O setor privado é essencial para combater a fomeO BERD e a FAO apelam ao agronegócio para que aumente os investimentos do Mar Negro ao Mediterrâneo
Por Jornal Rostos
Na conferência de alto nível, em Istambul, centrada na promoção do investimento privado e do comércio agrícola desde o Mar Negro até ao Mediterrâneo, uma vasta área com alto potencial de maior produção de alimentos, mas também com sérios desafios de segurança alimentar, o BERD e a FAO apelaram ao setor privado, tanto nacional como estrangeiro, para que invista massivamente na agricultura de forma responsável, o que é essencial para resolver as questões de segurança alimentar de longo prazo.
Além disso, as duas organizações apelaram aos governos para que criem um ambiente político favorável que promova os investimentos do sector privado.
“É provavelmente o maior encontro do setor privado já organizado para discutir segurança alimentar, ficámos impressionados com a resposta positiva por parte de todas as empresas que foram convidadas”, disse o Presidente do BERD, Sir Suma Chakrabarti, aos líderes do agronegócio e decisores políticos de alto nível, acrescentando: “Isto mostra que o setor privado está preocupado com a segurança alimentar. Esta reunião é mais um passo em frente para ajudar o setor privado a aumentar a produção e o emprego, utilizando a experiência do BERD e da FAO nos sectores alimentar e agrícola”.
“Não nos podemos libertar da fome – não pode haver segurança alimentar – sem a participação ativa de todos os setores da sociedade, incluindo o setor privado”, afirmou o Diretor-Geral da FAO, José Graziano da Silva durante a conferência.
Acrescentou também que, além de importantes investimentos e contribuições financeiras e em natureza o setor privado pode fazer uma outra importante contribuição que “não é fácil de quantificar, mas que é crucial: o apoio político que o setor privado pode dar à segurança alimentar. Temos de alcançar consensos e mobilizar todos os intervenientes para este objetivo. Com o apoio do setor privado, os esforços nacionais e internacionais para combater a fome têm ainda mais legitimidade.”
Integração
A conferência explorou formas de melhorar as condições para o comércio entre os países em transição e a faixa sul e leste do Mediterrâneo.
Além disso, com vista a desenvolver a agricultura e a maximizar a eficiência das cadeias alimentares, foram discutidos diferentes modelos de integração vertical. As cooperativas agrícolas foram apontadas como um dos modelos para apoiar sistemas alimentares mais inclusivos.
E, como o envolvimento do setor privado depende fortemente de políticas agrícolas, foi dada muita atenção a formas de promover o diálogo público-privado, para garantir que os principais parceiros podem fazer ouvir a sua voz durante os processos de formulação de políticas e, eventualmente, enriquecer as próprias políticas, tendo em conta o especial interesse de milhões de pequenos agricultores.
Cadeia alimentar
No início deste ano, o BERD e a FAO intensificaram os seus esforços para promover o investimento do sector privado no agronegócio na região sul e leste do Mediterrâneo do BERD, (SEMED) refletindo o trabalho das duas organizações para reforçar as ligações com o setor privado e a sociedade civil no combate à fome e na promoção do desenvolvimento sustentável.
O BERD e a FAO estão a atribuir e a mobilizar investimentos em infraestruturas e equipamentos e a melhorar o acesso dos agricultores ao financiamento, graças à reforma das transações seguras, que lhes permitirá oferecer colheitas e equipamentos como garantia.
O BERD e a FAO também incentivam o uso eficiente dos recursos, o que significa produzir mais comida com menos água e menos fertilizantes.
Desde o início da sua parceria em 1994, a FAO e o BERD implementaram mais de 90 projetos de assistência técnica com um valor total de cerca de 12 milhões de dólares. Esses projetos têm ajudado a resolver problemas institucionais e regulamentares, bem como a melhorar a transparência e a eficiência ao longo de toda a cadeia de valor alimentar nos países onde o BERD está presente.
Fonte - FAO













