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É limitada a infra-estrutura desportiva pública de que o Barreiro dispõeTem de ser encontrada numa opção que leva a gerir infra-estrutura partilhada

“Hoje e no futuro, devem os barreirenses enjeitar todos os que nos queiram tornar sua propriedade e tomar posse do nosso património material ou imaterial.
O Futebol Clube Barreirense é e deverá ser, uma entidade aberta, plural e livre, detida pelos sócios e refém da sua vontade”, afirmou José Paulo Rodrigues, presidente da Direcção do Futebol Clube Barreirense, no decorrer da sessão solene evocativa do 106 º aniversário.

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É limitada a infra-estrutura desportiva pública de que o Barreiro dispõe Tem de ser encontrada numa opção que leva a gerir infra-estrutura partilhada

Por Jornal Rostos

José Paulo Rodrigues, presidente da Direcção do Futebol Clube Barreirernse, referiu, na sua intervenção que para além de “homenagear os que de entre nós se distinguiram e projectam o nome do Clube”, hoje, “é tempo de reiterar a missão que nos guia, de realçar os resultados alcançados mas também de projectar o nosso futuro e o nosso papel na cidade”.
“Orgulha-nos a nossa história, mas não temos por missão, ser, o que fomos. Seremos o que a nossa condição nos permitir, alicerçado na nossa determinação, no nosso desejo de construir, na nossa vontade de progresso e no nosso desígnio de servir”, acrescentou.

Preparar um PER a apresentar aos nossos credores

“Quando aceitei a responsabilidade de exercer uma função executiva no meu Clube, conhecia bem as circunstâncias que iríamos enfrentar.
Estávamos cientes que não teríamos uma gestão popular, sobretudo para os que, sistematicamente aspiram a obter resultados pelo mero efeito do desejo.
Sabíamos a acção determinada que era exigida e o rigor que o momento nos impunha.
No tempo que medeia entre esse ido ano de 2012 e os dias de hoje, operámos uma profunda transformação no governo desta nossa Casa. Desde logo com o hábito de trabalhar e executar orçamentos rigorosos e expor a nossa situação financeira.
À época, o Clube registava um passivo, ou seja, uma dívida, próxima de 1 milhão e 270 mil euros.
A gestão financeira era caracterizada por um déficit mensal de 12 mil euros e um quadro de pessoal com 21 colaboradores.
Nesse ano, nas equipas seniores, fomos campeões distritais em futebol e ficamos classificados no 4º lugar na Liga Portuguesa de Basquetebol.
Esse ano encerrou com um prejuízo superior a 130 mil euros e o receio de fechar portas, levou-nos a preparar um PER a apresentar aos nossos credores”, salientou José Paulo Rodrigues.

Clube reduziu a sua dívida em 330 mil euros

“Volvidos pouco mais de 4 anos, o Clube reduziu a sua dívida em 330 mil euros, incrementou o seu património em 150 mil euros, e apresentou resultados acumulados de 500 mil euros.
Este exercício de rigor, transversal a várias Direcções, exigiu uma significativa redução do quadro de pessoal, necessariamente substituído por trabalho voluntário no seio da estrutura desportiva e administrativa.
Obrigado a todos os que assumiram este compromisso e com discrição e modéstia o exerceram.
A par da mudança das práticas de gestão, assinale-se a importante alteração estatutária que aprovámos.
Hoje os nossos estatutos, incorporam várias medidas de salvaguarda, para um melhor e mais rigoroso governo do Clube.
Asseguram mecanismos de controlo dos actos de gestão, nomeadamente a responsabilização pessoal dos seus dirigentes e conferem ao Barreirense, condições para garantir a defesa do seu património e maior sustentabilidade para o futuro”, afirmou o presidente de Direcção do Futebol Clube Barreirense .

FCBarreirense seja reconhecido o seu legitimo direito

“Hoje, por força dos seus estatutos, o Clube está protegido da aventura irresponsável de quem possa por em causa o esforço de construção dos que o precederam. Mas sempre direi que a melhor forma de proteger o interesse do Barreirense, passa pela ampla participação dos sócios nas suas acções e nos seus processos de tomada de decisão.
Neste caminho que escolhemos, para ir procurando resolver os problemas que ousámos enfrentar, cumpre-me informar que, terminou hoje, a fase de audiência, do processo judicial que nos opõe ao Banco Santander.
Trata-se de um processo bem difícil, onde esperamos que aconteça justiça e ao FCBarreirense seja reconhecido o seu legitimo direito.
Aos que, como eu, acompanharam as fases deste processo, conhecem a matéria de facto e assistiram à produção da prova, é de dever expressar um agradecimento aos nossos advogados, que de modo diligente o conduziram.
Em nome do FCBarreirense expresso o nosso agradecimento ao Dr. Victor Castro Nunes que desde o primeiro momento, com o maior empenho e competência tem conduzido esta acção, à Dra. Madalena Alves Pereira e ao Dr. Martins de Sousa, que juntaram o seu saber, experiência e capacidade. Agradecemos a vossa generosidade neste trabalho “pro bono”, mas sobretudo o amor a esta causa que a todos nos une”, sublinhou José Paulo Rodrigues.

