Gala do Cante abre o último fim de semana da bienal cultural Monsaraz Museu Aberto

Por Jornal Rostos
Este espetáculo de Cante e Fado em homenagem a Alberto Janes e Manuel Conde decorre no Largo D. Nuno Álvares Pereira e vai ser gravado para transmissão na noite de 4 de agosto na RTP1. A Gala do Cante terá atuações de Cuca Roseta, António Zambujo, Mário Moita e Grupo Coral da Freguesia de Monsaraz, mas também haverá poesia com Manuel Sérgio, acompanhado à viola por José Manuel Farinha.
A assistir ao espetáculo vai estar António José Seguro, Secretário-geral do PS e Conselheiro de Estado. Na sequência do convite da autarquia a todos os líderes partidários no âmbito da bienal cultural, António José Seguro vai ser recebido pelas 17h15 no Salão Nobre dos Paços do Concelho, seguindo-se uma visita à CARMIM – Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz e ao Centro Oleiro de S. Pedro do Corval, o maior do país com 22 olarias em atividade. Às 19h30 o Secretário-geral do PS vai visitar a vila medieval de Monsaraz e as exposições patentes no Monsaraz Museu Aberto.
Esta bienal cultural teve início no dia 13 de julho e está a celebrar a recente escolha do Fado como Património Cultural Imaterial da UNESCO, pretendendo também expressar a importância cultural, social e histórica do Cante alentejano enquanto merecedor de igual estatuto. O Monsaraz Museu Aberto teve a sua primeira edição em 1986 e realiza-se com periodicidade bienal desde 1998.
No sábado, dia 28 de julho, às 22h, sobe ao palco Jorge Roque & Projeto Madrugada, que vai apresentar no Largo D. Nuno Álvares Pereira um espetáculo único em que a fusão entre a sonoridade jazz/pop do grupo se junta ao Fado e ao Cante alentejano. Jorge Roque, que está a preparar o seu primeiro trabalho discográfico a solo, vai ter a participação neste concerto de três músicos de Reguengos de Monsaraz, nomeadamente Kajó Soares (saxofone), Herlander Medinas (baixo elétrico e contrabaixo) e Luís Lopes (clarinete).
A 20ª edição do Monsaraz Museu Aberto vai fechar no domingo com a atuação da fadista Maria Ana Bobone, pelas 22h, na Igreja de Nossa Senhora da Lagoa. Esta voz da nova geração do fado vai apresentar o seu quarto trabalho discográfico intitulado “Fado & Piano”, que pode ser considerado uma celebração do Fado como património mundial. Neste disco, Maria Ana Bobone, para além de cantar acompanha-se a si própria ao piano, faz todos os arranjos, compõe temas originais, assina pela primeira vez algumas letras e liderou a conceção do projeto.
A bienal cultural vai proporcionar observações astronómicas no dia 28 de julho a partir da meia-noite. O Grande Lago Alqueva é o primeiro destino no mundo a obter a certificação Starlight Tourism Destination atribuída pela UNESCO e pela Organização Mundial do Turismo.
O Monsaraz Museu Aberto tem exposições patentes todos os dias do festival. No Museu do Fresco está a exposição “Monsaraz na História”, em que o Município de Reguengos de Monsaraz pretende mostrar alguns acontecimentos da história de Monsaraz que permaneceram desconhecidos. Ao longo de cinco séculos, desde a Idade Média até meados do século XIX, factos como a instituição da Misericórdia, o Celeiro Comum, a lenda dos dotes de casamento, o texto da aclamação de D. João IV, entre outros, são apresentados ao público através de documentos, ilustrações, fotografias e textos explicativos.
A Art Brut do pintor-escultor italiano Moss pode ser apreciada no Jardim da Universidade. A exposição de escultura “Totens” apresenta estátuas, faces de ilhas longínquas, da Páscoa, da Papuásia ou tribos de homens nus em totem-tríptico.
Na Casa Monsaraz está patente o ateliê de trabalho ao vivo “Oficina da Terra”. Tiago Cabeça e Magda Ventura iniciaram a sua atividade em 1998 na Olaria Guimarães Velho, em S. Pedro do Corval, maior centro oleiro do país, tendo depois decidido dedicar-se ao projeto Aldeia da Terra, um jardim de esculturas localizado em Arraiolos e classificado de Interesse Cultural pelo Ministério da Cultura. Composta por milhares de pequenas esculturas em terracota, a Aldeia da Terra localiza-se numa área de três mil metros quadrados a céu aberto e está em permanente crescimento.
“Sementes do Universo”, assim se intitula o ateliê de pintura que Alice Alves está a apresentar na Igreja de Santiago. A natureza que temos de proteger é a sua fonte contínua de inspiração e o seu objetivo é que as pessoas que veem as suas obras reflitam sobre a existência e a exigência da vida, da natureza e dos seres vivos.
Sarah FitzSimons e José Carlos Teixeira apresentam fotografia e vídeo provenientes de projetos recentes, cujos conceitos em comum são a relação do corpo com a arquitetura (tanto física como psicologicamente) e a relação da arquitetura com o lugar. Para Sarah FitzSimons, lugar enquanto espaço natural, geográfico e geológico, e para José Carlos Teixeira enquanto espaço urbano, político e histórico. Reunidos pela primeira vez em colaboração artística, o seu objetivo é também dialogar com a arquitetura específica e a carga histórica da Casa da Inquisição, que acolhe esta exposição. Os trabalhos que podem ser apreciados nesta mostra intitulada “Ponto e Coordenada” são “House for MandØ”, em que Sarah FitzSimons desenha com tubos de alumínio uma casa a três dimensões, em escala real, implantando-a numa planície de maré no Mar de Wadden (Dinamarca), e “Being Other (a new community)” que consiste num vídeo desenvolvido por José Carlos Teixeira e um grupo de colaboradores na Bienal de Kaunas 09 (Lituânia).
Na Torre de Menagem está patente a exposição de fotografia “Gentes de Monsaraz”, elaborada a partir de fotografias cedidas por diversas famílias da freguesia de Monsaraz e do espólio do Arquivo Municipal de Reguengos de Monsaraz. Através destas imagens pode-se percorrer décadas da história de Monsaraz e da sua memória coletiva, relembrando as gentes e os ofícios, alguns momentos importantes e a transformação dos lugares, dos costumes, da sociedade e da vila de uma forma global.
A Casa Lagareiro recebe duas exposições de tauromaquia. “Mestre Batista – Uma vida, um património” reúne o espólio do cavaleiro tauromáquico que nasceu em S. Marcos do Campo, freguesia do concelho de Reguengos de Monsaraz e que conquistou os aficionados pela sua forma ousada de lidar os toiros. Rapidamente começou a lidar junto de grandes nomes da tauromaquia, tendo toureado em Portugal, Angola, Moçambique, Macau, Espanha e França. Ganhou três vezes o prémio “Bordalo” na categoria de tauromaquia como “melhor cavaleiro”, em 1963, 1964 e 1971.
A outra mostra patente na Casa Lagareiro é de Lucia Parra e intitula-se “Tauromaquia”. A exposição é composta por quadros a óleo e desenhos de momentos que se vivem numa corrida de toiros. A pintora espanhola tem explorado nos últimos anos a pintura taurina, um gosto enraizado na sua família materna e na sua localidade de nascimento, Villanueva del Fresno.
Uma viagem pelas paisagens, costumes e tradições de Monsaraz é a proposta que pode ser apreciada na Rua Direita. Trata-se de uma projeção de imagens que transporta os espetadores por recantos novos e antigos que caraterizam as vivências e estados de alma dos habitantes de Monsaraz.













