Sociedade Portuguesa de Nefrologia alertaGravidez na IRC é possível mas pode agravar a disfunção renal
Por Jornal Rostos
Apesar da fertilidade diminuir à medida que agrava a disfunção renal, a mulher com insuficiência renal pode engravidar, sendo no entanto muito importante que conheça os riscos envolvidos para poder decidir de forma consciente o seu planeamento.
Fernando Nolasco, Presidente da Sociedade Portuguesa de Nefrologia, sublinha que “Numa doente com insuficiência renal a gravidez é de risco mas é possível e, mediante cumprimento perfeito das orientações dos especialistas envolvidos, pode mesmo vir a ter sucesso”. No entanto o especialista acrescenta que “Enquanto na população geral a incidência de preeclâmpsia é de 6 a 8%, na insuficiente renal esta patologia é mais grave e precoce, até 50%, implicando um grande risco de prematuridade.
Quando uma mulher com insuficiência renal decide planear uma gravidez, deve ter em conta que esta pode agravar a função renal e a tensão arterial, e que alguns medicamentos que toma, nomeadamente anti hipertensores, terão que ser substituídos por outros, pelo risco que representam para o feto, nomeadamente de malformações fetais.
Uma dieta saudável é fundamental em qualquer tipo de gestação mas na mulher com insuficiência renal o controle dietético é ainda mais essencial nos seus aspectos energéticos, proteicos e, principalmente, na quantidade de sódio, cálcio e potássio ingerida. Deve, por outro lado, evitar-se o consumo de sal para controlar a tensão arterial e a excessiva retenção de líquidos que é comum nestas doentes.
O mais importante quando uma mulher com insuficiência renal quer engravidar, e para o sucesso dessa gravidez, é a consulta, atempada e em conjunto, com o nefrologista, o obstetra e o nutricionista. As consultas devem ocorrem em intervalo reduzido, para constante avaliação da função renal, da tensão arterial, do peso e do desenvolvimento fetal.
Em Portugal, estima-se que 800 mil pessoas sofram de doença renal crónica. A progressão da doença é muitas vezes silenciosa, o que leva o doente a recorrer ao médico tardiamente, já sem qualquer possibilidade de recuperação.
Todos os anos surgem mais de 2 mil novos casos de doentes em falência renal. Em Portugal existem actualmente 16 mil doentes em tratamento substitutivo da função renal (cerca de 2/3 em diálise e 1/3 já transplantados), e cerca 2 mil aguardam em lista de espera a possibilidade de um transplante renal.