Auto-sustentabilidade das modalidades num Clube

“No plano desportivo, o aumento de praticantes, de equipas e a dinamização das nossas modalidades, espelham a consistência organizativa e a competência técnica que temos colocado neste importante vector de desenvolvimento do Clube.
Mas, falar da auto-sustentabilidade das modalidades num Clube como o nosso, é ter consciência que temos de ajustar o nível competitivo à dimensão do nosso bolso.
Compreendemos todos aqueles que ansiosamente aspiram a que o Futebol Clube Barreirense, se distinga pelo êxito desportivo das suas equipas seniores. Mas esse em si, não é, nem pode ser, o objectivo último desta Casa. Antes deverá ser, o corolário de uma estratégia de desenvolvimento desportivo, tecnicamente sólida e financeiramente sustentada”, referiu o dirigente do FCB.

Clube assuma a centralidade

“É sabido que, no país e na região, tem surgido projectos de desenvolvimento desportivo, normalmente associada à presença de “investidores” estrangeiros.
De nós, também se têm aproximado propostas ou simples sondagens para desenvolvimento deste tipo de projectos para o futebol.
Normalmente estes “projectos desportivos”, até agora, têm-se revelado de alcance duvidoso para os Clubes e castrador da sua missão associativa e social.
Hoje e no futuro, devem os barreirenses estar atentos. Devem cuidar da nossa natureza associativa.
Devem, sensatamente, aceitar projectos com sentido na nossa missão estatutária, focados na criação de valor para todos os intervenientes, e onde o Clube assuma a centralidade”, salientou José Paulo Rodrigues.

Gestão desportiva do Clube deve ser ambiciosa

“Hoje e no futuro, devem os barreirenses enjeitar todos os que nos queiram tornar sua propriedade e tomar posse do nosso património material ou imaterial.
O Futebol Clube Barreirense é e deverá ser, uma entidade aberta, plural e livre, detida pelos sócios e refém da sua vontade.
A gestão desportiva do Clube deve ser ambiciosa, mas protegida de entusiasmos que nos exponham a riscos de perda de identidade.
Temos a dimensão do nosso sonho. Somos grandes! E seremos tanto maiores e credíveis, quanto mais sensata e realista for a nossa ambição.
Fruto da sua capacidade de atrair e da vontade de crescer, ao Barreirense deparam-se também oportunidades de desenvolver novas iniciativas desportivas, que acolham o desejo dos nossos jovens, para aqui praticar a sua modalidade de eleição.
Sejam os amantes do Futsal, sejam as meninas e jovens atraídas pela prática de futebol ou basquetebol, seja até a prática de modalidades de ginásio para ambos os sexos, a todos temos dito “não”. No fim do dia, estamos a negar aos barreirenses prática desportiva e a não conseguir atrair para hábitos de vida saudáveis, muitos dos filhos da terra”, afirmou.

Disponibilizar e gerir infra-estrutura partilhada

“Se por um lado o Barreirense está no limite do uso dos seus meios e para si é incomportável o investimento em alguns destes equipamentos, por outro lado, é limitada a infra-estrutura desportiva pública, de que o Barreiro dispõe.
Num tempo de incerteza sobre o modelo de desenvolvimento que vingará na região, não pode o Clube aqui encontrar uma boa razão para não procurar uma resposta.
A resposta tem de ser encontrada numa opção que nos leva à inevitabilidade de, no concelho, disponibilizar e gerir infra-estrutura partilhada.
Estamos num tempo de mudança. Estamos num tempo de renovação nos principais clubes da cidade e nas autarquias. É este um tempo de sonho e de oportunidade!
Está entre nós a mulher ou o homem que será o futuro Presidente da Câmara Municipal do Barreiro. A ela e a eles dirijo esta palavra:
“A sociedade barreirense e os seus responsáveis políticos, devem ver no Barreirense, um clube aliado de qualquer reflexão que nos leve ao próximo nível de organização, integração e partilha, que preservando a identidade que a cada um envaidece, nos coloque num plano de desenvolvimento desportivo que dificilmente algum de nós individualmente alcançará”, sublinhou o presidente da direcção do FCB.

Protocolo de colaboração com Baía do Tejo

“Queremos reforçar ainda mais o nosso espírito de clube agregador, que une o Barreiro e trabalha com a cidade, sem divisões de qualquer natureza, em parceria e revelando, para além do desporto, os nossos valores e princípios fundacionais – respeito, ética, civismo, solidariedade”, disse.
Recordou que – “hoje mesmo, com a Baía do Tejo, encerrámos o acordo para renovação do nosso protocolo de colaboração.
A divulgação deste acto, reflecte a expressão do agradecimento do Barreirense, à Baía do Tejo e a todas as empresas do nosso concelho que acreditam em nós e nos ajudam a manter a nossa actividade”

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