Alexandre Teixeira, Presidente da Direcção da SDUB «Os Franceses»Um passado para honrar, um presente para dar resposta e um futuro para criar
Hoje à tarde, no decorrer da Sessão Solene Evocativa dos 152 anos da Sociedade Democrática União Barreirense «Os Franceses», Alexandre Teixeira, Presidente da Direcção, disse : “onde o Estado não chega as autarquias locais e movimento associativo estão e devem estar. Isto serve para relembrar que quando este reduto falha a nossa missão de servir também falha”.

Por Jornal Rostos
Alexandre Teixeira recordou três efemérides, do ano 1870, para através desses momentos históricos recordar a história da SDUB «Os Franceses», aquela que é a colectividade mas antiga do território da cidade do Barreiro.
Recordou a Guerra Franco Prussiana de 1870; o Movimento Intelectual da Geração de 1870, encabeçado por Antero de Quental, Ramalho Ortigão, Eça de Queiroz e tantos outros, e, ainda o nascimento de Maria Tecla Artemisa Montessori.
Sobre as as guerras Franco Prusssianas, referiu que as tropas Francesas, em desvantagem numérica e bélica, lutaram com bravura em defesa da sua terra. Apesar da derrota, para a história, ficou registada a abnegação com que os Franceses resistiram aos ímpetos de Otto Von Bismarck.
“É dessa forma que nos apresentamos em todos os projetos onde nos envolvemos e é desta forma que pautamos a nossa actuação, nas vitórias e nas derrotas sempre em defesa da nossa Sociedade”, disse Alexandre Teixeira.
Somos um laboratório vivo da democracia
Quanto ao Movimento Intelectual da Geração de 1870, recordou que este trouxe ao panorama nacional, novas ideias, fruto dos avanços no desenvolvimento da ferrovia, assim como as novas ideias e pensamentos que emergiam na Europa.
“Os ideais revolucionários, a discussão do status quo, a rebeldia e inovação foram pedra de toque para este grupo e é desta forma que nos apresentamos. Com uma visão de abertura à sociedade e comunidade, de troca e partilha de ideias, pela participação e cidadania ativa (LABIC é um exemplo disso mesmo), do respeito pela opinião dos outros, pela tolerância, liberdade, igualdade, fraternidade e solidariedade. Somos um laboratório vivo da democracia com diferentes cores, credos, religiões, ideologias unidos por um objetivo comum.”, sublinhou Alexandre Teixeira,
Livres, respeitados e parte de um todo num ambiente livre e democrático
No que diz respeito ao nascimento de Maria Montessori, uma pioneira na valorização da Educação Infantil, salientou o presidente da SDUB «Os Franceses» que “a história desta mulher foi um exemplo de dedicação, inovação, capacidade para ultrapassar dificuldades e constrangimentos de contexto com sucesso.
Os pais queriam que fosse professora. Ela quis ser médica numa sociedade em que as mulheres não podiam examinar o corpo masculino o que causou naturais constrangimentos à sua atividade.
Ainda assim enveredou pelo trabalho com crianças com necessidades especiais criando métodos de aprendizagem inovadores e ainda actuais”, salientou Alexandre Teixeira.
Recordou a frase Maria Montessori: ” A tarefa do Professor é preparar motivações para as atividades culturais num ambiente previamente organizado e abster-se de interferir.”
“Ora, é precisamente isto que temos feito na nossa Sociedade: criar condições para que todos quantos nos visitam, participam, intervém e interagem connosco possam sentir-se livres, respeitados e parte de um todo num ambiente livre e democrático. Criar as condições para que dos que a nós recorrem possam criar as suas raízes e autonomizarem-se. Na Academia de Jazz, na Orquestra Baía, no Ballet, nos Projetos de Intervenção Comunitária, nas Associações às quais abrimos portas, nas parcerias que estabelecemos, com o nosso pessoal docente e auxiliar, com os quadros técnicos e administrativos e com os nossos sócios.
