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AJA -Associação José Afonso SetúbalSaudação pelos 40 anos do 25 de Abril

"A canção “Grândola, vila morena” foi, há quarenta anos, senha de um golpe militar que logo se tornou revolução e perdurou, reflexo de múltiplas esperanças e vontades colectivas. E foi presença calorosa da resistência quando os cravos começaram a murchar." - refere a saudação da AJA Setúbal.

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AJA -Associação José Afonso Setúbal Saudação pelos 40 anos do 25 de Abril

Por Jornal Rostos

Saudação pelos 40 anos do 25 de Abril

Quando José Afonso, o poeta, o cantor maior da Liberdade, morreu, para evocar a sua obra e a sua vida fundámos a AJA, Associação José Afonso. Quarenta anos depois da Revolução de Abril, aqui estamos, ombreando convosco, ombreando com todos para quem o 25 de Abril significou um profundo virar de página na nossa contemporaneidade.
Foi o fim da ditadura, das perseguições, das prisões e das torturas, das liberdades aviltadas e espezinhadas, da guerra colonial, dos exílios, do trabalho sem direitos, da infância desprotegida, do acesso negado à escola, de todo o tipo de discriminações sociais ou de género, do direito à saúde por cumprir, da velhice desvalida.
Mas foi mais do que isso, foi também um imenso acender de esperanças, uma torrente caudalosa de vontades, um feixe generoso de utopias, um fortíssimo desejo de mudança – O futuro era agora! Enchemos largos e praças, tomámos a palavra nas fábricas e nos campos, nos escritórios e nas escolas, nas repartições e oficinas. A várias mãos e com diferentes letras sentimos que éramos nós a escrever a História.
E José Afonso percorreu connosco todo esse caminho, como cantor, como homem e como cidadão. Cruzou a fronteira da ditadura para a democracia. Sofreu perseguições, passou pelas cadeias políticas, mas a sua voz nunca deixou de se erguer contra o ignomínia e a repressão, como depois se tornou hino, solidário com os de baixo e, sem medo a tomar partido, radical na sua utopia, por um mundo “sem muros nem ameias”.
A canção “Grândola, vila morena” foi, há quarenta anos, senha de um golpe militar que logo se tornou revolução e perdurou, reflexo de múltiplas esperanças e vontades colectivas. E foi presença calorosa da resistência quando os cravos começaram a murchar.
São de chumbo os tempos que hoje vivemos, que se abatem aqui, como sobre a Europa e sobre o mundo. Vivemos um inimaginável retrocesso civilizacional, a desvalorização do trabalho e o empobrecimento, o desmantelamento do estado social, o desprezo pelas pessoas, a ameaça às liberdades, o ressurgimento de ideias e práticas que julgávamos banidas pelo tempo, a conspiração da finança sem rosto e sem pátria.
E as canções de José Afonso, como as dos seus companheiros aí estão, frescas, intensas, tornadas hino, cruzando e unindo gerações, armas de combate também nas vozes que se erguem e que irrompem reclamando justiça social, vida digna, liberdade… um futuro de igualdade e de paz.

A Direcção da AJA

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