Saltar para o conteúdo
Moldura

Novo esforço para harmonizar a medição dos impactos ambientais da pecuária

Uma nova parceria liderada pela FAO vai procurar melhorar a forma como os impactos ambientais da indústria pecuária são medidos e avaliados, um primeiro passo necessário para melhorar a sustentabilidade deste importante sector de produção alimentar.

A pecuária e o consumo de produtos de origem animal dão um contributo crucial para o bem-estar económico e nutricional de milhões de pessoas em todo o mundo – especialmente nos países em desenvolvimento.

4 min de leitura

Por Jornal Rostos

No entanto, com o constante aumento do consumo mundial de carne, produtos lácteos e ovos, cada vez mais atenção está a ser dada ao desempenho ambiental do sector da pecuária – eficiência com que utiliza os escassos recursos naturais, impactos sobre os recursos hídricos e forma como contribui para as alterações climáticas.

Na recente conferência sobre desenvolvimento sustentável Rio +20, os governos acordaram sobre a necessidade de tornar a produção agrícola mais sustentável e salientaram, em particular, a necessidade de mudar para sistemas de produção pecuária mais sustentáveis.

Atualmente, diversos métodos estão a ser usados ??para medir e avaliar os impactos ambientais da atividade pecuária, o que torna difícil comparar os resultados e definir prioridades para melhorar o desempenho ambiental ao longo das cadeias de produção.

“Temos de estabelecer um entendimento comum sobre como avaliar o desempenho ambiental do sector da pecuária”, afirmou Pierre Gerber, responsável da FAO pela política pecuária. “O objetivo é melhorar esse desempenho e criar formas mais sustentáveis ??de produção, que continuem a fornecer alimentos e rendimentos. Para isso, precisamos de informações quantitativas fiável ??sobre os principais parâmetros ambientais das cadeias de produção animal, como base objetiva para impulsionar melhorias.”

Trabalhar em conjunto

A FAO e os seus parceiros, governos, setor privado e ONGs, vão trabalhar em conjunto em várias frentes para reforçar a base científica da avaliação ambiental das cadeias de produção animal.

As atividades planeadas para a primeira fase de três anos incluem:

• Estabelecer métodos científicos e orientações para quantificar a pegada de carbono da pecuária, compreendendo diferentes tipos de operações e sistemas de criação de gado;

• Criar um banco de dados de emissões de gases gerados na produção de diferentes tipos rações animais – a produção e utilização de rações oferecem oportunidades significativas para reduzir as emissões na pecuária.

• Desenvolver uma metodologia para medir outros fatores ambientais importantes como o consumo da água e as perdas de nutrientes.

• Iniciar uma campanha de comunicação para promover o uso de metodologias e resultados da parceria promovida pela FAO.

Entre os membros fundadores desta parceria destacam-se: os governos da França, Irlanda, Holanda e Nova Zelândia, a Federação Europeia dos Fabricantes de Alimentos Compostos para Animais (FEFAC, na sigla inglesa), a Indústria Europeia de Óleos vegetais e Farinhas Proteicas (FEDIOL, na sigla inglesa) a Federação Internacional dos Lacticínios (IDF, na sigla inglesa), o Secretariado Internacional da Carne (IMS, na sigla inglesa), a Comissão Internacional dos Ovos (IEC, na sigla inglesa), o Conselho Internacional Avícola (IPC, na sigla inglesa), a Federação Internacional de Saúde Animal (IFAH na sigla inglesa) e o Fundo Mundial para a Vida Selvagem (WWF, na sigla inglesa).
Espera-se que mais membros se juntem nos próximos meses a esta parceria.
O Secretário desta parceria localiza-se na FAO.

O imperativo da sustentabilidade

A FAO estima que a procura por produtos de origem animal vai continuar a intensificar-se nas próximas décadas. Espera-se que o consumo de carne aumente em quase 73 por cento até 2050, enquanto o consumo de produtos lácteos vai aumentar em 58 por cento em relação aos níveis atuais.
“Este crescimento contínuo da procura vai ocorrer num contexto de crescente competição por recursos limitados e decrescentes, de desafios adicionais colocados pelas alterações climáticas, e da necessidade de tornar a produção alimentar mais sustentável”, afirmou Henning Steinfeld, chefe do Departamento de Informação, Análise e Política Pecuária da FAO. “Temos de proteger este importante setor alimentar e, para isso, é fundamental melhorar a eficiência no uso dos recursos naturais e o seu desempenho em termos de sustentabilidade”

Ana Muller

Publicidade

Notícias relacionadas

Publicidade

Notícias por secção