Técnicos de Turismo do Alentejo reúnem em Santiago do Cacém na segunda-feira“No Alentejo Há Mais Acolhimento”
O encontro com o lema “No Alentejo Há Mais Acolhimento” arranca às 09h30m com a receção aos participantes.

Por Jornal Rostos
Para as 09h45 está agendada a mensagem de boas vindas pelo presidente da Câmara Municipal de Santiago do Cacém, Vítor Proença e pelo presidente da Entidade Regional de Turismo do Alentejo, António Ceia da Silva, seguindo-se a apresentação do projeto RITA (Rede de Informação Turística do Alentejo) pela Empresa EDIGMA.
Após o almoço os técnicos de turismo vão visitar o Museu Municipal de Santiago do Cacém.
Localizado na Praça do Município mesmo em frente aos paços do Concelho, tendo de permeio o jardim público, o Museu está instalado desde 1972 no edifício que outrora foi Cadeia Comarcã. Notável exemplar da arquitetura civil oitocentista e projeto da autoria de Chiapa Monteiro, funcionou como cadeia até à construção do novo Tribunal, em 1968. Em 1972 e após obras de conservação e adaptação, este imponente edifício abriu as suas portas ao público como Museu Municipal. Quanto à fundação do Museu, reporta-se a uma época anterior a 1934, graças ao contributo valioso de uma figura ímpar de Santiago do Cacém, Dr. João da Cruz e Silva (1881-1948), que ao longo de décadas, reuniu um diverso espólio de Arqueologia e Numismática, doado ao Município.
O Museu apresenta um espólio arqueológico com peças representativas do paleolítico ao período medieval. Não estão disponíveis ao público.
A coleção de numismática apresenta um percurso de cunhagem de moeda balizado entre o século III a.c. e o advento da República, ilustrando e documentando de forma extraordinária a história local e nacional a que se juntam ainda um conjunto de cédulas e notas.
Do espólio do museu faz parte ainda uma vasta mostra etnográfica que tem sido enriquecida através de ofertas dos habitantes da região.
Do acervo do museu fazem parte peças ligadas, às artes decorativas, pintura, mobiliário, cerâmica, escultura, têxtil, documentação e fotografia.
Depois da visita ao Museu, segue-se uma passagem e breve explicação do Centro Histórico de Santiago do Cacém e uma visita guiada à Igreja Matriz de Santiago do Cacem, pelo Prof. Dr. José António Falcão da Diocese de Beja
Data: século XIII
A maior parte dos autores atuais afirma que o templo foi construído pelos cavaleiros espatários no decurso do século XIII, eliminando as hipóteses que os autores antigos atribuíam à fundação pagã do templo – fenícia, grega ou romana –, que era fundamentada pela iconografia apresentada pelas arcadas das naves.Na primeira metade do século XIV, o templo foi provavelmente beneficiado a expensas de D.ª Vataça Lascaris, donatária bizantina que deteve a comenda de Santiago do Cacém entre 1310 e 1336. No ano de 1530, aquando da comendadoria de Alonso Peres Pantoja, o templo recebeu uma profunda intervenção. No entanto, passados alguns séculos, a igreja acabou por ser alvo de duas novas intervenções: uma ocorrida em 1704, no tempo de D. Pedro II, e outra entre 1796 e 1830, esta última devida ao terramoto de 1755. A intervenção modificou a orientação da igreja – a entrada passou a fazer-se então pelo local onde estava a capela-mor – e as dimensões que até então detinha.
No final do século XIX, concretamente em 1895, a igreja foi palco de um incêndio, que provocou alguns estragos, sendo seguido de um outro, em 1912, que levou à transferência da paróquia para a igreja da Misericórdia. Em 1933, o arcediago António Rebelo dos Anjos, precavendo-se contra futuras destruições e incêndios, mandou renovar o interior – principalmente a capela-mor e os altares laterais – e o exterior da igreja.
O exterior do edifício destaca-se pelas imponentes linhas barrocas tardias, dirigidas por uma orientação verticalista, que privilegiou a marcação externa das três naves, e pelo movimentado frontão, de forte cariz cenográfico – com referências aos atributos do apóstolo Santiago. No alçado lateral Sul, destaca-se um portal gótico dos séculos XIII/XIV, denominado de Porta do Sol, onde prevalece uma figuração zoofitomórfica.
No interior pode-se observar as abóbadas manuelinas da antiga capela-mor e das naves laterais ou as arcadas quebradas, com a sua hermética iconografia cristã. A par destes elementos, podem também ser vistos os altares laterais, os azulejos do século XVII e o famoso alto-relevo gótico representando Santiago Mata-mouros, obra de escultura do século XIV, muito provavelmente oferecida por D.ª Vataça Lascaris.
A igreja está classificada como Monumento Nacional desde 1910. A Direção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais tem vindo, nos últimos anos, a beneficiar esta igreja com sucessivas obras de conservação e restauro.
Foi o desejo de dar a conhecer um espólio secular, entrosando com a história da igreja matriz, que levou a Câmara Municipal e a Diocese de Beja a unirem esforços para a organização do núcleo museológico do Tesouro da Colegiada, que abriu as suas portas ao público no dia 25 de julho de 2002.
Aqui podemos observar, para além do relicário do Santo Lenho, as obras de arte e um espólio notável destinados a servir sobretudo cerimónias litúrgicas.













