Filme de António Pedro Vasconcelos em Setúbalna próxima sessão do Clube de Cinema

Por Jornal Rostos
Porque nem todos os filmes portugueses são lentos; porque nem todos os filmes portugueses são desprovidos de história; porque nem todos os filmes portugueses são feitos de pele à mostra e palavrôes; e, sobretudo, porque nem todos os filmes portugueses têm o Nicolau Breyner, o Clube de Cinema de Setúbal dedica Março ao cinema nacional. É português? Não presta! - para acabar com as ideias feitas. Como sempre, as sessões decorrem todas as quartas, no bar-galeria La Bohéme, a partir das 22horas, com entrada gratuita.
Programação:
Dia 14 - "O Lugar do Morto", de António Pedro Vasconcelos (1984) - 120m
Convencionou-se chamar o lugar do morto ao que vai ao lado do condutor. Foi com este "O Lugar do Morto" que António Pedro Vasconcelos começou a habituar-se a bater os recordes de bilheteira do cinema português. Por um lado, por nele participarem algumas caras conhecidas dos ecrãs televisivos, mas por outro por serem policiais desempoeirados e escorreitos. Aqui, Pedro Oliveira é a testemunha ocular de um suicídio que, ao depor à polícia, omite deliberadamente a presença da amante no momento do acidente. No lugar do morto.
Dia 21 - "Coisa Ruim", de Tiago Guedes & Frederico Serra (2006) - 93m.
O género de terror não tem propriamente grande tradição no cinema português. "Coisa Ruim" é uma das excepções que confirmam a regra: filme de terror psicológico, em uma variação do subgénero da casa amaldiçoada, que mergulha na portugalidade das mezinhas e bruxarias do Portugal profundo. Curiosamente, foi também a estreia da dupla Tiago Guedes e Frederico Serra nas longas-metragens, tendo tido honras de abertura do Fasntasporto de 2006.
Dia 28 - "A Janela (Maryalva Mix)", de Edgar Pêra (2001) - 104m.
Edgar Pêra, que já foi elevado a herói independente pelo Indie Lisboa, é o mais (hiper)activo, experimentalista e prolífero realizadores nacionais. Dos seus filmes nunca se sabe o que podemos encontrar. Em "A Janela (Maryalva Mix)" mergulhamos no seu universo de referências pop, numa crónica sobre o último marialva português - um Zezé Camarinha da Bica -, numa fusão entre o universo nórdico que Vasco Granja apresentava, o fado, o bairrismo lisboeta, a tradição portuguesa, o LSD e muita esquizofrenia.