Diferentes pontos de partida para a mesmo ponto de chegada: O serviço à nossa comunidade.”, disse.
Agora temos em braços uma crise inflacionista
Recordou que os actuais Corpos Sociais tomaram posse em 2020, e, passado um mês viveu a situação de pandemia que muito dificultou a atividade associativa. “Mantivemos o foco, o quadro de pessoal, a atividade, os investimentos no edificado, nas condições do nosso colégio, iluminação, palco e quando o planeado se centrava na rentabilização destes investimentos.
Agora, temos em braços uma crise inflacionista. A titulo de exemplo podemos falar da eletricidade e do crescimento em 45% do que pagamos (cerca de 500 euros), só na Coletividade.
No Colégio a razão de crescimento foi a mesma. As mesmas receitas para mais despesas. Os mesmos acordos sociais para cada vez mais despesa. A compras de alimentos para o Colégio e Cantina Social cresceram 20%. Mais uma vez para o mesmo acordo temos mais despesas.”, referiu Alexandre Teixeira.
“O que fizemos? Negociamos contratos e aumentamos a pesquisa de produtos para que possamos comprar o melhor pelo preço mais justo. Esta crise vem deixar ainda mais a nu as dificuldades com que nos debatemos dia a dia e a evidente necessidade de investimento no Movimento Associativo.”, acrescentou.
“Onde o Estado não chega as autarquias locais e movimento associativo estão e devem estar. Isto serve para relembrar que quando este reduto falha a nossa missão de servir também falha.
Continuamos a ser postos à prova sabendo por experiência que a primeira vaga seremos nós a sofrer para depois enfrentar as dificuldades que se vão fazer sentir na nossa comunidade.”, afirmou.
Milhares de coletividades passam pelos mesmos desafios que nós
“Solução: deixar de prestar este serviço à nossa comunidade? Encontrar soluções em conjunto com as autarquias locais, Associação das Coletividades e Confederação das Coletividades? Soluções conjuntas com a CNIS? Reunir todos os atores e definir estratégias concretas de investimento a médio longo prazo no nosso setor?”, foram algumas das interrogações que deixou para reflexão.
“Foi por este (e outros motivos) que nos candidatamos e fomos eleitos Conselheiros Nacionais na Confederação Portuguesa das Coletividades de Cultura Recreio e Desporto, para fazer ouvir a nossa voz, amplificar a nossa voz junto das milhares de coletividades que passam pelos mesmos desafios que nós. Temos e vamos discutir medidas concretas que podem passar pelo alívio fiscal que nos nosso caso são dezenas de milhar de euros ano.
O diagnóstico está feito. Passemos à Ação. E como hoje celebramos a República não faria sentido fazermos uma referência à mesma República vem (do latim res publica, "coisa pública") que é o que os dirigentes associativos e nós fazemos. Eleitos democraticamente, sem pretensões de eternidade e perpetuação, unidos por um propósito e ideal altruísta.
Em jeito de resumo dizemos que vamos continuar este caminho de prestigio e consolidação das contas. Seremos mais conservadores no que toca a investimentos mas não desistiremos de procurar parceiros elegendo como parceiro principal para este desígnio o município e demais orgãos autárquicos para em conjunto com a CNIS e Confederação Portuguesa das Coletividades reivindicarmos por mais investimentos no nosso setor.
Nunca esquecendo que só através da convergência podemos dar resposta aos anseios da nossa comunidade”, disse o líder da SDUB.
Um passado para honrar, um presente para dar resposta e um futuro para criar
O Presidente da Direcção da SDUB «Os Franceses» agradeceu a “todos e a todas” que pela sua actividade fazem o dia a dia da colectivoidade - a Orquestra Baía, a Academia de Jazz, e dirigiu uma saudação “de todo o coração aos trabalhadores, trabalhadoras, sócios e amigos que 365 dias por ano dão tudo pela nossa Sociedade”
“Vamos ao trabalho porque há um passado para honrar, um presente para dar resposta e um futuro para criar!”, disse a finalizar.
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