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Moldura

O Diretor-Geral da FAO, José Graziano da Silva,destaca a riqueza da quinoa, considerada o “superalimento” da América do Sul

O presidente da Bolívia, Evo Morales, foi nomeado Embaixador Especial da FAO para o Ano Internacional da Quinoa, que as Nações Unidas vão celebrar em 2013. A cerimónia decorreu durante a abertura do Conselho da FAO realizada hoje em Roma, durante a qual Evo Morales também realizou uma reunião bilateral com o Diretor-Geral, José Graziano da Silva, e participou numa sessão especial focada na quinoa, também conhecida como o “superalimento” da América do Sul.

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Por Jornal Rostos

“Face ao desafio de alimentar a população mundial num contexto de mudança climática, a quinoa aparece como uma alternativa para os países que sofrem de insegurança alimentar”, salientou o Diretor-Geral da FAO, José Graziano da Silva no seu discurso.

Após a sua nomeação, Evo Morales agradeceu em nome do povo boliviano e dos países andinos a designação por parte da ONU de 2013 como Ano Internacional de Quinoa, “um momento histórico”, segundo o presidente boliviano. “Depois de tantos anos a Organização das Nações Unidas reconhece este cereal como um dos alimentos mais importantes para a vida. Este reconhecimento não só enaltece o valor nutritivo da quinoa como um alimento saudável, mas também os conhecimentos e práticas dos povos indígenas que, em harmonia com a natureza, têm mantido, controlado e preservado a quinoa no seu estado natural como alimento para as gerações presentes e futuras”.

“A quinoa é um legado ancestral, produz-se há mais de 7.000 anos e é apresentada como uma alternativa segura para a atual crise de alimentos pois permite que se obtenham bons rendimentos e é muito resistente à geada”, afirmou Morales enquanto recordava episódios da sua infância como pequeno produtor de quinoa em Orinoca, o seu local de origem.

Morales salientou também as propriedades deste cereal na redução da anemia e do colesterol e a sua adequação para a manutenção de uma dieta equilibrada por possuir “uma elevada percentagem de ácidos gordos insaturados”. “Antes, por ignorância em relação às propriedades da quinoa, foi considerada o alimento dos índios. Pouco a pouco estamos a ultrapassar essa imagem e é cobiçado por consumidores seletos dos EUA e da Ásia. Agradeço esta nomeação. A partir de agora vamos trabalhar juntos, partilhando as nossas experiências com os povos do mundo ", concluiu Morales.

Durante a cerimónia, Graziano da Silva destacou que o esforço da FAO para melhorar quinoa faz parte de uma ampla linha de trabalho desenvolvida para recuperar as culturas tradicionais ou esquecidas, como forma de combater a fome e promover uma alimentação saudável.

A quinoa é o único alimento vegetal que tem todos os aminoácidos essenciais, oligoelementos e vitaminas e também tem uma capacidade extraordinária de adaptação. A quinoa pode ser cultivada em áreas com uma humidade relativa entre os 40% e os 88%, a partir do nível do mar e até aos quatro mil metros e pode resistir a temperaturas entre -8 °C e os 38 °C.

“A sua riqueza não se encontra apenas nos grãos das suas coloridas panículas – explicou Graziano da Silva -, mas também no conhecimento acumulado dos povos andinos, que preservaram as suas muitas variedades, melhoraram o seu rendimento e desenvolverem uma gastronomia em torno da quinoa”.

A Assembleia Geral das Nações Unidas, por iniciativa do governo boliviano, declarou 2013 como o Ano Internacional da Quinoa sob o lema “um futuro semeado há milhares de anos”. É um produto semelhante aos cereais, com um elevado valor nutritivo e com um elevado teor de proteína e micronutrientes. A quinoa teve uma grande importância nutricional para as civilizações pré-colombianas andinas, em segundo lugar a seguir à batata. O Ano Internacional da Quinoa visa atrair a atenção mundial sobre o papel desta cultura no apoio à segurança alimentar e nutricional e à erradicação da pobreza.

Após a sua nomeação como embaixador especial para o Ano Internacional da Quinoa, Evo Morales tornou-se um novo membro do Programa de Embaixadores da Boa Vontade da FAO, que tem como objetivo reconhecer a importância do papel desempenhado por várias pessoas na promoção da segurança alimentar.

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