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José Saldanha Lopes, Chefe do Estado Maior da Armada no Barreiro«Estamos a navegar no limite»

. Garantir as verbas necessárias à manutenção e operação dos submarinos

. É necessário colmatar o défice de manutenção dos meios navais

“O prolongar desta situação poderá potenciar a ocorrência de acidentes com material, por ausência de manutenção, ou com o pessoal, por ausência de treino, pois o riso aumenta exponencialmente com a diminuição do investimento mestas áreas, que se constituem como dois dos mais importantes pilares da nossa operacionalidade” – referiu José Saldanha Lopes, Almirante, Chefe do Estado Maior da Armada, no seu discurso nas comemorações do Dia da Marinha, celebrado no Barreiro.

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José Saldanha Lopes, Chefe do Estado Maior da Armada no Barreiro «Estamos a navegar no limite»

Por Jornal Rostos

“O Barreiro encontra-se intimamente ligado à história da Marinha, foi nas suas margens que se construíram e abasteceram as carvaleas e as naus que «deram novos mundo ao mundo». Este trabalho de retaguarda foi fundamental para o sucesso desta nossa epopeia, que gente do Barreiro tão bem soube relatar, como por exemplo Álavaro velho, no seu diário de bordo, relatando a viagem de Vasco da Gama” – sublinhou José Saldanha Lopes, Almirante, Chefe do Estado Maior da Armada, no seu discurso nas comemorações do Dia da Marinha, celebrado no Barreiro.

Terra de muitos e ilustres marinheiros

“Mas nos dias de hoje, o concelho do Barreiro continua intimamente ligado à Marinha, por acolher, na confluência da Ribeira de Zebro com o Rio Coina, a Escola de Fuzileiros, que desde há 50 anos forma os Fuzileiros da Armada, e nos dias de hoje constitui, a par com a Escola Naval, uma das mais importantes portas de entrada para a Marinha, pois ministra a formação militar básica a todos os militares.
Mas não menos importante, o Barreiro contribui significativamente para enriquecer o nosso maior património, o do pessoal, pois esta é terra de muitos e ilustres marinheiros” – acrescentou José Saldanha Lopes.
“É, assim, por demais evidente que o Dia da Marinha iria ser celebrado em ambiente de franca amizade. No entanto, este projecto só foi possível concretizar graças ao prestimoso apoio e à total disponibilidade da Câmara Municipal do Barreiro” – salientou o Chefe do Estado Maior da Armada, endereçando a sua “gratidão” ao Presidente da Câmara Municipal do Barreiro – “pela forma amiga com que nos receberam”.

Manutenção dos níveis mínimos de operacionalidade

“Há dois anos que Portugal se encontra sob resgate financeiro, tendo este facto condicionado toda a actividade económica do país e como não poderia deixar de ser a actividade da Marinha” – referiu.
“Posso afirmar que o empenho do pessoal, suportado por enorme motivação, a par com uma utilização dos meios e recursos colocados à nossa disposição permitiu o cumprimento da missão da Marinha” – acrescentou José Saldanha Lopes.
“Quem está de fora pode parecer que a «crise» passou ao lado da Marinha e que, apesar da diminuição de alguns dos índices” – sublinhou – “quando comparados com anos transactos” poderá existir a ideia que “conseguimos fazer tudo o que nos é cometido”.
“Mas, assim não o é, de facto, cumprimos a nossa missão, mas a que custo?” – interrogou.
“O custo associado a uma significativa diminuição do investimento e das verbas alocadas á manutenção e ao treino. Durante o ano transacto, apenas efectuámos as acções de treino e manutenção estritamente necessárias à manutenção dos níveis mínimos de operacionalidade ” – esclareceu.

Não é possível prolongar esta situação

“Mas devo alertar que não é possível prolongar esta situação por mais tempo, pois estamos a navegar no limite” – sublinhou José Saldanha Lopes, Almirante, Chefe do Estado Maior da Armada.
“O prolongar desta situação poderá potenciar a ocorrência de acidentes com material, por ausência de manutenção, ou com o pessoal, por ausência de treino, pois o riso aumenta exponencialmente com a diminuição do investimento mestas áreas, que se constituem como dois dos mais importantes pilares da nossa operacionalidade” – referiu.
“Urge ultrapassar a situação em que nos encontramos. É necessário colmatar o défice de manutenção dos meios navais, das infra-estuturas e dos meios de transporte, bem como a exaustão dos stoks sobressalentes” – salientou.

Retomar os programas de reequipamento da esquadra

José Saldanha Lopes, Almirante, Chefe do Estado Maior da Armada, referiu a necessidade de “garantir que teremos as verbas necessárias” à manutenção e operação dos submarinos, “cientes do esforço financeiro que foi necessário para os adquirir”.
Considerou, igualmente – “urgente retomar os programas de reequipamento da esquadra, designadamente a construção de navios de Patrulha Oceânica”.
“O nosso saber, os meios e a experiência agregada que a Marinha possui, deve, e tem de ser potenciada como um activo a explorar no contexto da estratégia nacional para o mar” – sublinhou.

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