O Diretor-Geral da FAO insiste na necessidade de romper o ciclo vicioso da fome nos países áridosConferência internacional discute a segurança alimentar nas regiões áridas
A Conferência de dois dias reúne os governos, as instituições académicas, as agências e os bancos de desenvolvimento, a sociedade civil e o setor privado de 60 países para discutir a segurança alimentar, a água e os investimentos em países de regiões áridas.
Por Jornal Rostos
O objetivo é desenvolver recomendações de atuação sobre as três áreas mencionadas que contribuam para as futuras políticas, estratégias e investimentos para aumentar a produção agrícola, melhorar a segurança alimentar e aumentar a resiliência face às futuras flutuações de preços.
“Estamos a perder a batalha contra a fome em África e no Médio Oriente”, afirmou Graziano da Silva na Conferência, observando que o número de pessoas com fome nas duas regiões aumentou de 83 milhões para 275 milhões desde o início da década de 1990.
“A degradação dos recursos naturais nos países áridos ameaça mais de dois mil milhões de pessoas”, acrescentou.
Por este motivo, o Diretor-Geral convocou a comunidade internacional para trabalhar em estreita colaboração com esses países para quebrar o ciclo da fome, destacando a necessidade de:
• Melhorar a informação sobre as zonas áridas para apoiar uma gestão sustentável dos recursos solo e água,
• Aumentar a intensificação sustentável da agricultura e adaptar a produção às alterações climáticas;
• Desenvolver a resiliência das comunidades rurais através do aumento do investimento responsável em agricultura e desenvolvimento rural;
• Fortalecer a governança global da segurança alimentar com base no Comité de Segurança Alimentar Mundial (CSA), o órgão intergovernamental para as políticas alimentares.
“Os investimentos na agricultura são, talvez, a questão mais urgente que vai ser discutida hoje”, afirmou Graziano da Silva, acrescentando que esses investimentos têm de “respeitar os direitos, os meios de subsistência e os recursos de todos os envolvidos, especialmente dos mais vulneráveis”.
O Diretor-Geral da FAO explicou que as opiniões sobre os investimentos expressas durante a conferência vão contribuir para o processo de consulta de dois anos em todo o mundo, que será realizado sob os auspícios do CSA para desenvolver os princípios para o investimento responsável na agricultura.
“Na Conferência sobre o Desenvolvimento Sustentável Rio +20, realizada em junho, os líderes mundiais declararam claramente que o desenvolvimento não será sustentável enquanto centenas de milhões de pessoas permanecerem excluídas, através da fome e da pobreza extrema.”
“Se conseguirmos encontrar formas de garantir a segurança alimentar sustentável nas zonas áridas, estaremos no caminho certo para alcançar um mundo com fome-zero”, concluiu.
A Conferência Internacional sobre Segurança Alimentar nas Zonas Áridas é organizada pelo Programa Nacional de Segurança Alimentar do Qatar, com o apoio da FAO e de outras organizações internacionais e regionais.
Fonte - FAO













