h00 e das 14h00 às 18h00, juntamente com outros navios da Marinha.
A partida da Sagres ocorre no domingo, altura em que é possível vislumbrá-la em todo o seu esplendor, com todas as velas içadas. O branco, com o vermelho da Cruz de Cristo, vai cortar o azul do rio Sado.
“Temos planeado içar e caçar as velas em duas fases. Primeiro as velas latinas, depois o pano redondo. Desde a saída de Setúbal até ao Outão, demora cerca de dez minutos”, refere Sardinha Monteiro.
A Sagres foi construída em 1937 nos estaleiros Blohm & Voss, em Hamburgo, Alemanha, tendo recebido o nome de Albert Leo Schlageter. Foi o terceiro de uma série de quatro navios feitos para a Marinha alemã, que incluiu Gorch Fock, que já pertenceu à Marinha ucraniana, com a denominação de Tovarish, e que, recentemente foi adquirido por uma fundação germânica.
O Horst Vessel, actual navio-escola Eagle, da Guarda Costeira dos Estados Unidos da América, é outro dos navios da mesma classe que ainda navega. Um outro navio, também denominado Gorch Fock, foi construído mais tarde, em 1958, de acordo com os planos originais do homónimo.
Em 1945, o Albert Leo Schlagete, danificado durante a II Guerra Mundial, foi capturado em Bremerhaven pelas forças americanas e posteriormente cedido ao Brasil, em 1948. Em 1962 Portugal adquire-o ao Brasil por 150 mil dólares, integrando a Marinha Portuguesa há 49 anos.
A próxima viagem do veleiro está programada para 27 de Junho, num itinerário que inclui Funchal, Mindelo (Cabo Verde) e Ponta Delgada. “A Sagres é um navio que está destinado a navegar para sempre”, sublinha Sardinha Monteiro.















