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Manuais de intervenção para crianças em situações de risco«O trabalho que apresentamos hoje é apenas uma escala numa jornada que é forçoso prosseguir»

“O trabalho que apresentamos hoje é apenas uma escala numa jornada que é forçoso prosseguir”, salienta Alfredo Maia, presidente do Sindicato dos Jornalistas (SJ), durante a Sessão de Abertura do Seminário Final de Apresentação do “Manual de Competências Comunicacionais e Guias de Orientações para a intervenção no âmbito da promoção e Protecção das Crianças”, a decorrer hoje, dia 1 de Setembro, na Fundação Calouste Gulbenkian, promovido pela Comissão Nacional de Protecção das Crianças e Jovens em Risco (CNPCJR).

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Manuais de intervenção para crianças em situações de risco «O trabalho que apresentamos hoje é apenas uma escala numa jornada que é forçoso prosseguir»

Por Jornal Rostos

“Este trabalho não é um produto acabado”, referiu Alfredo Maia, “e significa que temos agora que exigir mais de nós”. O futuro passa, segundo o presidente do SJ, pela assumpção da responsabilidade do seu trabalho, por parte dos jornalistas, e pela capacidade de avaliar os efeitos do seu trabalho, que deve ser regulado pelo rigor, pela honestidade e pelo escrúpulo deontológico.

“Hoje em dia existem grandes armadilhas no trabalho dos jornalistas, capazes de desafiar a sua integridade profissional, mais ainda em tempos de crise”, disse Alfredo Maia, alertando que “é necessário ir além da abordagem superficial”.

Na Sessão de Abertura tomou ainda a palavra Armando Leandro, presidente da CNPCJR. O Juiz Conselheiro referiu-se a este como um “projecto partilhado, fruto de cinco seminários, onde a reflexão e a troca de experiências entre comissões de protecção de crianças e jovens, jornalistas e personalidades, permitiram um conhecimento recíproco intenso, e uma base de trabalho futuro fundamental”.

“Trata-se de conhecer e entender a extensão e limitações dos direitos e deveres de informar, e da sua aplicação a situações concretas”, salientou Armando Leandro, e “intensificar o papel dos media na promoção do papel das crianças como cidadãos de direito”. “Pretende-se que formemos as comissões enquanto fontes de informação e os jornalistas enquanto promotores do seu trabalho e da sua mensagem na protecção das crianças e jovens”, concluiu.

Quanto aos Guias de Intervenção, Armando Leandro explicou que são o “fruto do trabalho de um grupo de pessoas muito experientes e formadas, para a prevenção e reparação primária e secundária de situações de perigo”. É um projecto que dá um “grande contributo para a clara consciencialização da importância da ética, inspiradora da procura do bem, individualmente ou a nível colectivo”.

Isabel Mota, administradora da Fundação Calouste Gulbenkian encerrou a Sessão de Abertura e deu as boas-vindas ao evento e aos conferencistas, salientando o seu contributo para um tema que considerou de “importância fulcral”.

Combater o simplismo dos media, e empoderar as audiências

“Combater o simplismo de jornalistas e patrões de imprensa (…), e fornecer a todos os actores sociais instrumentos que lhes permitam produzir, descodificar e aceder ao processo comunicacional, para através dele esclarecer melhor e denunciar procedimentos incorrectos”, sugeriu Adelino Faria, jornalista, durante a sua conferência esta manhã, no seminário da CNPCJR. “Dito em cinco palavras: informar e entender melhor”, alertou Adelino Gomes.

O jornalista falou daquele que, para ele, é “o grande acontecimento deste seminário”, a apresentação do Manual de Competências Comunicacionais, compilado por Orlando César, presidente do Conselho Deontológico dos Jornalistas. Neste projecto, Adelino Gomes salientou a principal virtude do manual, que “permite a capacitação simultânea dos diferentes actores do processo sobre o qual aqui reflectimos – neles incluídos os jovens em risco, preocupação central deste seminário”.

Partilhar direitos e responsabilidades é essencial para este jornalista, que defende que seja mais interventivo o papel de todos os actores do processo: media, políticos, reguladores, instituições, especialistas e audiências em geral. “Do lado da edição, saber ver e saber fazer ver; do lado da recepção, saber ler, ver e ouvir, saber compreender, e poder dar a ver e a ouvir”, salienta Adelino Gomes.

O jornalista, com grande experiência profissional e competência reconhecida, estudioso da comunicação social, percorreu diversos casos portugueses e internacionais em que, refere, sobressai o objectivo do entretenimento e info-entretenimento, longe do rigor e da verdade dos factos, e dos pontos de vista do que aconteceu. Os jornalistas erram, mas “vergonha não é errarmos, mas é perpetuarmos o silêncio sobre o erro. A questão não é sermos perfeitos. É sermos melhores”, defende Adelino Gomes, citando uma jornalista da Time.

O segundo painel do seminário dará lugar à apresentação do “Manual de Competências Comunicacionais”, pelo Centro Protocolar de Formação para Jornalistas, e tem início pelas 11h00. A moderação ficará a cargo de Cristina Santos, jornalista da TSF, e contará com a intervenção de Orlando César, jornalista e presidente do Conselho Deontológico do Sindicato dos Jornalistas.

O debate que se segue conta as intervenções de Lídia Maropo, investigadora do Centro de Investigação, Media e Jornalismo, e professora na Universidade Autónoma de Lisboa; José Paquete de Oliveira, sociólogo; Pedro Mourão, presidente da Carteira Profissional de Jornalista; Joana Marques Vidal, coordenadora do Ministério Público na área de Família e Menores na Região Autónoma dos Açores; Helena de Gubernatis, assessora de comunicação da UNICEF Portugal; Paula Ramos, representante da Região Autónoma dos Açores na CNPCJR; e João Brites, embaixador português do Ano Internacional da Juventude.

O Seminário continua à tarde, com a apresentação dos “Guias de orientação para profissionais na abordagem de situações de maus-tratos ou outras situações de perigo”, o culminar de um trabalho multidisciplinar que juntou vários intervenientes ligados às questões da infância e aos meios de comunicação social, e será um contributo muito relevante na promoção e garantia da protecção dos direitos das crianças e jovens vítimas de maus-tratos ou de outras situações de perigo.

O manual e os guias, que agora serão tornados públicos, resultam do trabalho desenvolvido pela CNPCJR, em parceria com o Instituto da Segurança Social (ISS, IP) e o Sindicato dos Jornalistas (SJ), e no âmbito do protocolo que reúne a CNPCJR, o ISS, IP, e a Generalitat Valenciana/Conselleria de Bienestar Social, no âmbito da execução do projecto “Novas metodologias de trabalho na área da divulgação, promoção e protecção dos direitos dos menores”, enquadrado numa candidatura aprovada pelo Quadro Estratégico Nacional (QREN) e Programa Operacional de Assistência Técnica (POAT).

Mais informações disponíveis em www.cnpcjr.pt em Destaques

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