FAO organiza painel de discussão sobre «Mil milhões de famintos: podemos alimentar o mundo?»
Sir Gordon Conway apresentou hoje na sede da FAO o seu mais recente livro, Mil milhões de famintos: podemos alimentar o mundo? (“One Billion Hungry: Can we feed the world?”), durante um seminário centrado na urgente necessidade de aumentar a produção agrícola de forma sustentável para alimentar e nutrir uma população mundial crescente confrontada, em particular, com o desafio das alterações climáticas.
Por Jornal Rostos
A apresentação foi seguida por um painel de discussão que contou com a participação dos chefes das três das agências alimentares das Nações Unidas com sede em Roma: o Diretor-Geral da FAO, José Graziano da Silva, o Presidente do FIDA, Kanayo F. Nwanze, e a Diretora Executiva do PAM, Ertharin Cousin.
Citando dados da FAO, Conway observou que para responder às necessidades alimentares de mais um terço da população – 9 mil milhões – em 2050, a produção alimentar terá de aumentar 60 por cento.
No entanto, Conway acrescentou que nos países em desenvolvimento o aumento terá de ser ainda maior. Em alguns casos, a produção poderá ter mesmo que duplicar nas áreas onde a agricultura familiar será a fonte de alimentação dos mais pobres do mundo.
Além do problema endémico da fome, Conway explicou que “a estatística mais chocante é que existem 180 milhões de crianças que têm uma baixa estatura para a idade, que têm atrasos de crescimento, que podem cegar, que podem morrer. Devíamos ter vergonha desta estatística”, afirmou Conway.
“A resposta reside na agricultura sustentável, em que a produtividade é elevada, a estabilidade é elevada, a resiliência é elevada, e a equidade é alta – por outras palavras, a partilha dos produtos também é elevada.”
Acrescentou ainda que, a este respeito, havia também usado os conceitos da FAO de “Poupar e Crescer”.
Para atingir estes objetivos, quatro coisas são necessárias, de acordo com Conway: inovação, mercado, pessoas e liderança política.
Graziano da Silva da FAO comentou depois com otimismo que estes objetivos são alcançáveis, mas apenas se estiverem reunidas certas condições, incluindo: aplicar os conceitos de “Poupar e Crescer”; colocar a agricultura de pequena escala no centro dos esforços globais; estabelecer um sistema de governança global mais efetivo para a segurança alimentar; promover parcerias entre os agricultores e as cooperativas, o setor público e o privado; e associar a erradicação da fome à erradicação da pobreza.
“Atualmente não é por não haver alimentos disponíveis que as pessoas não comem. Já produzimos alimentos suficientes para todos. E desperdiçamos um terço do que produzimos. Há fome porque as pessoas não conseguem comprar alimentos ou produzi-los elas próprias”, explicou Graziano da Silva.
Afirmou ainda que a erradicação da fome tem de ser uma decisão política, por parte de toda a sociedade, de forma a relegar a fome para o passado. Não é apenas da responsabilidade de um governo ou de uma ONG ou de uma organização. Tem de ser feito em comunidade.
Por sua parte, o Presidente do FIDA afirmou: “Acima de tudo, fiquei satisfeito por ver Sir Gordon reconhecer que os agricultores dos países em desenvolvimento têm experiência e conhecimentos e que são muitas vezes inovadores.”
“Tive a oportunidade de observar as capacidades das pessoas pobres rurais em transformar as suas explorações agrícolas, as suas vidas e as suas comunidades”, afirmou Nwanze, acrescentando que “alimentar o futuro vai depender de um desenvolvimento sustentável, que respeite e responda às condições locais, sejam elas ambientais ou culturais, para que a terra não fique comprometida e a base de recursos esgotada.”
A Diretora Executiva do PAM agradeceu a Conway pela sua contribuição na luta contra a fome, que é também um motivo de esperança. “Há o reconhecimento de um caminho que não sugere uma só via para erradicar a fome”, afirmou Cousin.
“Temos que incluir tudo, desde o direito comercial, às sementes na terra, ao modo como lidamos com o género e a inovação. Portanto, há um trabalho importante que deve ser feito em simultâneo para que possamos acabar com a fome.”
Cousin, tal como os outros participantes no debate, concordaram que será necessário o envolvimento de todos para erradicar a fome em comunidade.
Fonte - FAO













