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Moldura

Futuro da transplantação estános animais e nos órgãos artificiais

Escassez de dadores de órgãos faz avançar o estudo de transplantes de animais para o Homem e o desenvolvimento de órgãos artificiais, para além do recurso a dadores vivos. Conferência científica na CESPU promove a divulgação e atualização dos conhecimentos sobre a transplantação e duração funcional dos órgãos transplantados, bem como da investigação científica atual para se atingir a tolerância imunológica e, assim, tornar viável a transplantação de órgãos de animais para o Homem.

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Por Jornal Rostos

A aposta na investigação em transplantes entre diferentes espécies, do animal para o Homem, tal como o desenvolvimento de órgãos artificiais para colocar em humanos num futuro próximo, são áreas de que se ocupam muitos investigadores a nível mundial.
Portugal está nos primeiros lugares da Europa no que diz respeito à transplantação de órgãos. Em 2011 as taxas de transplantação renal, hepática, pancreática e cardíaca nacionais ficaram claramente acima das taxas médias europeias. E, no que diz respeito à transplantação pulmonar, alcançou-se os melhores resultados de sempre. Portugal atingiu 28,5% por milhão de habitantes no que se refere à colheita de órgãos em dadores cadáveres, enquanto a média da União Europeia se fixou nos 16%.
É necessário evitar uma prática de desperdício; assiste-se por vezes, ao desaproveitamento de potenciais dadores, como é o caso de doentes em morte cerebral, eventualmente por informação inadequada de médicos. Mantém-se a desproporção entre a necessidade (listas de espera) e a disponibilidade de órgãos. Por isso cada vez mais especialistas apelam à doação de órgãos em vida.

Para discutir estes temas e apresentar algumas das mais recentes investigações nesta área, a CESPU (Institutos Universitário e Politécnicos de Ciências da Saúde) realiza no seu campus universitário de Grandra, nos arredores do Porto, uma Conferência sobre Transplantação de Órgãos e Tecidos, na sequência de uma primeira no campus de V. N. de Famalicão Será no dia 20 de outubro (sábado), a partir das 9h00, e contará com especialistas como António Braga (ex-diretor do Serviço de Cirurgia Vascular do Hospital de São João) , Horácio Costa, diretor do Serviço de Cirurgia Plástica Reconstrutiva e Maxilofacial do Centro Hospitalar de Gaia/Espinho: este médico notabilizou-se a nível mundial quando reconstruiu com uma técnica pioneira, no ano passado, a mandíbula a quatro crianças portuguesas.

Esta conferência dedicada à divulgação científica pretende também discutir as resposta a dar a questões muito concretas, e atuais, acerca da procura, conservação e transplantação de órgãos e tecidos: pele e tecidos osteomusculares, pâncreas, fígado, coração e pulmão. Portugal é considerado internacionalmente como um caso de sucesso no que se refere ao transplante de órgãos. As técnicas utilizadas são das mais inovadoras e pioneiras do mundo, o que faz com que o país seja um pilar na formação de futuros cirurgiões da especialidade que tenham acreditação europeia.
Na Conferência, todavia, serão também apresentadas outras várias preocupações atuais; alguma descida na taxa de doação de dador-cadáver, a necessidade que ainda existe de importação de tecidos (nomeadamente de córneas, pele e osso) e a impossibilidade ainda existente, em Portugal, da colheita de órgãos em doentes com coração parado.

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