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SETÚBAL - Ciclo de Dezembro do Clube de Cinematenta derrubar preconceitos para com filmes nacionais

"É português? Não presta!". Esta é uma frase recorrente de quando falamos de cinema português, que mantém um divórcio com o seu próprio público há vários anos. No entanto, lá fora, os cineastas lusos continuam a ganhar prémios e a serem alvo de homenagens e retrospectivas. Assim, para combater estereótipos e derrubar preconceitos, o Clube de Cinema de Setúbal dedica Dezembro ao cinema nacional, com muita ironia à mistura.

3 min de leitura
SETÚBAL - Ciclo de Dezembro do Clube de Cinema tenta derrubar preconceitos para com filmes nacionais

Por Jornal Rostos

Existem filmes portugueses maus. Muito maus, aliás. Mas também alguns bons. Assim, em Dezembro, o Clube de Cinema exibirá quatro grandes filmes nacionais dos últimos anos, de realizadores consagrados (João Canijo, Solveig Nordlund, Fernando Lopes e Marco Martins), que procurarão iverter um pouco este cenário. Sempre à quinta-feira, na Casa da Cultura, e com entrada a 1 euro.

Programação:

Dia 6 - Aparelho Voador a Baixa Altitude, de Solveig Nordlun - 2002 (80m.)
Para quem pensa que não existem filmes portugueses de ficção-científica, aqui está "Aparelho voador a baixa altitude" para o negar. Adaptado da obra homónima de J. G. Ballard, é um filme distópico e pós-apocalíptico onde as mulheres deixam de engravidar. Margarida Marinho é a excepção à regra e, por isso, tenta esconder-se dos olhares alheios. Filmado nas torres da Torralta, antes de serem transformadas em resort turístico, o filme permite ainda um olhar nostálgico ao que era a península de Tróia há alguns anos atrás.

Dia 13 - Sangue do meu Sangue, de João Canijo - 2011 (140m.)
É o grande fenómeno do cinema português dos últimos anos. Desde "Sapatos Negros" que João Canijo se dedica a aprofundar o Portugal real, tornando-se cada vez mais visceral e realista. "Sangue do meu sangue" podia ser o Correio da Manhã do cinema, com as suas histórias de violações e de inscesto, se não fosse tão real e verdadeiro como se estivesse a acontecer na porta ao lado da nossa.

Dia 20 - Crónica dos Bons Malandros, de Fernando Lopes - 1984 (82m.)
Fernando Lopes desapareceu este ano, deixando uma das filmografias mais ricas do cinema português. "Crónica dos Bons Malandros" adapta o romance homónimo de Mário Zambujal, num heist movie sem assalto, à Fundação Calouste Gulbenkian que, na verdade, é mail um cul-de-sac à boa moda dos irmãos Coen do que outra coisa qualquer.

Dia 27 - Alice, de Marco Martins - 2005 (101m.)
"Passaram 193 dias desde que Alice foi vista pela última vez..." O primeiro filme de Marco Martins é uma das obras-primas do cinema nacional contemporâneo, premiado em vários festivais de cinema, tendo lançado o realizador como um dos nomes mais promissores da realização em Portugal e revelado Nuno Lopes como actor dramático. "Alice" mostra Lisboa como nunca a vimos, numa história de perda e obsessão.

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