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Repatriamento desde a Mauritânia até ao PortoAção de repatriamento salva a perna a motociclista português

Alvo de complexa ação de repatriamento desde a Mauritânia até ao Porto, devido a um acidente que gerou sérios riscos de amputação da perna direita, Ilídio Neto tem situação clínica estabilizada e está preparado para mais intervenções cirúrgicas.

Abalroado por um automóvel a cerca de 60 quilómetros de Nouadhibou, no norte da Mauritânia, Ilídio Neto, que regressava de uma missão solidária na Guiné-Bissau, desencadeou enorme movimentação para evitar a amputação da perna direita, fortemente massacrada com inúmeras fraturas e outras lesões.

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Repatriamento desde a Mauritânia até ao Porto Ação de repatriamento salva a perna a motociclista português

Por Jornal Rostos

Ação organizada e custeada pelo Moto Clube do Porto que, em verdadeira maratona ao longo de 72 horas, conseguiu resgatar o cidadão português em tempo recorde, podendo assim escapar à amputação da perna e entregando-o aos cuidados médicos do Centro Hospitalar de São João, onde continua internado em recuperação da primeira intervenção cirúrgica para resolução das fraturas.
O acidente ocorreu na estrada entre a capital Nouakchott e a segunda maior cidade da Mauritânia, na noite do dia 4, quando um automóvel perdeu o controlo entrando fora da mão numa curva, atingindo o cidadão português que regressava de ação humanitária na Guiné-Bissau, sendo o condutor mauritano preso de imediato. Com fraturas múltiplas na perna direita – uma delas exposta – e alguns ossos partidos na mão direita, foi transportado, em condições absolutamente tenebrosas num carro particular que por ali passava, até ao hospital de Nouadhibou. Com escassos recursos atendendo à gravidade da situação (nem medicamentos ou comida providenciaram...), os médicos locais optaram pela imediata amputação da perna, a que se opôs de forma veemente o companheiro de viagem Américo Cardoso, contactando o Moto Clube do Porto em busca de auxílio para a evacuação.
De imediato foi montado um autêntico gabinete de crise, integrando todos os elementos dos Corpos Sociais que, desdobrando-se em telefonemas, e-mails e contactos pessoais, conseguiram o repatriamento no domingo, dia 7 de abril, com recurso a avião privado transformado em autêntica ambulância aérea, com acompanhamento do Dr. Paulo Campos e da enfermeira Isabel Miranda, com vasta experiência neste tipo de intervenções.
Esforço que, apesar dos enormes custos, permitiu ganhar tempo e reduzir probabilidades de risco acrescido face à alternativa da primeira opção, através da Secretaria de Estado das Comunidades que, mau grado a resposta pronta e o total empenho, só conseguiria o repatriamento quase uma semana depois do acidente. E apenas com recurso a voos comerciais, sem acompanhamento médico e com várias escalas, obrigando ainda a diversas ligações rodoviárias, desde os 485 quilómetros para ligar Nouadhibou a Nouakchott em viagem de mais de sete horas, até aos 300 km entre Lisboa e o Porto.

Contratempos até final

Mas as atribulações naquele país árabe haveriam de prolongar-se mesmo até à hora da partida, quando, já em processo de preparação para a descolagem, o Learjet 40 CS-TFO foi atingido por uma pedra projetada pela aceleração dos reatores de um Boeing. A quebra de um vidro do cockpit não colocou em causa o voo mas obrigou a cuidados redobrados, voando a baixa altitude e com uma escala para reabastecimento em Rabat, imprescindível face ao maior consumo de combustível nestas condições. Enquanto isso, Américo Cardoso retomou a viagem rumo ao Porto, na madrugada de segunda-feira, onde deverá chegar na quinta-feira, dia 11 de abril, depois de cumprir sozinho a travessia de Marrocos, Espanha e Portugal.
Uma viagem com regresso muito atribulado para dois experimentados motociclistas, sócios do Moto Clube do Porto, com conhecimento acumulado em várias viagens nas duras pistas africanas – Líbia, Moçambique, centro de África e Guiné – que arrancaram no dia 23 de março para cumprir os 12 mil quilómetros de mais uma etapa da expedição Escola para Todos, visando a entrega de material escolar nos postos de ensino da Guiné-Bissau. Ação solidária que, desde 2009, tem como objetivo apoiar a Escola Básica Dr.ª Carmelita Pires, situada no Bairro de Quelélé, em Bissau e que, apesar de ser já considerada das melhores da ex-colónia portuguesa, continua absolutamente necessitada de quase tudo.

Fonte - Moto Clube do Porto

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