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Moldura

FAO e França apelam para um maior apoio de curto e longo prazo às populações vulneráveis

Uma melhor coordenação internacional e uma maior troca de informações estão a ajudar a aliviar a pressão nos mercados, afirmaram o Presidente francês, François Hollande e o Diretor-Geral da FAO, José Graziano da Silva durante uma reunião ontem em Paris.

6 min de leitura

Por Jornal Rostos

“A França partilha a posição da FAO e da ONU de que não estamos perante uma crise do preço dos alimentos, mas que temos de permanecer vigilantes”, afirmou Graziano da Silva.
Durante o encontro, Graziano da Silva reconheceu o papel desempenhado pela França para colocar a segurança alimentar e a volatilidade dos preços dos alimentos na agenda internacional.

O Presidente Hollande afirmou que “a velha ordem foi-se, mas a nova ainda não emergiu”, incluindo a necessidade de criar novos mecanismos de governança para enfrentar adequadamente a fome e os novos desafios para a segurança alimentar mundial no longo prazo.

“Agradecemos à França pela sua liderança em relação a estas questões”, afirmou Graziano da Silva. O estabelecimento do Sistema de Informação do Mercado Agrícola (AMIS, na sigla inglesa) pelo G20 em 2011 foi importante para melhorar a informação nos mercados e reduzir a volatilidade”, acrescentou Graziano.

O AMIS foi criado em 2011 para melhorar a transparência e os fluxos de informação nos mercados globais e para, através do seu Fórum de Resposta Rápida, promover uma melhor coordenação das respostas políticas à volatilidade dos preços dos alimentos.
A França tem presidido ao AMIS desde que foi criado. No final do mês, os Estados Unidos vão assumir a presidência por um período de 12 meses.
“A França tem feito um trabalho muito bom na presidência do AMIS durante este primeiro ano”, afirmou Graziano da Silva.

O Diretor-Geral expressou o seu apoio à convocação de uma reunião dos ministros da agricultura do G20 na sede da FAO em Roma, a 16 de outubro, aproveitando a oportunidade de que alguns ministros já haviam confirmado a sua presença na cerimónia do Dia Mundial da Alimentação e na sessão do Comité de Segurança Alimentar Mundial que terá lugar essa semana.
A reunião proposta permitiria a avaliar os progressos realizados no sentido de uma melhor governança nos mercados alimentares desde o estabelecimento do AMIS.
Na sua primeira reunião oficial, Hollande também reafirmou o seu compromisso para com a Organização e elogiou o trabalho que está a ser feito por Graziano da Silva.

Stocks de alimentos

Uma das opções discutidas para enfrentar o impacto da volatilidade dos preços dos alimentos foi a criação de stocks estratégicos de segurança alimentar para fornecer ajuda de emergência num momento de crise, tendo como alvo os países pobres. A França confirmou o seu apoio a um código de conduta para a gestão das reservas de alimentos destinadas à emergência humanitária. O trabalho sobre o código de conduta está a ser iniciado e incluirá todas as partes interessadas, afirmou o Diretor-Geral.
Salientaram também que tais ações não devem ser criadas com qualquer intenção de intervir nos mercados criando um teto para os preços, mas sim para servir, em conjunto com outros mecanismos de segurança, como almofadas em caso de eventos que possam ameaçar a segurança alimentar nacional.

Sahel

A necessidade de aumentar o apoio de curto, médio e longo prazo aos países pobres em desenvolvimento, como os da região do Sahel, também foi um dos temas da reunião de Paris.
“Vamos trabalhar em conjunto com outros parceiros para aumentar a ajuda aos países do Sahel. O nosso foco será evitar novas crises e reforçar a capacidade de resistência das populações locais vulneráveis, dando destaque à promoção de investimentos agrícolas e ao apoio dos meios de subsistência dos agricultores”, explicou o Diretor-Geral da FAO.

O programa de emergência da FAO na região do Sahel beneficia atualmente 3,8 milhões de pessoas através da produção de alimentos e gado, da proteção dos animais domésticos, da assistência técnica e das atividades de controlo do gafanhoto do deserto.
A região do Sahel da África tem sido duramente atingida por uma série secas, conflitos e pragas nas plantas. Atualmente, 18,7 milhões de pessoas estão a enfrentar insegurança alimentar e nutricional na região.
Um aumento do apoio ao Sahel foi discutido no âmbito de um novo acordo de cooperação assinado pela França e pela FAO.

França e FAO renovam acordo-quadro

A França e a FAO assinaram um acordo de quatro anos para reforçar a sua cooperação durante a visita do Diretor-Geral a Paris.
O acordo reforça a já existente sólida cooperação e concentra-se em questões emergentes de segurança alimentar e agricultura: a necessidade de uma maior sustentabilidade no nosso sistema alimentar, a necessidade de aumentar a resiliência das populações vulneráveis, a necessidade de reforçar o trabalho na definição de normas globais e de transpô-las para o nível nacional e a necessidade de continuar a aumentar a participação de todas as partes interessadas ??– governos, organizações internacionais e regionais, comunidade científica, setor privado e sociedade civil e organizações não-governamentais.
O Diretor-Geral e o Ministro Delegado para o Desenvolvimento da França, Pascal Canfin, assinaram o acordo numa cerimónia que contou também com a presença do Ministro da Agricultura da França, Stéphane Le Foll.

Organização Mundial de Saúde Animal

No começo do dia, Graziano da Silva reuniu-se com Bernard Vallat, Diretor-Geral da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), que tem sede em Paris. Eles concordaram em trabalhar para o estabelecimento de um acordo formal para lidar com as sobreposições de mandatos das duas agências e facilitar e melhorar a cooperação.

Durante a reunião foram mencionadas questões prioritárias que incluíram o controlo progressivo de doenças animais transfronteiriças; estratégias conjuntas e grupos de trabalho sobre febre aftosa, peste dos pequenos ruminantes e febre do Vale do Rift; estabelecimento de centros regionais de saúde animal; trabalho conjunto sobre doenças alimentares e transmitidas por animais selvagens; doenças aquáticas e da aquicultura.

Graziano da Silva destacou que o trabalho da FAO nesta área se deve concentrar sobre o mandato principal da organização relacionado com o combate à subnutrição, à fome e à pobreza extrema.

Fonte - FAO

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