Região de SetúbalAtenção aos falsos rastreios de doenças de coração
Os alvos são casais e para a realização dos alegados rastreios são utilizadas entidades credíveis (religiosas e outras) para dar credibilidade às acções.

Por Jornal Rostos
O Rostos teve conhecimento de um caso real de um casal que foi atraído para o alegado rastreio e que nos contou como tudo aconteceu: «começou com um contacto telefónico de uma senhora que se identificou como enfermeira do instituto do coração dizendo que tinha sido seleccionada para um rastreio gratuito ao coração e perguntou se estava disponível em determinada data para uma série de exames num local que de imediato reconheci por me ser bastante familiar e merecer a minha confiança» referiu a nossa fonte acrescentando «a senhora perguntou pelo meu marido e disse que também deveria ir e perguntaram se tínhamos antecedentes de doenças cardiologicas na família».
Depois de ter demonstrado disponibilidade em participar no rastreio os contactos seguiram-se com alguma persistência mas nada que fizesse duvidar das reais intenções «pouco tempo depois ligaram a dizer que no dia do exame devia levar a medicação que estivesse a tomar e que iriam fazer um electrocardiograma pelo que não poderia beber café ou chá nesse dia». Ainda neste contacto foi anunciado que seriam contactados por uma Doutora o que aconteceu pouco tempo depois por parte de alguém que se identificou como tal e que queria confirmar a presença no exame.
Nos contactos telefónicos foi também referido que estes rastreios costumam ter lugar em unidades móveis daquele serviço mas devido ao mau tempo se realizariam no local referido. Num outro contacto foi também solicitado que comparecessem no local trinta minutos antes da hora para uma inscrição devendo para isso dirigir-se a uma pessoa indicada. Foi ainda mais uma vez confirmado se a nossa testemunha conhecia o local.
«Na data e hora combinada fui com o meu marido ao local indicado onde ninguém sabia de nada e depois foi-nos indicado um outro local por alguém que se encontrava nas imediações e que mais tarde soubemos que tinha também estado no tal “rastreio”» . Algum tempo após a hora combinada este casal foi avisado, por um conhecido, das reais intenções dos autores desta acção que se destinava a vender colchões entre outros artigos.
Abandonando de imediato o local dirigiram-se a casa onde, pouco tempo depois, foram contactados pelo telemóvel cujo número haviam entretanto fornecido «a conversa começou logo de uma forma agressiva onde me perguntaram se estava muito atrasada. Respondi que já tinha estado no local, que afinal não era o inicialmente combinado e mostrei-me indignada pelo facto de ter descoberto as verdadeiras intenções e por utilizarem o nome de instituições credíveis».
A resposta veio de forma ainda mais rude «a tal senhora disse-me que eu não tinha estado lá e que não devia ter falado com mais ninguém além da pessoa por ela indicada. Quando comecei a confrontar as suas alegações descrevendo as pessoas que tinha visto e tudo o que estava no local, cartazes etc, ela desligou o telefone».
R.N.













