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Barreiro - Dia Internacional da Pessoa com DeficiênciaMais um passo para ultrapassar a diferença

O dia 3 de Dezembro foi mais um dia de promoção da inclusão por parte da Nós – Associação de Pais e Técnicos para a Integração do Deficiente, no âmbito do Dia Internacional da Pessoa com Deficiência. O Lar Residencial ‘NOSsa Casa’, a Escola de Educação Especial (EEE) e o Centro de Atividades Ocupacionais (CAO) realizaram um Opening Day em articulação com a Escola Básica 2/3 do Vale da Amoreira, da Moita, e a Escola Nº2 do Lavradio, do Barreiro.

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Barreiro - Dia Internacional da Pessoa com Deficiência Mais um passo para ultrapassar a diferença

Por Jornal Rostos

A “aceitação da diferença” e a “abertura ao desconhecido” foram dois dos objetivos-chave das iniciativas realizadas nestas três respostas sociais da NÓS. As mesmas envolveram cerca de 60 alunos das escolas convidadas – tendo cerca de 20 da EB 2/3 do Vale da Amoreira visitado o Lar Residencial e outros 40 da Escola Nº2 visitado a EEE e o CAO – que se juntaram às quatro crianças da EEE, aos 12 jovens/adultos do CAO e aos 18 utentes do Lar Residencial.
Segundo Vera Silva, professora de Educação Especial, as atividades desenvolvidas em parceria entre o Centro de Recursos para a Inclusão (CRI) e a Escola Nº2 do Lavradio enquadraram-se, de igual modo, no projeto «NÓS na Escola Nº2». O mesmo pretende “mostrar aos alunos do ensino regular os vários locais de trabalho com os alunos com Necessidades Educativas Especiais (NEE) que existem na NÓS, na medida em que são salas diferentes dos das escolas, permitindo, por exemplo, realizar atividades apropriadas de relaxamento e de equilíbrio”.
Na opinião de Vera Silva, a realização de uma ação de sensibilização anterior ao Dia Interna-cional da Pessoa com Deficiência junto de cada turma visitante foi, porém, fundamental, enquanto um primeiro momento de aproximação e de partilha entre os meninos da Escola Nº2 e da EEE. “Quando desconhecemos ou ignoramos algo, temos medo; por isso, estive com os alunos numa manhã, num momento de descontração, de reflexão e de trabalho sobre a diferença, vendo-a como algo negativo mas também positivo”, refere a docente.
Até ao momento esperado do dia 3 de Dezembro foram, ainda, sendo dadas pistas aos alunos da escola vizinha da NÓS, tais como fotografias da EEE ou no sentido de investigarem “o que esta data tem de especial ou de diferente”. Os objetivos das atividades feitas foram, sobretudo, “estimular a inclusão, a aceitação da diferença e a abertura entre crianças de ensinos diferentes”, despertando-as para a importância da Educação Especial.
“Correu tudo muito bem. No CAO, alguns meninos sentiram alguma insegurança por lidarem com jovens/adultos que querem brincar como eles, o que, ao início, pode ser mais difícil para eles mas não deixaram de querer participar, cada um ao seu ritmo para chegar ao outro. Basi-camente, tudo passa por conseguir ultrapassar a diferença e o obstáculo do desconhecido”, considera Vera Silva.
Até ao Dia Mundial da Criança, momento de uma próxima atividade do projeto em mãos, os alunos da EEE e da Escola Nº 2 continuarão em contacto, realizando troca de correspondência e de outras experiências.

Ensino regular e Ensino especial: uma aproximação necessária
A existência de projetos em parceria entre escolas do ensino regular e do ensino especial é, na perspectiva de Vera Silva, essencial, nomeadamente face à impossibilidade de as escolas especializadas terem espaços para um adequado funcionamento nos estabelecimentos de ensino regular. “É verdade que é necessário haver escolas especializadas para algumas características das crianças mas elas podem coexistir com as escolas regulares num mesmo meio físico. As escolas de ensino regular deveriam aproximar-se das escolas de Educação Especial, pois nestas trabalha-se com outro foco, de forma mais individual e com outro ritmo”, explica a professora da NÓS.
Vera Silva acrescenta que as exigências colocadas a um “professor dito normal” perante alunos com NEE os levam, muitas vezes, a “uma situação de frustração”, sendo bastante necessária a existência de educadores/professores especializados nas escolas de ensino regular, em número e espaços apropriados. “O professor não tem que ser capaz de fazer tudo, ao nível de terapia da fala e da fisioterapia. Os docentes não estão habituados a trabalhar com alunos com deficiência; além disso, por vezes existem recursos especializados «a mais» nas escolas, como terapeutas e psicólogos a trabalhar em corredores, por exemplo, pelo que há muito trabalho a fazer, de formação e de respeito pelo que se faz, na medida em que os técnicos especializados em necessidades especiais são profissionais que ajudam, exercendo um trabalho direto com os alunos com NEE mas também com as várias pessoas que lidam com eles”, enquadra Vera Silva.

Fonte - Nós

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