BARREIRO - ÁLVARO MONTEIRO E ALUNOS DO 6º ANOCONVERSARAM SOBRE LIBERDADE E DEMOCRACIA

Por Jornal Rostos
“Venho aqui ouvir o que sabem sobre o 25 de Abril de 1974”, disse Álvaro Monteiro no início da aula. Prontamente, os alunos falaram sobre a Revolução que terminou com o “regime de Salazar” e a restituição ao povo português da Democracia e da Liberdade.
Agradavelmente surpreendido com os conhecimentos dos alunos, Álvaro Monteiro elogiou os estudantes e a professora que os ensinou nesta matéria. “É ótimo estar aqui perante turmas tão bem informadas. Com esta informação, vão ser todos defensores da Democracia e da Liberdade. Estou certo?”.
Álvaro Monteiro explicou aos alunos situações “bizarras” que aconteciam durante a época do fascismo em Portugal, referindo-se à não existência de turmas mistas, ao facto dos namorados não poderem andar de mão dada ou beijarem-se na rua (correndo o risco de “serem identificados pela polícia”), as proibições de usar biquíni nas praias, de ouvir determinados programas de rádio ou músicas, ou de, simplesmente, conviver nas ruas em grupos de mais de três pessoas. Perante estas informações, o espanto dos alunos era geral.
Lembrou que, após a greve de 1943, o Barreiro “foi uma terra ocupada militarmente. Vinham para o Barreiro, todos os meses, batalhões da Guarda Republicana”, sendo que as ruas eram patrulhadas pelos guardas e pé e a cavalo.
Álvaro Monteiro recordou aos alunos que o Barreiro era uma terra com muitos operários. Para “intimidar” os trabalhadores, a cavalaria fazia o percurso matinal pelas ruas da vila antes de abrirem os portões das fábricas. “Mas não intimidaram a população do Barreiro que era lutadora. O Barreiro tem tradições heroicas”, referiu.
Álvaro Monteiro falou ainda das prisões a que foi sujeito e das torturas que sofreu nos interrogatórios da PIDE devido à sua intervenção cultural (como presidente da Direção do Cine Clube do Barreiro) e política (de salientar que Álvaro Monteiro foi candidato pelo Concelho nas eleições legislativas de 1969 pela Comissão Democrática Eleitoral).
“É importante preservar a memória destas lutas. Sem memória não há presente nem há futuro”, referiu.
Questionado sobre o que sente relativamente à situação que o País vive atualmente, Álvaro Monteiro respondeu que sente alguma “frustração e tristeza, mas deixámos alguns mecanismos”, designadamente a Constituição da República Portuguesa. Por outro lado, “a consciência destes alunos e dos professores deixa-me muito feliz”.
Álvaro Monteiro recordou que alguns amigos da infância iam, “para a escola, descalços” e sem “tomar o pequeno-almoço”. “Infelizmente, estamos a passar por uma situação semelhante e temos de estar atentos aos direitos que nos estão a tirar”, alertou, considerando que a Democracia deve desenvolver o País do ponto de vista económico e social, de modo a que todos tenham acesso ao trabalho, à educação, à cultura, à saúde. “Quando isso não há, a Liberdade e a Democracia começam a ficar feridas”, disse.
Fonte - CMB













