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Mútua dos Pescadores – Setúbal / SesimbraDecréscimo do número de acidentes no mar corresponde ao decréscimo no número de pescadores

. Taxa de sucesso do Serviço de Busca e Salvamento reduz o número de situações trágicas, como foi o caso recente da tripulação do “Virgem do Sameiro”

Segundo divulgou a Mútua dos Pescadores, em conferência de imprensa, a tendência de decréscimo do número de acidentes de trabalho nas últimas três décadas – “de uma média anual de 3.219 na década de 80 para uma média de 1.415 na década de 2000”, é uma situação que, sublinha – “corresponde ao decréscimo no número de pescadores entre 1979 e 2009 (56%).”

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Mútua dos Pescadores – Setúbal / Sesimbra Decréscimo do número de acidentes no mar corresponde ao decréscimo no número de pescadores

Por Jornal Rostos

“Nas últimas 3 décadas, verificou-se um processo de renovação e modernização da frota de pesca através de ajudas públicas, de dotação das embarcações com mais e melhores meios de segurança, decorrentes do avanço tecnológico e do grau de exigências legais, de alargamento da formação profissional e de melhoria do funcionamento dos meios de apoio em terra. Estes investimentos tiveram certamente impactos na sinistralidade da pesca, a actividade profissional de maior risco do mundo do trabalho.” – foi salientado em Conferência de imprensa.
Sendo referido que – “a tendência de decréscimo do número de acidentes de trabalho neste período (de uma média anual de 3.219 na década de 80 para uma média de 1.415 na década de 2000) corresponde ao decréscimo no número de pescadores entre 1979 e 2009 (56%).”

Taxa de sucesso do Serviço de Busca e Salvamento

“As estatísticas apontam para uma diminuição da gravidade dos acidentes de trabalho, que geraram, em média, 30 dias de incapacidade na década de 80 e 21 dias na década de 2000. A taxa de mortalidade sofreu igualmente uma grande diminuição (uma média anual de 29 mortes na década de 80, 18 na década de 90 e 5 na década 2000).” – sublinha a Mútua dos Pescadores.
Recorda a Mútua que – “os dois primeiros anos da nova década estão a inverter esta tendência positiva, por força da ocorrência de um número anormal de naufrágios: das 44 mortes por naufrágio verificadas entre 2000 e 2011, quase metade - 48% - correspondem a estes 2 anos”.
No entanto, alerta a Mútua dos Pescadores que esse número - «só não é muito superior graças à taxa de sucesso do nosso Serviço de Busca e Salvamento, de que o caso da tripulação do “Virgem do Sameiro” é um feliz exemplo.”»

Quebra de rendimentos das unidades económicas e das famílias

A Mútua dos Pescadores alerta para a – “quebra de rendimentos das unidades económicas e das famílias será, porventura, o factor que mais contribui para o agravamento da situação, sabendo-se que esses rendimentos dependem da quantidade e valor das capturas. Desenvolvendo-se a actividade piscatória em condições de mar e tempo não controláveis, muitas vezes arriscar significa sobreviver, ao mesmo tempo que a intensificação dos ritmos e das cargas de trabalho são potenciadores dos riscos”.

Indemnizações pagas pela Mútua dos Pescadores atingiram os 4 milhões de Euros

“Para além das vidas humanas perdidas, que não têm preço, os impactos económicos e sociais da perda de embarcações e postos de trabalho são enormes. Só entre 2009 e 2011, as indemnizações pagas pela Mútua dos Pescadores por perdas totais de embarcações de pesca atingiram os 4 milhões de Euros, uma soma muito elevada se atendermos à pequena dimensão da nossa frota e ao facto de muitas embarcações naufragadas não estarem seguras” – é referido.

Implementar medidas que garantam o alerta e a localização

“Daí a importância de implementar medidas que garantam, por um lado, o alerta, a localização e, portanto, o socorro mais rápidos e, por outro, a sobrevivência dos pescadores vítimas de naufrágio até que chegue o socorro. Mas também de actuar a montante, dotando as embarcações de mais e melhores meios de segurança, mas sobretudo dotando as tripulações de mais competências para saber identificar os riscos, prevenir os acidentes e actuar correctamente em caso de emergência. E, finalmente, de actuar a jusante, na reparação dos danos patrimoniais e, mais importante, ainda, na protecção dos pescadores e das famílias afectadas” – sublinha a Mútua dos Pescadores..

Sobre a Mútua dos Pescadores

A Mútua dos Pescadores, que em 2012 festejará 70 anos ao serviço da pesca, é uma cooperativa de utentes de seguros, sem fins lucrativos e dirigida pelos próprios pescadores. Desenvolvendo a sua missão económica de forma socialmente responsável, em cooperação com as entidades públicas e as organizações do sector, a Mútua tem considerado, desde sempre, a salvaguarda da vida humana no mar como a primeira frente de trabalho no âmbito da sua intervenção social, nomeadamente distribuindo farmácias de bordo (3.000 / ano), promovendo um programa de formação de que resultou a criação de uma rede de 836 responsáveis da segurança e saúde a bordo em 718 embarcações (nos próximos 2 anos mais 25 acções e 375 formandos), editando materiais de sensibilização, promovendo a investigação, integrando projectos nacionais e internacionais de desenvolvimento (CCC, Marleanet) e assegurando, de forma socialmente responsável, o apoio social e a protecção dos pescadores e suas famílias quando o pior acontece. Prova disso é o facto de proceder ao pagamento imediato das indemnizações e pensões por morte nos casos de desaparecimento no mar.

O trabalho realizado pela Mútua dos Pescadores contribuiu para a atribuição à Mútua da 1ª Medalha de Honra das Pescas do MADRP em 2000 e para a sua inclusão na Comissão Permanente de Segurança dos Homens do Mar, criada no ano passado por iniciativa governamental.

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