Membros da FAO chegam a um consenso em relação ao Programa de Trabalho e ao OrçamentoDiretor-Geral celebra consenso como sinal de compromisso para com os objetivos da Organização
Por Jornal Rostos
“Quero agradecer-vos e congratular-vos por mostrarem um sinal tão claro de compromisso para com esta Organização e os seus objetivos – para com a vossa Organização e os vossos objetivos”, afirmou o Diretor-Geral da FAO, José Graziano da Silva, perante os estados membros.
“O consenso demonstrou a vossa vontade em trabalhar juntos para superar diferenças. Demonstrou confiança. E demonstrou o compromisso em trabalharmos juntos pelo futuro sem fome e sustentável que todos nós queremos”, acrescentou Graziano da Silva.
O orçamento de 1.029,1 milhões de dólares acordado pelos estados membros, representa um aumento de 2,2% em relação ao biénio atual e irá permitir que a Organização realize o programa de trabalho proposto focando-se nos cinco objetivos estratégicos e no sexto objetivo relacionado com o trabalho técnico e normativo da Organização.
Os novos objetivos estratégicos da FAO são:
1. Contribuir para a erradicação da fome, da insegurança alimentar e da malnutrição
2. Aumentar e melhorar de maneira sustentável a oferta de produtos e serviços da agricultura, das florestas e da pesca
3. Reduzir a pobreza rural
4. Promover sistemas agrícolas e alimentares mais inclusivos e eficientes ao nível local, nacional e internacional
5. Aumentar a resiliência dos meios de subsistência a ameaças e crises
Um sexto objetivo técnico abrange a prestação de conhecimento, qualidade e serviços técnicos para o trabalho da Organização
Graziano da Silva também apelou aos membros da FAO para que apoiem através de contribuições voluntárias a plena prossecução dos objetivos estratégicos e a implementação do programa de trabalho, que recebeu um forte e unanime apoio na Conferência.
O aumento da produção alimentar não é suficiente
A 38ª Conferência da FAO iniciou-se no sábado, dia 15 de junho, Amartya Sem, Prémio Nobel da Economia, a realizar a tradicional palestra McDougall sobre segurança alimentar e a dizer aos delegados presentes que se o mundo quer acabar com a fome, tem de lidar com todas as suas causas ao mesmo tempo, em particular a pobreza, e não apenas concentrar-se em produzir mais alimentos.
As suas palavras foram também repetidas pelo Papa Francisco, que recebeu os delegados da Conferência da FAO numa audiência na quarta-feira. “É um facto bem reconhecido que os níveis atuais de produção são suficientes mas, mesmo assim, milhões de pessoas ainda sofrem e morrem de fome. Isto é um verdadeiro escândalo”, afirmou o Papa.
O novo programa de trabalho da FAO reconhece a necessidade de uma abordagem mais integral para promover a segurança alimentar, incluindo a proteção social no seu âmbito de atuação.
Sucessos no combate à fome
Durante a Conferência, a FAO reconheceu formalmente 38 países por reduzirem a fome para metade antes do prazo final de 2015. Vinte destes atingiram o primeiro Objetivo de Desenvolvimento do Milénio ao reduzirem para metade a proporção de pessoas com fome nas suas populações. Dezoito também alcançaram a meta mais rigorosa da Cimeira Mundial da Alimentação de 1996 de reduzir para metade o número absoluto dos seus cidadãos vítimas da fome.
“Temos de aproveitar este momento para a erradicação total da fome. Somos a primeira geração que pode acabar com a fome. Aproveitemos esta oportunidade”, declarou Graziano da Silva.
A Conferência também aprovou a alteração do primeiro objetivo global da FAO de redução para erradicação da fome, insegurança alimentar e malnutrição.
Intensificar os esforços em África
Num evento paralelo durante a Conferência, Angola anunciou uma contribuição de 10 milhões de dólares para o Fundo de Solidariedade Africana, através do qual os países africanos vão financiar ações em prol da segurança alimentar na região. Esta doação soma aos 30 milhões de dólares doados anteriormente pela Guiné Equatorial, bem como a outras contribuições dos Camarões e de organizações da sociedade civil.
Renovar a cooperação para acabar com a fome em África será o foco de uma reunião de alto-nível que se vai realizar entre 30 de junho e 1 de julho, coorganizada pela União Africana, a FAO e o Instituto Lula - Brasil, com a participação do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA), do Programa Alimentar Mundial (PAM), entre outros parceiros.
A FAO dá as boas vindas a novos membros
A Conferência votou a entrada do Brunei, de Singapura e do Sudão do Sul, como novos estados membros da FAO, totalizando assim 197 membros da Organização, dos quais 194 nações, 1 organização (a União Europeia) e 2 membros associados (Ilhas Feroé e Toquelau).
A Conferência também elegeu Wilfred Joseph Ngirwa, da República Unida da Tanzânia, como Presidente Independente do Conselho Executivo da FAO para o período de julho de 2013 a junho de 2015. Ngirwa serviu como representante permanente da Tanzânia para as agências alimentares das Nações Unidas em Roma entre 2006 e 2012 e foi anteriormente Secretário Permanente no Ministério da Agricultura e Segurança Alimentar na Tanzânia.
Fonte - FAO













