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Cáritas Diocesana de Setúbal na primeira linha do apoio socialCrise pode comprometer respostas aos mais necessitados

Apesar de tudo continuar a fazer para responder às necessidades mais urgentes dos mais desfavorecidos, a Caritas Diocesana de Setúbal teme que o agravamento da crise das restrições orçamentais venham a comprometer a resposta social da instituição.

6 min de leitura
Cáritas Diocesana de Setúbal na primeira linha do apoio social Crise pode comprometer respostas aos mais necessitados

Por Jornal Rostos

Assinalando o inicio da Semana Nacional da Caritas a Caritas Diocesana de Setúbal promoveu ontem (5 de Março), uma encontro com a comunicação social local, no Centro Social de Nossa Senhora da Paz, na Bela Vista. Aos jornalistas, responsáveis e técnicos da instituição, falaram sobre o trabalho desenvolvido no atendimento social, ou seja, a resposta ás necessidades mais básicas e urgentes da população da região de Setúbal.

Eugénio da Fonseca, Presidente da Cáritas Diocesana de Setúbal, deixou também uma nota sobre as outras respostas da instituição - infantários, lares, etc. - «aqui o que nos preocupa é a cada vez menor capacidade de contribuição das famílias o que pode comprometer em termos de orçamento e recursos a própria Cáritas». Este responsável explica as causas desta fragilidade financeira que subsiste há muito tempo «Nós temos mais de 1200 utentes dias aquém prestamos colaboração nas diversas valências dos quais certa de 670 não comparticipam, ou seja temos mais de 50% de utentes nesta situação. Assim temos que viver com a comparticipação daqueles que podem de acordo com o seu rendimento per capita. Aqui privilegiamos também a resposta à classe média e média-baixa o que não nos dá comparticipações muito elevadas. Depois temos os donativos que vêm de várias entidades mas que acabamos por canalizar para o atendimento social, o que faz com que não vá beneficiar os utentes diários mas os utentes do atendimento».

Este cenário agravou-se ainda mais com o acentuar dos efeitos da crise fazendo com que mesmo aqueles utentes das valências que poderiam pagar deixem muitas vezes de o fazer «desde o inicio da crise, sensivelmente de Setembro 2009 até agora já tivemos de incobráveis cerca de 32.000 euros, o que para uma instituição como esta faz toda a diferença».

Dra Graça Nunes, técnica responsável do atendimento social mostrou os números que mostram um aumento substancial do número de pessoas a procurarem este serviço. No último ano registou-se o aumento de 74 Agregados Familiares que por consequência fez aumentar o número de indivíduos atendidos que passaram de 735 em 2010 para 946 em 2011. Graça Nunes referiu ainda que o «número total de atendimentos não reflecte só o aumento do número de famílias que recorreram à instituição mas também o aumento das carências de cada família fez com que elas viessem mais de que uma vez ao atendimento».

Atendimento Social Diocesano - Famílias das Paróquias de Setúbal são as que mais procuram o serviço

Os dados relativos ao Atendimento Social Diocesano revelam que são as famílias provenientes das Paróquias da cidade de Setúbal que mais recorrem à ajuda da Caritas Diocesana e de entre estas as famílias das Paróquias mais próximas do Centro Social de Nossa Senhora da Paz situado na Avenida Francisco Fernandes, no Bairro da Bela Vista. Assim as Paróquias de Nª Senhora da Conceição e S. Sebastião ocupam os primeiros lugares.

Baixos rendimentos e desemprego motivam procura de apoio

As razões que mais levam à procura do apoio social continuam a ser a insuficiência de rendimentos e o desemprego. Um dado curioso é que as questões ligadas à saúde registou um aumento substancial de procuras de ajuda o que, segundo os técnicos da Caritas está ligado ao aumento das doenças do foro psíquico e psiquiátrico no seio das famílias.

Necessidades de apoio alimentar continua elevada

As necessidades alimentares das famílias também foram bastante elevadas, problema a que a Caritas conseguiu responder em 2011 com diversas soluções ao abrigo de protocolos como os tikets restaurante, para descontar nos supermercados e o apoio financeiro da Portucel que reverteu em apoio directo às famílias. Neste Âmbito destaca-se também o trabalho da Paróquia de Nª Senhora de Fátima – Faralhão e Praias do Sado- e Nºª Senhora da Conceição que para além de identificarem as famílias carenciadas, estabeleceram parcerias com o comercio local para o fornecimento de bens a essas mesmas famílias.

Fundo Social Solidário

Outra resposta que está no terreno na região de Setúbal é o Fundo Social Solidário que «é um serviço de acção social da Igreja Católica, instituído pela Conferência Episcopal Portuguesa e destina-se sobretudo a famílias com carências económicas provocadas pelo desemprego que tem assolado estas famílias» referiu Isabel Rodrigues da equipa diocesana.

Verbas reduzidas podem comprometer ajudas – «neste contexto o que fazemos é sempre paliativo»

«Os nossos apoios ficam sempre aquém pois são tantos os problemas que as mesmo que a ajuda das pessoas seja substancial as verbas esgotam-se logo» e dá exemplos «da campanha de Natal vão estar agora disponíveis cerca de 8.000 euros o que se formos ver isto fica rapidamente reduzido a nada face às necessidades»
O aumento da procura da ajuda por parte da Caritas de Setúbal, que tem já um tempo de espera de rês semanas, está a causar problemas também ao nível dos recursos humanos como referiu Eugénio da Fonseca «temos já voluntários a fazer o atendimento e todas estas técnicas que foram recrutadas para outros serviços, têm que fazer o atendimento. Este é que é para nós o drama real pois podemos nem conseguir resolver os problemas das pessoas mas a nossa filosofia não é virar-lhes as costas, temos obrigação de, pelo menos, ouvi-los. Temos consciência de que, neste contexto, o que fazemos é sempre paliativo».
Também nas respostas aos portadores de HIV/SIDA e aos sem-abrigo, cujos dados foram apresentados por Isabel Monteiro, fica o alerta para a degradação das condições «com a nova estratégia de apoio aos sem-abrigo este passa a considerar também os que vivem em habitações degradadas e falta de meios. Com a iminência da Segurança Social cortar o reembolso à nossa instituição estão em risco de virem para a rua cerca de 120 a 130, isto só para referir os utentes do nosso centro social de S. Francisco Xavier».

Apelos ao Estado e à sociedade civil
Face às dificuldades e questionado sobre a intervenção do estado no apoio social Eugénio da Fonseca refere que «o apoio do Estado e face também aos cortes orçamentais, deve ser mais no sentido no investimento na criação de uma maior estabilidade e coesão social».
Aos restantes cidadãos fica o apelo ao contributo generoso no peditório que irá decorrer já entre os dias 8 e 10 de Março. Outra acção de solidariedade que marca o programa da semana da Caritas é o “Jantar Solidário” em favor dos desempregados da Região de Setúbal no dia 10 pelas 20 horas na Quinta Casas Velhas – Charneca da Caparica.

Rui Nobre

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