Clube Naval SetubalenseLeva «os nomes de Setúbal e de Portugal aos quatro cantos do mundo»
. Assinala centenário

Por Jornal Rostos
Duas saudações pelo centésimo aniversário do Clube Naval Setubalense, efeméride assinalada hoje, foram apresentadas em reunião pública da Câmara Municipal de Setúbal.
Na saudação, aprovada pela CDU, é elevada a importância do histórico e prestigiado clube para a cidade e para o país enquanto dinamizador do desporto, em particular das modalidades náuticas e aquáticas.
“O Clube Naval Setubalense é muito mais do que um clube centenário. É o maior clube da cidade no que diz respeito a desportos náuticos e aquáticos e um dos mais consagrados a nível nacional.”
Fundado a 6 de maio de 1920 por Afonso O’Neill, Carlos Botelho Moniz, Silva Escudeiro, Capitão Cassar, João Teixeira e Virgílio de Sant’Ana, o clube setubalense tem sido, ao longo do último século, sublinha a saudação, um “estandarte da cidade”, levando “os nomes de Setúbal e de Portugal aos quatro cantos do mundo”.
A instituição setubalense, que apenas viu aprovados os primeiros estatutos em agosto de 1921, ostenta, desde 1982, o estatuto de Pessoa Coletiva de Utilidade Pública, em diploma conferido e assinado pelo primeiro-ministro Francisco Pinto Balsemão.
Nos primórdios de existência, o Clube Naval Setubalense teve sede numa sala provisoriamente cedida pela Associação dos Bombeiros Voluntários.
Porém, as limitações desta situação levaram a que fossem estabelecidos contactos com a autarquia, que teve desde sempre ligada à vida do clube, tendo em vista a cedência de um barracão camarário para sede oficial do clube, numa zona que é hoje a Praça da República, junto do rio.
Em face do crescimento do clube, foi edificado, em 1921, junto da sede, um hangar de forma a permitir a ampliação de atividades.
A partir de 1941, com a anuência da Junta Autónoma do Porto de Setúbal, delimitou-se o espaço destinado ao apoio dos desportos náuticos em redor da Doca de Recreio, o que permitiu ao Clube Naval Setubalense ter, pela primeira vez, uma perspetiva de futuro mais segura.
Também em 1941, foi construído o primeiro rinque de patinagem junto do hangar.
A II Guerra Mundial trava os sonhos de construção de um segundo rinque, que acabaria por surgir apenas anos mais tarde, com o apoio da empresa Secil, que contribui com todo o cimento necessário à obra.
No início da década de 60, um grupo de elementos do clube constrói um pavilhão gimnodesportivo e uma piscina em redor desse segundo ringue.
Ao longo dos anos, numa história repleta de altos, mas também de baixos, o Naval e aqueles que sempre abraçaram os seus ideais e as suas causas passaram por vários sobressaltos.
A constante mudança de poder tutelar dos terrenos junto da orla costeira, ora sob a alçada da Câmara Municipal, ora sob a alçada da então Junta Autónoma do Porto de Setúbal, fizeram com que as instalações do clube estivessem sempre em risco de se perder.
O esforço e a dedicação de atletas, dirigentes e adeptos permitiram, contudo, construir alicerces fortes para que as instalações da coletividade crescessem e ganhassem mais valências.
Enquanto uns lutavam pela manutenção da associação naquelas instalações, outros levavam o nome do Clube Naval Setubalense um pouco por todo o país, graças à secção de Remo, que foi escrevendo páginas de glória na história da modalidade a nível nacional.
Os anos 70 trouxeram novo impulso ao clube, graças ao desenvolvimento de desportos náuticos, nomeadamente as modalidades de mergulho amador, motonáutica, vela de cruzeiro e pesca desportiva e recreativa.
O Clube Naval Setubalense conta, atualmente, com cerca de 12 mil associados, perto de quatro mil praticantes e 450 atletas em competição em modalidades diversas como a vela, o remo, a natação, a patinagem artística, o hóquei em patins e a natação.
Neste momento de celebração, o município reafirma a importância de “não esquecer todos aqueles que permitiram ao clube completar um século de história e atividade, sejam eles dirigentes, atletas, adeptos ou amigos do clube”, e que, “mesmo perante as adversidades, mantiveram vivo o sonho nascido em 1920”.
O documento apresentado pela CDU destaca ainda o momento em que, no final de janeiro, na IV Gala do Desporto de Setúbal, o município agraciou, com o “Prémio Especial”, o clube sadino, de forma a assinalar, por antecipação, o centenário de 6 de maio.
Uma data que, frisa o documento, se celebra “com grato prazer, na esperança de que o clube continue, eternamente, a levar bem longe o nome da cidade que o viu nascer e que, orgulhosamente, agora o felicita”.
Já outra saudação, apresentada pelo PS, destaca o espírito inovador e empreendedor do clube, assim como a “capacidade de se saber reinventar, a resistência na adversidade”, o “serviço público prestado à comunidade”, a “determinação e empenho dos seus atletas, treinadores e dirigentes”, que, na área náutica, “afirmaram o Naval como o maior emblema de toda uma região a sul do Tejo”.
O documento saúda ainda os associados da instituição setubalense, “que nas horas mais difíceis disseram presente” e “não negaram o apoio ao seu clube do coração”.













