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Moldura

Praga de gafanhotos ameaça desencadear grave crise alimentar em Madagáscar

O Madagáscar está a ser ameaçado por uma praga de gafanhotos fora de controlo e corre o risco de enfrentar uma grave crise alimentar. São urgentemente necessários 22 milhões de dólares para financiar uma campanha de emergência de grande escala que deve arrancar a tempo da próxima temporada de plantio em setembro. No entanto, até à data, os fundos em reposta aos apelos da FAO para ajuda de emergência a Madagáscar são claramente insuficientes.
A FAO estima que, em setembro, dois terços dos países estarão infestados de gafanhotos.

4 min de leitura

Por Jornal Rostos

Está em jogo a segurança alimentar e a sobrevivência de cerca de 13 milhões de pessoas, ou cerca de 60% da população total da Ilha. Nove milhões dessas pessoas dependem diretamente da agricultura para obter alimentos e rendimentos.
Fazer soar o alarme mais forte
Desde agosto de 2012 que a FAO tem emitido vários alertas e pedidos de apoio financeiro.
O Diretor-Geral da FAO, José Graziano da Silva, sublinhou a importância da prevenção e resposta rápida: “Se não agirmos agora, a praga irá durar vários anos e custará centenas de milhares de dólares. Esta pode ser a última oportunidade para evitar uma crise prolongada”.
Uma campanha de controlo de gafanhotos implementada a tempo em Madagáscar teria custado 14,5 milhões de dólares em 2011/2012, mas a FAO recebeu apenas metade dos fundos necessários. Foi necessária uma nova campanha, que por sua vez só recebeu um quarto do financiamento solicitado em 2011/2012.
Quando a região do Sahel foi invadida por uma praga de gafanhotos em 2003-2004, o custo das operações de controlo superaram os 570 milhões de dólares, para além dos prejuízos económicos em termos das perdas agrícolas e da ajuda alimentar que foi necessária.
As medidas de prevenção custam normalmente 3,3 milhões de dólares por ano para os dez países do Sahel afetados. Assim, intervir apenas quando a situação atinge o nível de crise, custa aproximadamente o mesmo que 170 anos de prevenção.
Para poder ter todos os meios e pessoas mobilizadas para realizar uma campanha de grande escala contra os gafanhotos em setembro, o financiamento tem de ser garantido até julho. O programa de controlo de gafanhotos da FAO tem de ser completamente financiado para que possa monitorizar a situação dos gafanhotos em toda a área contaminada e para realizar operações de controlo aéreo com alvos bem definidos. Caso contrário, as populações de gafanhotos não detetadas ou descontroladas irão continuar a reproduzir-se e a produzir mais enxames. A praga iria então prolongar-se por vários anos e o seu controlo seria mais demorado e exigiria mais custos, com graves consequências para a segurança alimentar, a nutrição e os meios de subsistência.
O programa completo de três anos, necessário para controlar a situação, requer mais de 41,5 milhões de dólares.
De acordo com uma recente missão de avaliação da FAO sobre os impactos da praga que afeta o Madagáscar, em algumas partes do país as perdas no arroz e no milho devido aos gafanhotos variam de 40% a 70% das colheitas, chegando mesmo aos 100% em certas áreas”.
Uma missão conjunta de avaliação sobre as colheitas e a segurança alimentar está agora no terreno para medir os impactos da praga de gafanhotos sobre a segurança alimentar e os meios de subsistência, com o apoio da FAO, do FIDA, do PAM e em estreita colaboração com o governo de Madagáscar. Em julho, será disponibilizada informação mais detalhada, mas os recursos para iniciar a preparar as respostas no terreno têm que ser disponibilizados agora.
Grave impacto sobre a segurança alimentar
De acordo com as estimativas da FAO, podem ocorrer perdas na produção de arroz de até 630.000 toneladas, ou cerca de 25% de toda a procura em Madagáscar. Isso afetaria gravemente a segurança alimentar e nutricional e os meios de subsistência das populações mais vulneráveis.
O arroz é o principal alimento em Madagáscar, onde 80% da população vive com menos de um dólar por dia. Será necessário pulverizar por via aérea um milhão e meio de hectares durante a temporada de 2013/2014.
O programa de três anos da FAO inclui:
• Melhorar a monitorização e análise da praga;
• Realizar ações de pulverização aérea e terrestre em grande escala e respetiva capacitação;
• Monitorizar e mitigar os efeitos das operações de controlo da praga na saúde e no meio ambiente;
• Medir o impacto das campanhas de combate aos gafanhotos e os danos para a agricultura e pastagens.

Fonte - FAO

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